Presidente do banco Bradesco se torna réu em esquema de corrupção no Carf

Luiz Carlos Trabuco é suspeito de negociar com um grupo que comprava decisões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e mais nove pessoas por suposto envolvimento em esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Com isso, Trabuco e os demais denunciados passam à condição de réus em ação penal sobre o caso, investigado na Operação Zelotes.

Na decisão, o magistrado determina que os envolvidos sejam citados para apresentarem defesa às acusações num prazo de vinte dias. “Nesse juízo preliminar, não vislumbro qualquer elemento probatório cabal capaz de informar a acusação, sem prejuízo da análise particularizada com a eventual contraprova”, escreveu ele.

AS SUSPEITAS

Os executivos do Bradesco são suspeitos de negociar com um grupo que comprava decisões no Carf, espécie de tribunal que avalia débitos de grandes contribuintes com a Receita Federal.

Além de Trabuco, se tornaram réus da ação penal Luiz Carlos Angelotti, diretor de Relação com Investidores do Bradesco; Domingos Figueiredo de Abreu, diretor vice-presidente; e Mário da Silveira Teixeira Júnior, ligado ao Conselho de Administração do banco.

O banco tem negado qualquer envolvimento de seus executivos no esquema. “O Bradesco nega ter contratado serviço de lobistas no Carf e afirma que Trabuco não participou de qualquer reunião com o grupo citado”, sustentou em nota divulgada em maio deste ano, após a Polícia Federal indiciar Trabuco e outros diretores.
 

 
As investigações mostraram que o grupo investigado por corromper integrantes do Carf conversou com executivos do banco a respeito de um contrato para anular um débito de R$ 3 bilhões com a Receita Federal.

DE LONGA DATA 

O procurador da República do Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal, Frederico Paiva, disse que há provas consistentes para responsabilidade penal de dez pessoas. “A relação do Bradesco com a organização criminosa já tinha mais de dez anos. Não se tratou de evento episódico”, afirmou.

Segundo ele, o banco teria aceitado participar do esquema criminoso.

Paiva afirmou que há “provas consistentes” para constituir a responsabilidade penal dos dez denunciados. Segundo ele, a chamada organização criminosa teve diversas reuniões com diretores do banco, com o conhecimento de Trabuco. “Era nítido objetivo do Bradesco de obter por meios escusos benefícios fiscais”, afirmou.

DEFESA

O Bradesco se manifestou sobre a decisão da Justiça Federal de Brasília que aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente da instituição financeira, Luiz Carlos Trabuco, dois diretores e um executivo ligado ao banco.

“O Bradesco reitera sua convicção de que nenhuma ilegalidade foi praticada por seus representantes e, em respeito ao rito processual, apresentará oportunamente seus argumentos ao Poder Judiciário.”

Matéria: Diário do Comércio