O trabalho cotidiano do departamento financeiro de uma empresa não é algo simples. Fazer a Análise das Demonstrações Contábeis, então, não é brincadeira. Para chegar a um diagnóstico completo e que realmente demonstre a situação da corporação, é essencial conhecer o passo a passo por trás desse processo.

É a partir da Análise das Demonstrações Contábeis que dados se tornam informação e podem ser usados para embasar decisões de negócio muito importantes. A seguir, você vai entender melhor quais são os objetivos dessa tarefa e também vai conhecer um passo a passo de como fazer a Análise das Demonstrações Contábeis.

Quais são os objetivos da Análise das Demonstrações Financeiras?

administração financeira e a contabilidade são dois dos pilares para que um negócio se mantenha saudável. E a Análise das Demonstrações Contábeis, também chamada de Análise das Demonstrações Financeiras, tem como principal objetivo dar um diagnóstico da real situação patrimonial, econômica e financeira da empresa analisada. Ou seja, ela demonstra como anda a saúde da companhia analisada.

Para fazer a Análise das Demonstrações Financeiras são utilizados relatórios gerados pela Contabilidade e outras informações que sejam consideradas necessárias para a análise. Isso porque alguns aspectos podem não ficar claros apenas com os relatórios da Contabilidade e se faz necessário que seja feito um estudo mais aprofundado.

Além disso, para compreender bem o cenário, tanto da organização quanto do mercado, é importante que haja mesmo a inclusão de outros estudos além das demonstrações contábeis e financeiras. Índices relativos dos exercícios anteriores e comparações com concorrentes de mesmo porte ou mesmo ramo, por exemplo, são adições comuns e recomendadas.

Ao final, o produto apresentado é um relatório que reúne a análise da estrutura, composição do patrimônio, um conjunto de índices e indicadores financeiros e a conclusão do analista.

1. Quais as demonstrações financeiras que devem ser analisadas?

O primeiro passo para fazer a Análise das Demonstrações Contábeis é a coleta de dados. Nesse início, você deve reunir os seguintes documentos:

  1. Três últimas demonstrações contábeis da instituição analisada:
    1. Balanço Patrimonial (BP);
    2. Notas Explicativas ao Balanço Patrimonial;
    3. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
    4. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL);
    5. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
    6. Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC);
    7. Demonstração do Valor Adicionado (DVA);
  2. Relatórios de Administração;
  3. Pareceres de Auditoria e do Conselho Fiscal;
  4. Balanço Social;
  5. Atas das assembleias e comunicados de fatos relevantes.

2. Conferência dos dados coletados

O segundo passo da Análise das Demonstrações Contábeis é conferir os dados que foram coletados na etapa anterior. Para isso, verifique a estruturação e a adequação com a legislação vigente. As bases para essa conferência devem ser:

  • Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC);
  • Lei nº 6.406-76 ou Lei das Sociedades por Ações;
  • Regulamento do Imposto de Renda;
  • Normas expedidas pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Imobiliários;
  • Princípios Fundamentais de Contabilidade.

Nessa etapa, verifique também se as demonstrações analisadas

  • Foram auditadas;
  • Convergem para o padrão internacional do International Accounting Standards Board (IASB);
  • Cumprem requisitos mínimos de qualidade da informação;
  • Têm observações do Conselho Fiscal;
  • E se houve a ocorrência de fatos relevantes.

3. Preparação dos dados e reclassificação de contas

Depois de coletar os dados e conferi-los, a terceira parte do processo de Análise das Demonstrações Contábeis é a preparação dos dados. Primeiramente, após ter observado se as informações coletadas estavam padronizadas e obedeciam às regras, você precisará ajustar e reclassificar tudo o que não estava dentro do esperado.

Nesta etapa, você precisará também fazer o ajuste do efeito da variação monetária. E, por fim, é necessário também reclassificar as algumas contas do BP entre Recursos e Origens. Dentre elas:

  • Duplicatas Descontadas: deve ser reclassificada como Passivo Circulante;
  • Despesas de Exercício Seguinte (AC) e Despesas de Exercícios Futuros (ANC): devem ser reclassificadas como Patrimônio Líquido;
  • Diferido: deve ser reclassificado como Patrimônio Líquido;
  • Resultado de Exercícios Futuros: deve ser reclassificado como Passivo Circulante ou Passivo Não Circulante no caso de haver possibilidade de devolução e como Patrimônio Líquido quando não houver essa possibilidade.

4. Processamento dos dados

Com as informações coletadas, conferidas e reclassificadas, tem início a análise em si. Durante esta etapa, os dados serão processados e serão realizados os cálculos dos indicadores e, a partir disso, será possível extrair os índices das demonstrações contábeis ajustadas.

Algumas das principais técnicas de análise econômica-financeira que você pode utilizar ao fazer a sua Análise das Demonstrações Contábeis são:

  • Análise Vertical;
  • Análise Horizontal;
  • Análise por Quocientes;
  • Análise da Taxa de Retorno sobre Investimentos;
  • Análise de Estrutura de Capital;
  • Análise dos Indicadores de Atividade;
  • Análise Dupont;
  • Análise pelo Modelo Dinâmico de Fleuriet;
  • Análise da Liquidez;
  • Análise do Endividamento e Estrutura;
  • Análise de Rentabilidade e Lucratividade;
  • Análise das Atividades Operacionais.

E a etapa de processamento dos dados pode ser dividida em:

  • Análise Contábil: quando é feita a análise de relatórios e demonstrações contábeis para colher informações relevantes. É subdividida entre análise de estrutura, de evolução, por quocientes e por diferenças absolutas;
  • Análise Financeira: feita através de indicadores para análise global a curto, médio e longo prazo da velocidade do giro dos recursos;
  • Análise da Alavancagem Financeira: mede o grau de utilização do capital de terceiros e os efeitos disso na formação da taxa de retorno do capital próprio;
  • Análise Econômica: mede a lucratividade, rentabilidade do capital próprio, lucro líquido por ação e retorno de investimentos operacionais.

5. Interpretação dos indicadores

Após realizar a análise dos dados e apuração dos indicadores, o próximo passo é interpretar o comportamento deles no período analisado. O objetivo desta etapa é entender o comportamento dos indicadores patrimoniais, financeiros e econômicos durante o período analisado, identificando tendências e demais embasamentos para o diagnóstico da corporação.

6. Diagnóstico da Análise das Demonstrações Contábeis

O último passo da Análise das Demonstrações Contábeis é o diagnóstico. Nesse momento, o analista responde a questionamentos e apresenta sua conclusão. Algumas das questões que ele deve responder são:

  • A situação financeira da empresa é normal ou anormal?
  • A situação econômica da empresa é normal ou anormal?
  • Quais são os pontos fortes e fracos econômicos e financeiros dessa empresa?
  • Há a possibilidade de insolvência dessa empresa?

Além disso, o analista deve também relacionar os resultados entre si. Ele pode também compará-los com os indicadores de desempenho de outras empresas do mesmo setor ou com índices-padrão. Esses processos podem levar a inferências e insights relevantes para o relatório final.

O diagnóstico da Análise das Demonstrações Contábeis auxilia na tomada de decisões importantes, como:

  • Investir na empresa;
  • Avaliar a capacidade de solvência da empresa;
  • Avaliar o risco de conceder crédito à empresa;
  • Detectar pontos fortes e fracos da empresa e de seus concorrentes;
  • Comparar o desempenho da empresa analisada com o de concorrentes.

Como otimizar a Análise das Demonstrações Contábeis

Como você pôde perceber, fazer a Análise das Demonstrações Contábeis é um processo longo e complexo. Porém, existem maneiras de otimizar o tempo gasto nessa tarefa e a nossa dica é integrar suas ferramentas de controle financeiro e contábil com outras ferramentas.

Nós sabemos que quem trabalha com contabilidade de empresas usa uma grande variedade de ferramentas baseadas na internet. Por isso, integrá-las pode ser uma ótima ideia, pois pelo menos alguns processos poderão passar a ser automatizados e isso ajuda deixar tudo mais organizado e libera o humano por trás da máquina para se dedicar ao trabalho de análise.



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