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Na EBX, Eike perde executivo-chave
O empresário Eike Batista, controlador do grupo EBX, começa o ano registrando uma baixa de peso. Paulo Gouveia, seu braço direito na holding que comanda cinco empresas MMX, MPX, LLX, OGX e OSX, deixou o grupo na semana passada e engrossou a lista de executivos a deixar o grupo. Gouveia acumulava até semana passada os cargos de diretor de corporate finance e de relações com os investidores na holding e tinha uma função estratégica. Fazendo as vezes de um banco de investimento na holding, era ele quem negociava aquisições, vendas de participações, aberturas de capital e projetos estratégicos para as empresas do grupo. Foi ele, por exemplo, que negociou a entrada dos chineses da Wuhan na MMX no ano passado.
Conhecido por remunerar regiamente seus executivos - a despeito de algumas disputas -, Batista pode estar sendo vítima do próprio modelo que criou. Depois de colocar um bom dinheiro nos bolsos, os executivos, com a vida financeira resolvida, e partem em busca dos famosos "novos desafios".
Segundo pessoas próximas a Gouveia, o advogado de 35 anos, há 13 anos trabalhando com Batista, deixou o grupo por vontade própria. Tinha planos de viver no exterior e está de mudança com a família para Nova York. Deixou portas abertas na EBX.
Devido à ruidosa briga entre Batista e Rodolfo Landim, que deixou o grupo atirando e trava uma briga na Justiça por conta de remuneração, nos últimos dias começaram a circular rumores de que Gouveia também teria se desentendido com o empresário. Ao menos três pessoas, entretanto, relataram ao Valor que não houve desavenças desta vez. "Tenho e terei profundo respeito por tudo que ele e eu fizemos juntos", disse o bilionário a respeito do seu ex-executivo, em comunicado que circulou na casa.
Gouveia relatou a amigos que diante da sua vontade de viver no exterior, Batista chegou a lhe sugerir que tirasse um período sabático de três meses, mas isso não o contentou.
Conselheiro em várias empresas do grupo, Gouveia gozava de total confiança do empresário, tendo começado sua vida profissional como estagiário no grupo, onde galgou a diretoria da MMX e posteriormente foi para a EBX. Ontem, a EBX soltou comunicado ao mercado informando a saída de Gouveia, depois de recebeu sua carta de renúncia. Não há ainda nome para substitui-lo. Dos sete diretores da EBX, dois - os diretores financeiro, Leonardo Moretzsohn e o de investimento, Luiz Arthur Correia - irão dividir as funções do ex-executivo. Moretzsohn vai assumir as atividades de fusões e aquisições e Correia irá coordenar o planejamento de operações estruturadas. Andrea Pereira assume a diretoria de relações com investidores, comunicação e imprensa.
Junto com Gouveia, o executivo Evandro Pereira também deixou a EBX. Ele foi para o grupo de Eike Batista a convite de Gouveia, trabalhar na área de corporate finance. Também saiu sem stress, segundo dois interlocutores. Ex-sócio do Pactual, Pereira havia se juntado à EBX há poucos meses apenas.
A "guarda pretoriana" de Batista, como ele chama seu time de executivos de "ouro" vem sofrendo baixas consecutivas. No final de dezembro, o diretor financeiro da MMX, Luis Fischman deixou a empresa. Até o momento Roger Downey, presidente da mineradora, contralada pela EBX, está acumulando o cargo. Nos últimos dois anos, ao todo treze executivos deixaram o grupo, somando os dois que acabam de sair. A lista começa com Adriano José Negreiro Vaz Neto, diretor administrativo da MMX, segue com Marcelo Adler Cheniaux, diretor de RI da Centennial Asset Participações do Sistema Amapá, José Luís Amarante Araújo, diretor comercial da MMX, Dalton Nosé, diretor de Metálicos da MMX, Joaquim Martino Ferreira da MMX, Nelson Guitti, diretor financeiro e de RI da MMX, Eliana Lustosa, diretora financeira e de operações da LLX, Rodolfo Landim, ex-diretor presidente da MMX e da OGX e Roberto Costa, ex-diretor de novos negócios da EBX.
Para pessoa próxima do controlador da EBX, a extensa relação reflete apenas um turn-over natural em qualquer empresa. "O Eike continua atraindo talentos. Ele contrata bons executivos, eles fazem um pé de meia e depois vão em busca de novos desafios. Não dá para segurá-los." Mas ressalta que a EBX ainda tem muitos "homens de ouro", como Otávio Lazcano, Paulo Mendonça, Marcelo Torres, Leonardo Gadelha e outros. Para esse interlocutor, a saída de Gouveia certamente vai deixar um vazio, mas o grupo trabalha em equipe e todo mundo sabe o que todo mundo está fazendo, o que reduziria o impacto das perdas.




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