AVC: Cerca de 2 terços dos pacientes não vivem mais de 10 anos depois

Em 2022, problema já vitimou mais de 42 mil pessoas; Rede Brasil AVC frisa prevenção

Estudo publicado recentemente na revista científica Stroke mostrou que quase dois terços dos pacientes que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico – tipo mais comum e que corresponde entre 80% e 85% dos casos – não sobrevivem mais de uma década após o episódio. De acordo com a análise dos pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, o diagnóstico reduz em cerca de cinco anos e meio a expectativa de vida da pessoa.

Existem dois tipos de AVC: o isquêmico, que ocorre quando falta sangue em alguma área do cérebro; e o hemorrágico, quando um vaso (do tipo artéria, raramente uma veia) rompe.

De acordo com dados do Portal de Transparência dos Cartórios de Registro Civil do Brasil, de 1º de janeiro a 25 de maio, 42.079 pessoas morreram vítimas do problema.

A pesquisa internacional monitorou mais de 300 mil adultos que sofreram um primeiro AVC entre 2008 e 2017 na Austrália e na Nova Zelândia, em hospitais públicos e particulares. Nesse monitoramento, constatou-se que somente cerca de 36,4%, quase um terço, sobrevive mais de uma década após o evento. Já 47,2%, não chegaram a viver cinco anos depois do diagnóstico.  A incidência de óbitos foi maior em mulheres e pessoas acima dos 85 anos.

Outro ponto constatado pelo estudo foi de que a incidência de AVCs recorrentes foi de 7,8% nos três meses subsequentes, 19,8% nos cinco anos após o primeiro e 26,8% na década posterior. Fatores de risco como arritmia cardíaca, diabetes e doença vascular aterosclerótica coronariana e não coronariana também foram associados ao aumento na mortalidade e nas chances de uma segunda ocorrência de AVC.

Prevenção

 A presidente da Rede Brasil AVC e presidente-eleita da World Stroke Organization (Organização Mundial de AVC), Dra. Sheila Cristina Ouriques Martins, frisa que a prevenção ao AVC deve ser amplamente estimulada e trabalhada pelo sistema de saúde, uma vez que ele pode ser evitado em até 90% dos casos, quando controlada boa parte dos fatores de risco.  “É necessário que a população seja fortemente conscientizada sobre o AVC, pois, mesmo que a pessoa sobreviva, na maior parte dos casos, as sequelas são irreversíveis. A cada minuto em que o AVC isquêmico não é tratado, a pessoa perde 1,9 milhão de neurônios”, explica a especialista.

Mudanças no estilo de vida, com a inclusão de hábitos saudáveis na rotina – como alimentação balanceada, controle de peso e prática de atividades física – são essenciais para prevenir o AVC e outras doenças, salienta Dra. Sheila. “Também é necessário que os profissionais da saúde reforcem as estratégias nesse sentido junto aos pacientes. É importante que cada vez mais a população seja orientada sobre os principais fatores de risco das principais doenças crônicas, como elas podem ser evitadas e quando buscar atendimento médico”, fala.

A Rede Brasil AVC faz atuação intensa na capacitação dos profissionais de saúde para o adequado gerenciamento e monitoramento de todos os pacientes pelas equipes da Estratégia de Saúde da Família. “A prevenção é o melhor remédio para todas as doenças, mas no caso do AVC é ainda mais. Por isso, a intervenção precoce na Atenção Primária à Saúde é tão importante e os profissionais devem estar preparados para integrar essa rede de prevenção e ser capaz de educar e motivar os pacientes e seus familiares”, conclui.

A Rede Brasil AVC é uma organização não governamental criada em 2008 com a finalidade de melhorar a assistência multidisciplinar ao paciente com AVC em todo o país.

World Stroke Organization (Organização Mundial do AVC) é o único órgão global voltado exclusivamente para o AVC.

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