*Por Henrique Carbonell

Ser empresário no Brasil não é tarefa fácil. Uma série de entraves, tanto do ponto de vista trabalhista, como também tributário, sem contar os gargalos de infraestrutura, torna o dia a dia da condução dos negócios uma verdadeira corrida de obstáculos. Isso é extremamente grave quando mencionamos as empresas varejistas. Só de carga tributária, elas precisam alocar cerca de 27% do seu faturamento. Com a alta complexidade da legislação vigente, na qual são alteradas 46 normas todos os dias, a equipe contábil e financeira passa a ser um dos segmentos mais estratégicos para a sustentabilidade da companhia.

É nesse quesito que a tecnologia pode ser usada a favor. Embora os desafios do País sejam tremendos, há, por outro lado, um movimento de retomada de confiança que permite uma série de iniciativas dos empresários. Aqui estamos falando, sobretudo, de inovação. O ecossistema tecnológico disponível hoje permite que os empresários
deem passos iniciais em direção à inovação a custos baixos. Muito se discute sobre transformação digital, mas há ainda aqueles que não sabem bem o que isso significa na prática. Por trás desse conceito, que aparenta muitas vezes um processo complexo de implementação, está na verdade pequenos passos que o empresário pode adotar para aumentar a eficiência do seu negócio.

De acordo com uma pesquisa realizada no início deste ano pela Ancona Consultoria com 150 empresas de médio porte, que atuam em vários segmentos, apenas 32% deles acreditam que suas companhias são eficazes e eficientes. Ainda segundo o levantamento, 89% afirmam que será necessário investir em tecnologia. Isso demonstra que os gestores compreendem que não é mais possível conduzir os seus negócios sem buscar ferramentas inovadoras e tecnológicas.

E eficiência passa diretamente por uma boa gestão financeira. O uso de plataformas tecnológicas que automatizem processos e consigam oferecer ao gestor uma visão geral do seu negócio é fundamental, sobretudo na detecção de áreas críticas na operação. A otimização permite que a empresa consiga reduzir estoques de materiais ou mercadorias excedentes, diminuir os prazos de recebimentos de vendas, além de
realizar ações efetivas de cobrança e melhoria no crediário para reduzir os valores em atrasos com as vendas a prazo.

Outro ponto importante acontece na integração da operação com os parceiros de meios de pagamentos, como os bancos ou credenciadoras.
Efetuar a chamada conciliação bancária e de cartões é fundamental para evitar perdas financeiras. Ter a visibilidade com a gestão do recebível impacta diretamente sobre o controle financeiro como um todo.
Visualizar o fluxo de recebimentos futuros permite adequar e atender necessidades pontuais de caixa e ainda ter em mãos informações confiáveis parar auxiliar na tomada de decisão. E isso são algumas das principais ferramentas das quais todo administrador deve ter à sua disposição.

A computação em nuvem trouxe uma verdadeira revolução para aplicar modelos de gestão, uma vez que o baixo custo de implementação permite ao empresário alocar uma pequena parte da receita financeira da operação. A relação investimento/retorno (conhecido também como ROI) é considerável quando se observa a escala dos processos, tornando mais eficientes e consequentemente trazendo aumento da lucratividade de seus serviços.

*Henrique Carbonell é sócio-fundador da Finanças 360º, empresa especializada em sistema de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e médio varejo.www.financas360.com.br