A importância da arquitetura para as instituições de saúde

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É importante avaliar e repensar a estrutura dos hospitais para que possam ajudar a minimizar contágios entre os pacientes

A pandemia do novo coronavírus veio de forma avassaladora para todos nós. Sem precedentes deste tipo de contágio no país, fomos pegos de “surpresa” sem termos uma noção de como lidar e controlar tal cenário.

As instituições de saúde estão no epicentro deste caos em que vivemos e, apesar de já seguirem normas sanitárias específicas e restritas, também sofreram com a imensa crise. Os hospitais necessitam de uma reavaliação estrutural para amenizarem os impactos gerados hoje e, se precaverem para o futuro.

E a arquitetura é fundamental para que isso ocorra. Segundo o escritório Painel Arquitetura, o remanejo da estrutura arquitetônica nesse momento é primordial.

“Mesmo que essa reorganização tenha que ocorrer de maneira ágil devido às circunstâncias, existem maneiras eficientes que podem ajudar o distanciamento, como reorganizar a disposição dos leitos, que deve ser disposta de maneira que haja circulação constante de ar; colocar biombos entre os mesmos, para que o contato entre os hospitalizados seja o mínimo possível; nas salas de espera para o pronto atendimento deve ter um maior distanciamento entre as cadeiras e devem ser colocados também biombos entre elas; essas são algumas formas súbitas de remanejar tais ambientes, que estão altamente expostos a contaminação”, detalha o arquiteto Henrique Hoffman.

Os hospitais já trabalham com revestimentos e materiais específicos que atendem ao ambiente sanitário, com produtos de alta durabilidade e resistência, de fácil higienização e conservação. Porém, é preciso estar atento a demais detalhes que podem ajudar, e muito, o espaço e seus pacientes.

“A arquitetura hospitalar já segue padrões rigorosos de projeto que evitam a proliferação de possíveis bactérias em suas superfícies e sistemas.

Entretanto, é sempre importante lembrar que recursos naturais, como o sol e o vento, podem tornar os ambientes muito mais saudáveis de uma forma natural e passiva.

Assim como uma periódica manutenção dos sistemas de ar condicionado onde o filtro deve ser limpo frequentemente”, aponta Henrique.

Ainda sobre ambientes ventilados artificialmente, é importante destacar que o ar condicionado não troca efetivamente o ar e sim faz o mesmo ar que pode estar contaminado circular no ambiente, favorecendo assim o contágio em um espaço fechado.

“E, nesses casos, é preciso uma adequação para que se crie novos usos da arquitetura. Como, por exemplo, os sistemas de extração mecânica que provocam pressões negativas no interior do edifício atuando em conjunto à insuflação mecânica para garantir a ventilação dos edifícios altos”, explica o arquiteto.

Pensando no futuro, os hospitais precisam de um remodelamento do espaço, uma maneira eficiente de se evitar o contágio de doenças entre os pacientes, como na sala de espera, onde ficam horas aguardando um atendimento, juntos a demais pessoas, que possam estar infectadas, por exemplo.

Uma maneira eficiente é intervir na planta baixa no que diz respeito à lógica da setorização e fluxograma, pensar em formas de separar os pacientes que estão com sintomas de tal doença infecciosa com os que estão com algum outro tipo de problema.

Construindo, assim, alas separadas para o atendimento e a locação de tais infectados para que não haja um contato com os demais, a fim de evitar uma possível proliferação dentro desse ambiente, ou seja, evitar de forma física o cruzamento de circulação e estar”, indica Henrique Hoffman.

De acordo com o profissional, após este surto pelo qual estamos passando, a arquitetura hospitalar, com certeza, terá que ser repensada e remodelada de modo a atender eficientemente qualquer tipo de doença contagiosa que venha surgir.

E, por isto, é necessário avaliar a estrutura do que se é apresentado, hoje, a médicos e pacientes.

“De uma maneira geral, o que deve ser feito é priorizar a ventilação natural cruzada e renovável, evitar fluxo cruzado de pessoas com doenças contagiosas e aumentar o distanciamento dos pacientes, tanto nas salas de espera quanto nos leitos, com alas separadas”, encerra Henrique Hoffman.

Por Painel Arquitetura