Wagner Giovanini, sócio Diretor da Compliance Total e da Contato Seguro, coordenou o painel “Por que os Programas de Compliance fracassam?” durante o 7.o Congresso Internacional de Compliance, promovido pela LEC – Legal, Ethics and Compliance, em maio, que aconteceu em São Paulo. Participaram também Giovanna Martinez, diretora geral de Compliance da Embraer e Denise Iwakura, Compliance Officer da SAP.

O assunto possui relevância crescente no cenário brasileiro, não apenas pela importância do Compliance, combate à corrupção e avanço das legislações relativas ao tema, mas, principalmente, pelas consequências danosas que um fracasso dessa natureza pode significar para as empresas e pessoas. Além de o risco tornar-se elevado, os casos concretos existentes no mercado chamam a atenção, pois, conhecendo suas causas, a prevenção passa a ser possível, configurando-se numa arma valiosa para todos.

Diversas foram as causas apontadas e todas elas merecem atenção redobrada, visto que podem ocorrer em qualquer instituição, como explica Wagner Giovanini.

Segundo o especialista, “o Compliance é o termo consagrado no ambiente corporativo para expressar a existência de um mecanismo na empresa estabelecido para o combate de ilicitudes, fraudes, irregularidades, entre outros desvios de conduta. Por isso, permitir o seu fracasso implicaria em tornar a organização vulnerável”.

Wagner Giovanini enumerou alguns tópicos interessantes tratados no Congresso: “primeiramente, a instituição precisa reforçar o caráter perene de suas iniciativas. Elas não são um mero projeto, com começo, meio e fim. Tudo deve funcionar como um sistema, um modelo de gestão, que será aprimorado com o passar do tempo e jamais como sendo uma ideia de, um dia, tudo estar concluído”.

“Assim, a Alta Direção precisa estar empenhada, de verdade, no apoio, engajamento e desejo, para o Compliance manter-se sempre no grupo das prioridades. Um pequeno deslize nesse quesito gera razão suficiente para decretar-se o fim do Compliance”.

O Compliance depende das convicções da Alta Direção, mas, também, de como o dia a dia é gerido. Por isso, Giovanini abordou também dois outros pontos:

“Um aspecto crucial diz respeito a nomear a pessoa certa, para a missão de responsável por manter o Compliance vivo. Um erro habitual é a procura de um profissional de acordo com a sua formação acadêmica. Isso é o que menos importa! O relevante é possuir alguém com perfil apropriado para sensibilizar as pessoas e trazê-las para o grupo daquelas afeitas em fazer o certo sempre. Simultaneamente, esse profissional precisa ter a capacidade e a coragem de dizer “não”, para qualquer um na organização propenso em cruzar a linha da ética, independentemente do seu nível hierárquico”.

“Uma outra causa de insucesso do Compliance é a implementação de sistemas inadequados. Se forem subdimensionados, os riscos continuarão presentes. Por outro lado, os superdimensionados promovem a burocracia desnecessária e sufocam a organização. Além desses, há os mecanismos não efetivos, normalmente, devido a seus responsáveis nem saberem como averiguar essa grandeza. Portanto, seja qual for a natureza desse equívoco, não irá tardar para as pessoas pararem de acreditar, levando o sistema todo rapidamente a um colapso. Com relação a essa terrível possibilidade, cabe observar a proliferação dos pseudoespecialistas, cada vez mais assombrando o mercado, entregando soluções descabidas para seus clientes”.

Por fim, não menos importante, Wagner Giovanini ressaltou uma característica comum encontrada em diversas corporações: a arrogância. “Quando o profissional de Compliance pensar que sabe tudo ou que a empresa já fez tudo, consolida-se um passo firme na direção do fracasso”, complementou.

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