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Olympus admite ter escondido prejuízo em operações

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A companhia japonesa Olympus, fabricante de máquinas fotográficas e equipamentos para exames médicos, admitiu nesta terça-feira ter encoberto prejuízos em suas operações. A empresa de 92 anos afirmou, em nota, que o comitê designado para investigar as compras de firmas ocorridas nos anos anteriores descobriu um esquema da década de 90 pelo qual a Olympus encobria prejuízos com investimentos.

As operações "maquiadas" incluem a compra da empresa de tecnologia médica Gyrus Group, do Reino Unido, e as compras de três empresas japonesas de pequeno porte. A Olympus gastou o equivalente a mais de US$ 1 bilhão em pagamento ligados a essas operações.

A companhia "limpava" o prejuízo contábil sobre investimentos pelo direcionamento do dinheiro por meio de fundos usados para conduzir as transações. O comunicado da empresa, divulgado pouco antes da abertura da Bolsa de Tóquio, levou suas ações a despencarem 29%, para o menor nível desde julho de 1995.

Suspeitas

Há menos de um mês, a Olympus demitiu seu presidente, o britânico Michael Woodford, depois que ele questionou internamente as transações. Woodford, então, foi a público divulgar suas suspeitas, revelando as cartas que ele havia escrito para os principais executivos da companhia indagando sobre as compras, bem como um relatório que ele havia encomendado à firma de auditoria PricewaterhouseCoopers, que apontava uma série de irregularidades financeiras.Woodford revelou pagamentos anormais, mas disse que não sabia por que a companhia os havia feito. A imprensa japonesa levantou a suspeita de que os pagamentos tivessem sido realizados para encobrir perdas de investimento.


Em 2008, a Olympus comprou a Gyrus por US$ 1,9 bilhão. Pela transação, uma desconhecida consultoria financeira com sede nas Ilhas Cayman recebeu US$ 687 milhões - mais de um terço do valor da transação. Isso acendeu um sinal de alarme, já que essas comissões normalmente ficam entre 1% e 2% do valor da compra.

A Olympus também comprou entre 2006 e 2008 três pequenas empresas japonesas que tinham pouca receita ou um fraco histórico de negócios, e pareciam periféricas em relação ao negócio principal da companhia. Um ano depois de ter pago 73,49 bilhões de ienes (US$ 940,1 milhões) por essas empresas, a Olympus fez uma baixa contábil de quase US$ 700 milhões.

Ações

Um porta-voz da Bolsa de Tóquio disse que, dependendo da amplitude do esquema de acobertamento, a Bolsa pode colocar as ações da Olympus em observação para uma possível exclusão. Pelas regras japonesas, as companhias flagradas com demonstrações financeiras falsas podem ser excluídas do pregão.

Nesta terça-feira , o presidente da Olympus, Shuichi Takayama, pediu desculpas pela "contabilidade inadequada" e disse que a companhia tomará todas as medidas para evitar que suas ações sejam excluídas do mercado. As informações são da Dow Jones.

AE

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