Do ponto de vista financeiro, sim. Do ponto de vista da cibersegurança, nem tanto.

Recentemente, clientes de um banco digital reclamaram do “sumiço” do dinheiro, criando dúvidas sobre a segurança dos bancos digitais.

Segundo o professor da FECAP e especialista em Administração Financeira e Finanças Pessoais, Márcio Wu, essas instituições são, sim, tão seguras quanto às tradicionais.

A pandemia da Covid-19 acelerou a migração de boa parte dos negócios para o mundo digital e isso não é diferente para os bancos.

Muitas instituições financeiras tradicionais estão, inclusive, fortalecendo o braço digital pra fazer frente aos bancos exclusivamente digitais, que vêm crescendo e avançando muito rapidamente.

“No final das contas, o maior beneficiário com certeza somos nós, os clientes. O Brasil tem um sistema financeiro muito concentrado na mão de poucos bancos e toda a concorrência trazida pelos bancos com certeza vai acabar resultando em serviços melhores e, espero eu, com custos menores para todos”, acredita.

SEGURANÇA DE DADOS

Na opinião do especialista, os bancos digitais são seguros porque sofrem a mesma supervisão do Banco Central, semelhante aos bancos tradicionais.

“O maior risco, do meu ponto de vista, é a questão da cibersegurança, ou seja, a proteção da informação, a proteção dos dados do cliente. Mas mesmo nesse quesito, as instituições têm trabalhado pesadamente para minimizar os riscos”, diz.

E é extremamente importante que o banco digital tenha segurança com os dados do cliente. “Como as instituições financeiras trabalham basicamente com confiança, é imprescindível ter a confiança do público.

À medida que existe uma fragilidade no acesso dos dados dos correntistas, isso só acaba aumentando a desconfiança do público”, opina.

BANCOS DIGITAIS TÊM MAIS CHANCE DE QUEBRAR?

Para essa questão, a resposta do professor é: sim. “Instituições menores não contam com toda a solidez financeira do capital que grandes bancos contam. Além da solidez financeira, tem a confiança dos correntistas.

Isso se reflete na remuneração de alguns títulos, no CDB (Certificado de Depósito Bancário), por exemplo, que esses bancos digitais emitem.

A remuneração dos CDB’s dos bancos digitais geralmente oferecem retornos maiores do que aqueles dos cincos maiores bancos do Brasil, essa diferença na remuneração está intimamente relacionada com a questão do risco da instituição”, explica.

E se o banco digital quebrar ou for liquidado pelo Banco Central? Segundo o professor, neste caso, depósitos à vista, depósitos na poupança ou mesmo aquelas aplicações em CDB ou RDB (Recibos de Depósito Bancário) estarão garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), até um limite de R$ 250 mil.

“O FGC vai servir como um seguro para minimizar as possíveis perdas financeiras dos correntistas.

O único ponto que talvez seja importante colocar é que o FGC não protege todos os instrumentos financeiros, como títulos públicos, ou por exemplo uma letra financeira emitida por um banco”, finaliza.

Por Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) é referência nacional em educação na área de negócios desde 1902.