Na atual conjuntura as microempresas têm alcançado significativo espaço na economia do Brasil mostrando sua importância, uma vez que estas geram emprego, renda e, consequentemente desenvolvimento socioeconômico para a população. Este segmento merece atenção e estudo no que tange a administração de suas finanças para que continuem fomentando o crescimento do país.

O assunto abordado se delimita a analisar como uma microempresária com pouquíssimos conhecimentos em gestão financeira desempenha seu papel. A problemática que será investigada no desenvolvimento do artigo intenta-se responder a seguinte indagação: Por que a microempresária em questão não dá a devida atenção à administração financeira do seu negócio e não conquista resultados satisfatórios?

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Ressaltando-se que esta pesquisa adveio de uma conversa informal com esta microempresária, onde relatou sua dificuldade em administrar as finanças de seu pequeno empreendimento. Como estudante da área e tendo a visão de um mercado promissor em consultoria financeira para microempresários, por esta razão decidiu-se por este tema. E também, com essa pesquisa outros microempresários do mesmo ramo ou não poderão compreender a importância que a administração financeira tem no desempenho do seu negócio.

Toma-se por objeto deste estudo demonstrar por intermédio da análise da administração financeira que é possível o microempresário fazer um planejamento financeiro adequado a sua realidade e traçar a melhor estratégia para manter seu negócio no mercado.


Desta forma, o presente artigo de caráter exploratório-descritivo se baseia no modo de como é administrada financeiramente a prestadora de serviços odontológicos e outras especialidades, Centro de Especialidades Integradas, considerando os aspectos econômicos do país. Para tal, faz-se uso do referencial teórico, pesquisa de campo (entrevista) com a modalidade Estudo de Caso, onde será utilizada a parte documental da microempresa pesquisada que proporciona uma melhor visão do contexto investigado e também dados abrangentes para a realização da análise do problema exposto.

1 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA EM MICROEMPRESAS

A administração financeira nada mais é que a “ciência da gestão do dinheiro”, como define Gitman (2004, p. 04). A função da administração financeira, segundo Gitman (2004, p. 04) é: “planejamento, concessão de crédito a clientes, avaliação de projetos de investimento e captação de fundos para financiar as operações da empresa”. Gitman (2004, p. 06-07) ainda especifica a importância da administração financeira:

Como a maioria das decisões numa empresa é avaliada em termos financeiros, esse profissional desempenha um papel essencial. Em todas as áreas de responsabilidade – contabilidade, sistemas de informação, administração, marketing, operações e assim por diante – as pessoas têm necessidade de conhecimentos básicos da função de administração financeira. Todos os administradores, independente das especificidades de suas tarefas, trabalham com pessoal financeiro quando precisam justificar necessidades de contratação de mão de obra, negociar orçamentos operacionais, lidar com avaliações de desempenho financeiro e vender propostas, pelo menos parcialmente, com base em seus méritos financeiros.

De acordo com Fonseca (2009), finanças vêm a ser o conjunto de princípios econômicos e financeiros que possam possibilitar em curto ou longo prazo a maximização do resultado apresentado através da administração dos recursos alocados numa determinada empresa.

A administração financeira para microempresas difere das médias e grandes empresas, uma vez que são usadas quantidades distintas de ferramentas para a tomada de decisão, além da movimentação monetária e números de colaboradores. Numa microempresa as finanças são geridas pelo dono do empreendimento, o qual não tem conhecimento sobre as técnicas a serem utilizadas para que possa administrar o seu negócio de maneira adequada. Já nas médias e grandes empresas são profissionais formados na área e com níveis de atualização do mercado, evidentemente com funções mais explicitas, por exemplo, uma Sociedade Anônima – S.A. que necessitam ter conhecimentos no mercado de capitais.

Há princípios específicos a serem seguidos pelas pequenas e médias empresas, como as NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE NBC TG 1000 – CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS e a LEI GERAL DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (Lei Complementar nº. 139/2011, sendo a última alteração feita da Lei Complementar nº. 123/2006).

De acordo com o Presidente do Conselho Federal de Contabilidade – CFC (2012), a NBC TG 1000 concebe ao Brasil a convergência das normas contábeis brasileiras ao padrão internacional promovido pelo International Accouting Standard Board (IASB), sendo de grande valia para a execução das demonstrações contábeis. Como dispõe no Diário Oficial da União de 05 de novembro de 2013 em seu capítulo 1, inciso c, foi criado o modelo contábil ITG 1000 para simplificar o trabalho para as microempresas: “com a edição, em 2012, da ITG 1000 – Modelo Contábil para Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, o CFC flexibilizou a adoção da NBC TG 1000 para as entidades definidas como microempresas e empresas de pequeno porte”.

A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas também foram estabelecidas para dar tratamento diferenciado e favorecido à microempresa e à empresa de pequeno porte.

Diante do cenário atual das microempresas, estas têm fundamental importância para o desenvolvimento do local em que está inserida através da geração de emprego e, claro para o país. Com base nisto, não se pode permitir que elas sejam más administradas financeiramente. Assim deixa de contribuir para si e para a sociedade. Segundo o Portal Administradores:

A falta de planejamento em relação aos aspectos financeiros é uma das principais razões para o fracasso de empresas no Brasil. De acordo com dados do Sebrae, mais de 70% das micro e pequenas empresas brasileiras fecham as portas nos primeiros cinco anos de vida (PORTAL ADMINISTRADORES, 2010).

Para que as microempresas não acabem na falência, há indicadores de desempenho, controles financeiros que são vitais como o Portal do Sebrae exemplifica:

O planejamento financeiro é estratégico porque estabelece como os objetivos podem ser alcançados. Existem diversas ferramentas que podem contribuir para o processo de gerenciamento de uma empresa. Duas delas são o controle financeiro e o orçamento.

Com isso, há demonstrações financeiras que permitem ao administrador seguir para um resultado proveitoso onde poderá tomar decisões embasadas e consequentemente desenvolver um trabalho objetivo e gerador de resultados, de forma a possibilitar crescimento qualitativo e quantitativo para os envolvidos.

2 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E RESPECTIVAS ANÁLISES

De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (2012, p. 23),

As demonstrações contábeis devem representar apropriadamente a posição patrimonial e financeira (balanço patrimonial), o desempenho (demonstração do resultado e demonstração do resultado abrangente) e os fluxos de caixa da entidade. A apresentação adequada exige a representação confiável dos efeitos das transações, outros eventos e condições de acordo com as definições e critérios de reconhecimento para ativos, passivos, receitas e despesas.

Gitman (2004, p. 10-11) afirma que para a contabilidade o desempenho financeiro é medido pela demonstração de resultado e na gestão financeira a demonstração que é levada em conta é o fluxo de caixa, onde a função dos administradores financeiros é evitar a escassez do negócio e colaborar para que este possa prosperar monetariamente, enfim, é com base nele que acontece a tomada de decisão.

Como instrumentos que também corroboram para análise e tomada de decisão existem os controles e os índices financeiros para que os gestores financeiros possam avaliar a saúde da empresa, honrar com seus compromissos com terceiros e direcionar seus investimentos de uma forma mais satisfatória e rentável.

Têm-se como controles financeiros: controle diário de caixa, controle bancário, controle diário de vendas, controle de contas a receber, contas a pagar, controle mensal de despesas, controle de estoques e fluxo de caixa, os quais servem para conceder informações relevantes e confiáveis para que o gestor possa tomar decisões.

No controle diário de caixa são inseridas as entradas e saídas de dinheiro no caixa, inclusive o cálculo do saldo existente no final do dia. Este fornece as seguintes informações, segundo o SEBRAE (2005): “controlar os valores depositados em bancos; fazer pagamentos em dinheiro, quando há recursos disponíveis evitando com isso, despesas com CPMF; controlar e analisar as despesas pagas; fornecer dados para elaboração do fluxo de caixa”.

No controle bancário de acordo com o SEBRAE (2005),

É o registro diário de toda a movimentação bancária e do controle de saldos existentes, ou seja, os depósitos e créditos na conta da empresa, bem como todos os pagamentos feitos por meios bancários e demais valores debitados em conta (tarifas bancárias, CPMF, juros sobre saldo devedor, contas de energia, água e telefone, entre as principais). O controle bancário tem duas finalidades: a primeira consiste em confrontar os registros da empresa e os lançamentos gerados pelo banco, além de apurar as diferenças nos registros se isso ocorrer; a segunda é gerar informações sobre os saldos bancários existentes, inclusive se são suficientes para pagar os compromissos do dia.

Já no controle diário de vendas é descobrir e ter o controle do valor de mercadorias ou prestação de serviços fornecidos diariamente e seu total no final de cada mês. Possibilita também saber se a meta estabelecida foi cumprida.

Com o controle de contas a receber pode-se apurar o montante de valor que entra em caixa proveniente dos clientes tanto à vista e a prazo. Com isso, dá-se uma ideia de quando e quanto entrará dinheiro em caixa, no caso de recebimento a prazo, para honrar seus compromissos com terceiros.

No entanto, no controle de contas a pagar mostra-se “prioridades de pagamento em caso de dificuldades financeiras; controla o montante dos compromissos já vencidos e não pagos, em casos de dificuldades financeiras e fornece informações para elaboração de fluxo de caixa”. (SEBRAE, 2005).

A finalidade do controle mensal de despesas é ter o conhecimento de quanto está sendo gasto e em quê. Daí, caso haja necessidade de diminuir despesas é nesse controle que o empreendedor poderá fazê-lo.

O controle de estoques serve para registrar o valor de custo de cada mercadoria, controlar a quantidade vendida, prevenir a falta de mercadoria, o valor total de mercadorias estocadas, dentre outras funções.

E para finalizar os controles financeiros, é indispensável a elaboração do fluxo de caixa. Gitman (2004, p. 84) define “fluxo de caixa, o sangue da empresa, é o tema da preocupação básica do administrador financeiro, tanto na gestão das finanças no dia-a-dia quanto no planejamento e na tomada de decisões estratégicas”.

Os índices financeiros segundo Flávia Saad (2012), advém das demonstrações financeiras que possibilitam medir a eficiência operacional da empresa. Estes índices são agrupados da seguinte maneira:

a) Índices de Rentabilidade ou lucratividade: indicador que visa avaliar se os resultados da empresa são ou não condizentes com o patrimônio líquido, ativo total e receita de vendas. Seu objetivo é mensurar o retorno em curto prazo. Pode ser calculado sobre o retorno dos ativos ou retorno sobre o patrimônio líquido. O primeiro é calculado através da divisão do lucro após impostos pelo total de ativos. E o retorno sobre o patrimônio líquido dá-se pela divisão do lucro após impostos pelo capital total.

b) Índices de alavancagem ou endividamento geral: é o índice que mede o quanto a empresa tem tomado recursos de capital de terceiros. É importante salientar que quando a empresa apresenta dívidas a serem pagas em longo prazo é melhor, pois há tempo hábil para arrecadar recursos para pagamento da dívida. Calcula-se a partir da seguinte fórmula = Total do Passivo : Total do Ativo.

c) Índices de liquidez ou solvência: sua finalidade é avaliar a capacidade que a empresa tem em honrar suas obrigações, efetuar o pagamento de suas dívidas. Têm-se duas medidas básicas, tais como a liquidez corrente, a liquidez seca. O índice de liquidez corrente segundo Gitman (2004, p. 46) “mede a capacidade da empresa de saldar suas obrigações de curto prazo”. Para descobrir esse índice basta dividir o Ativo Circulante pelo Passivo Circulante. Já o índice de liquidez seca como cita Gitman (2004, p. 46) “é semelhante ao índice de liquidez corrente, exceto pelo fato de que exclui os estoques, geralmente os ativos circulantes menos líquidos de todos”. Dá-se através da diferença entre Ativo Circulante e Estoques divididos pelo Passivo Circulante.

d) Índices de atividade ou giro: demonstram como a empresa está conseguindo transformar seus ativos em receitas (vendas), ou seja, mostra o ciclo operacional. São calculados por intermédio do giro do ativo total, giro dos estoques, prazo médio de recebimento e prazo médio de pagamento. O giro do ativo total divide-se as vendas pelo ativo total. De acordo com Gitman (2004, p. 49): “Em geral, quanto mais alto o giro do ativo total de uma empresa, mais eficientemente seus ativos estão sendo usados. Essa medida interessa principalmente à administração da própria empresa porque indica se suas operações têm sido eficientes ou não.” No giro de estoques para descobrir sua liquidez calcula-se o custo dos produtos vendidos e divide-o pelo estoque. Para descobrir o prazo médio de recebimento e analisar as políticas de crédito e cobrança dividem-se contas a receber pelas vendas diárias médias. Já para o prazo médio de pagamento dividem-se contas a pagar pelas compras diárias médias.

A partir desses controles financeiros, cálculos e análise dos índices é que o microempreendedor poderá ter conhecimento da situação financeira de seu negócio. A obtenção e organização das informações precisas para estas análises são importantes e cruciais para manter a empresa no mercado.

3 LEVANTAMENTO EMPÍRICO / DADOS DA PESQUISA

Para conhecer como a microempresa Centro de Especialidade Integradas gerencia sua administração financeira, foi desenvolvida e aplicada entrevista com a cirurgiã dentista, ortodontista e microempresa, Dra. Ellen Motta, proprietária deste empreendimento desde 1995.

Assim, serão apresentados os dados coletados, referentes às informações obtidas com a entrevista realizada, de forma a analisar e interpretar tais informações, tendo como base o referencial teórico apresentado, o qual norteou o desenvolvimento deste estudo.

Além da prestação de serviços odontológicos feitos por ela e mais um odontologista, têm outras especialidades como ginecologia, clínica geral e medicina do trabalho. A microempresária aluga sala (consultório) equipada para estes profissionais e conta apenas com uma funcionária que é a secretária que auxilia nas cirurgias dentárias, limpeza e esterilização dos instrumentos, responsável pelo agendamento e recebimentos das consultas, pagamento dos boletos no banco, pedido de materiais ao fornecedor depois que a empreendedora faz a lista dos materiais necessários e diz qual fornecedor contatar.

A microempresa conta com a prestação de serviço do escritório de contabilidade que auxilia apenas na impressão dos boletos e guias de impostos a pagar e com a parte referente ao contrato de trabalho acordado entre a secretária e a microempresa, cuidando do contracheque, cálculo de férias, décimo terceiro, recolhimento do INSS e anotações na carteira.

Por intermédio de entrevista feita à empreendedora, pode-se perceber que a mesma não tem conhecimentos técnicos para melhor administrar o seu negócio, pela falta de tempo hábil para dar atenção a esse setor de fundamental importância, falta de organização e dados que a empresa apresentara no momento da pesquisa não haveria possibilidade de analisar a saúde financeira da mesma.

Para que um gestor financeiro possa analisar a situação financeira de uma empresa ele precisa elaborar demonstrações financeiras e analisá-las, fazendo o balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício – DRE e o fluxo de caixa. Porém, a microempresa pesquisada tem como dados apenas as suas entradas e saídas diárias de cada ano, dificultando a elaboração do balanço e DRE para possibilitar uma análise mais detalhada para uma tomada de decisão eficaz. Ela mantém apenas o controle financeiro em livros de caixa, onde são anotados os recebimentos dos clientes, as contas pagas e pequenas saídas de caixa como despesas com lanches, galão d’água, materiais de limpeza.

Notou-se também que não constam arquivadas notas fiscais de compra de materiais permanentes adquiridos no começo de seu empreendimento para ter uma base de seu patrimônio.

A empreendedora apresenta apenas uma noção de administração que aprendeu durante a graduação em odontologia, no entanto, conhecimento específico sobre os métodos a serem aplicados para interpretar as atividades financeiras, não. Com isso, não faz uso de controle financeiro adequado, ferramentas gerenciais como índices financeiros e, o que prejudica ainda mais seu negócio, há não existência de um controle efetivo dos gastos e recebimentos, uma vez que mistura conta pessoal com as contas do negócio. Não apresenta capital de giro, falta de informações precisas para investir capital e ainda, não tem conhecimento do lucro real do negócio.

Por não ter um controle de contas a receber, por exemplo, a impossibilita de fazer um planejamento adequado e se preparar para pagar as despesas (contas) em dia. E falta de capital de giro dificulta a normalização das contas a pagar e gastos inesperados. À medida que vai recebendo dinheiro de seus clientes ela vai pagando as contas tanto do empreendimento quanto as contas pessoais.

Apresenta apenas uma pasta a qual separa por data as contas a serem pagas, assim em cada data de vencimento ela guarda os boletos.

O único controle financeiro apresentado é o controle diário de caixa e o controle bancário, todavia feitos de maneira ineficaz, pois não são feitos em planilhas eletrônicas onde pode extrair informações necessárias, pois ficariam mais “visíveis” e evitariam erros. O controle de estoques é feito à medida que vai acabando os materiais a serem usados nos procedimentos dentários, daí faz-se o pedido ao fornecedor.

Outro dado coletado na entrevista foi a falta de planejamento financeiro haja vista que nem poderia ser feito, já que não há coleta e nem tratamentos dos dados financeiros.

Pode-se perceber que a empreendedora consegue com muito custo, esforço manter seu negócio até hoje, porém tem o objetivo de aumentar sua estrutura mudando de local, organizar toda parte financeira para assim galgar mais espaço no mercado de serviços para saúde da população.

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

O modo como é administrado a microempresa pesquisada de certa forma não está errado, pois a mesma ainda continua no mercado, porém não se sabe até quando sobreviverá. O fato dela está em atuação pode ser que seja por apresentar um bom número de clientes e com os valores cobrados consegue suprir as contas, embora ocorra em alguns meses atrasos nos pagamentos incidindo em juros e/ou pode ter apresentado menos despesas. Contudo, esse caso merece um estudo mais detalhado para descobrir a razão dela está na ativa.

Mesmo que esteja atuante, existem problemas rotineiros como toda empresa tem e, grande parte deles é financeira e podem ser evitados. A carência de conhecimento de como funcionam os bancos, da dinâmica do capital de giro, das informações que podem ser extraídas dos controles, índices financeiros e demonstrações financeiras ocasionam consequências negativas. Consequências estas que devido à má administração financeira do estabelecimento em longo prazo leva-se a falência do negócio. Esse é o grande erro cometido por ela. É preciso saber organizar, calcular os indicadores de desempenho, explorá-los, entender o momento em que poderá investir ou quando o melhor a fazer é esperar. Mediante a isto, é necessário, primeiramente, que a microempresária faça investimento na aprendizagem da gestão financeira ou contrate um gestor ou consultor financeiro.

Diante disto, a obtenção de informações com a coleta de dados precisos para análise dos indicadores é fundamental para a permanência de um empreendimento. “Em um mercado cada dia mais competitivo, organizações e instituições públicas e privadas só irão sobreviver se tiverem habilidade de processar dados para transformá-los em informações que poderá gerar conhecimentos para tomada de decisão”. (Revista CRA nº 101, p. 39).

Seria de bom tom que a empreendedora faça um plano de ação visando solucionar os problemas empresariais apresentados. Soluções, como por exemplo, elaborar um planejamento financeiro e com base nele criar uma estratégia, só assim poderá alcançar seus objetivos, manter-se no mercado, expandir sua estrutura física e, principalmente, aumentar o lucro e o retorno mensal (pró-labore).

Necessita também, buscar quais as ferramentas que melhor a auxiliaria na solução dos problemas; controlar, avaliar, corrigir todos os dados pertencentes à parte financeira; vincular esses sistemas de medição à estratégia organizacional da microempresa e utilizá-los para tomada de decisões mais precisas.

Administrar é, em última análise, decidir. Todo administrador financeiro deve ser um especialista em tomar decisões acertadas. A continuidade (sobrevivência) de uma empresa é diretamente dependente da qualidade das decisões tomadas por seus administradores. Daí a importância de se combater o amadorismo na gestão financeira, contratando administradores financeiros profissionais, atualizados e especializados para melhorar a qualidade das decisões financeiras e garantir a continuidade da organização e geração de riqueza aos acionistas. (WILKER, 2013).

De acordo com o estudo Sobrevivência das Empresas no Brasil, proveniente do Sebrae (2013), “no setor de serviços, a taxa de sobrevivência apresentou ligeira queda de 72,8% nas nascidas em2005 para 72,2% nas nascidas em 2007. Uma possível explicação pode ter sido o crescimento da concorrência neste setor, ou ainda uma certa tendência à estabilidade da taxa de sobrevivência neste setor.” São vários fatores que influenciam na sobrevivência de uma microempresa, tanto os fatores internos como externos. Os fatores internos são os já alguns citados neste estudo e os externos são os concorrentes, fatores relacionados com a economia do país, poder de compra dos consumidores, inflação, o andamento do setor de serviços associados na esfera municipal, estadual e federal, dentre outros.

Enfim, mesmo que esteja administrando um pequeno ou grande negócio a atenção e entendimento no que acontece dentro e fora dele é essencial para sua sobrevivência. O relatório executivo Global Entrepreneurship Monitor – GEM (2012), divulgado pelo SEBRAE explicita os principais fatores limitantes e favoráveis para empreender no Brasil. Os fatores favoráveis citados foram: Clima econômico, Normas Culturais e Sociais, Infraestrutura Comercial e Profissional. Sendo que na região Sudeste o Clima econômico foi o de maior proporção em relação aos outros fatores listados na entrevista com os especialistas, levando a porcentagem de 66,7. Dentre os fatores limitantes o de maior proporção foram as Políticas Governamentais citadas por 80,0% dos entrevistados. Apoio Financeiro por 48,4% e Educação e Capacitação por 33,3%.

Essa pesquisa do GEM remete ao que foi exposto neste estudo onde mostra que a educação e capacitação é um fator relevante para empreender-se no Brasil e maior ainda as políticas governamentais. Atualmente ainda é bem difícil empreender no país, algo já vem mudando nesse âmbito, pois foi criado o simples nacional que sintetiza os pagamentos de impostos para micro e pequenas empresas, porém uma reforma tributária na verdade que mudariam esse cenário.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para que se pudesse conhecer como é administrada financeiramente a microempresa Centro de Especialidades Integradas, buscou-se criar um referencial teórico que norteasse as ações realizadas. Em seguida, as informações coletadas por intermédio de pesquisa documental foram de extrema importância para o levantamento da percepção da microempresária em relação a finanças. Estas pesquisas colaboraram para o alcance dos objetivos propostos neste estudo, e, sobretudo, em possibilitar a resposta para a situação problema: entender o porquê a microempresária em questão não dá a devida atenção à administração financeira do seu negócio e não conquista resultados satisfatórios.

Desta forma, tendo-se por base o problema investigado e analisando os resultados obtidos após a aplicação das pesquisas, foi possível entender as dificuldades em administrar financeiramente o empreendimento. Isso se deve ao fato da não incidência de atenção na administração financeira pela microempresária por causa da desmotivação por falta de conhecimento técnico; falta de tempo; falta de um sistema de controle eficaz; tecnologia limitada.

Após esta pesquisa ficou evidente a ineficiência na administração financeira deste empreendimento. Ficou explicito que está funcionando apenas para pagar contas tanto pessoais como jurídicas estando sua gerencia focada no curto prazo. Medidas radicais devem ser tomadas o quanto antes para que não entre em falência.

Por fim, deve-se ressaltar que este artigo não deve terminar por aqui, visto que após este estudo surgiu novas indagações a cerca da sobrevivência desta microempresa até os dias de hoje, uma vez que esta não apresentara preparo para coordenar suas atividades financeiras adequadamente. Assim estudiosos do tema e interessados podem aprofundar-se sobre este fenômeno.

REFERÊNCIAS

BRASIL. NBC CTA CFC Nº 1.000, de 30 de agosto de 2013. Dispõe sobre a adoção plena da NBC TG 1000. Disponível em: . Acesso em: 16 dez. 2013.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas: Normas Brasileiras de Contabilidade: NBC TG 1000. 2. Ed. Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, 2012. 228p.

FONSECA, José Wladimir Freitas da. Administração Financeira e Orçamentária. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2009. 328 p.

GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 10. Ed. São Paulo: Person, 2004. 745 p.

REDAÇÃO DO PORTAL ADMINISTRADORES. Falta de planejamento financeiro é um dos principais problemas do empreendedor brasileiro: veja os principais erros empreendedores cometem ao gerenciar uma empresa. Administradores. Disponível em: . Acesso em: 16 jan. 2014.

REVISTA DO CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO DE JANEIRO. Rio de Janeiro: Administração, Mar. Abr./2013. n. 101, Bimestral.

SAAD, Flávia. Tipos de índices financeiros. Manutenção & Suprimentos. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2014.

SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. É uma entidade privada sem fins lucrativos. É um agente de capacitação e de promoção do desenvolvimento, criado para dar apoio aos pequenos negócios de todo o país. Disponível em: . Acesso em: 10 dez. 2013.

SEBRAE. Taxa de Sobrevivência das Empresas no Brasil. Disponível: . Acesso em: 15 jan.2014.

SEBRAE. Global Entrepreneurship Monitor – GEM. Disponível em: . Acesso em: 15 jan.2014.

SEBRAE. Como Elaborar Controles Financeiros. Disponível em: < https://www.sebrae.com.br/uf/ceara/acesse/Download/faca-voce-mesmo/PlanoFinanceiro.pdf>. Acesso em: 24 jan.2014.

WILKER, Bráulio. Objetivos da Administração Financeira. Portal administradores. Disponível em: Acesso em: 24 jan.2014.
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ANÁLISE DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DA MICROEMPRESA CENTRO DE ESPECIALIDADES INTEGRADAS[1]

Lorena Mello Espíndola[2]

Leandro Tortosa Sequeira[3]
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[1] Trabalho apresentado à disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso do curso de Pós-Graduação em Gestão Financeira – Contabilidade Empresarial da Universidade Católica Dom Bosco como requisito para aprovação na mesma.

[2] Aluna do curso de Pós-Graduação em Gestão Financeira – Contabilidade Empresarial da Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande/MS. E-mail: [email protected]

[3] Professor e Orientador da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso do curso de Pós-Graduação em Gestão Financeira – Contabilidade Empresarial da Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande/MS. E-mail: [email protected]

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