O Bradesco em plena onda de pandemia, conseguiu superar o Itaú Unibanco no primeiro semestre de 2020. Todo mundo sabe que o Bradesco trava uma verdadeira concorrência com o Itaú Unibanco. De acordo com levantamento realizado pela empresa de dados financeiros e tecnologia Economatica, o Bradesco fechou o semestre com lucro líquido de US$ 1,257 bilhão (R$ 6,888 bilhões), enquanto o Itaú Unibanco, o segundo colocado, teve um ganho de US$ 1,246 bilhão (R$ 6,825 bilhões).

O lucro contábil é o que consta nas demonstrações financeiras encaminhadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que comanda o mercado de capitais do País, e difere do chamado lucro recorrente, preferido por muitos analistas e empresas por expurgar fatores ocasionais que influenciam os resultados.

Segundo André Cano, vice-presidente do Bradesco para as áreas de finanças e riscos, quatro fatores principais explicam o resultado do banco, que, mesmo no topo do pódio, registrou uma queda de cerca de 40% no lucro líquido nos primeiros seis meses do ano em relação a igual período de 2019.

André destaca a redução nominal (sem incluir a inflação) de 3% nas despesas, o aumento de 9,2% na margem das operações de tesouraria e com clientes e o crescimento de 14,9% na carteira de crédito em relação ao primeiro semestre de 2019.

E também o aumento do número de correntistas em 2,1 milhões, para 31,3 milhões, graças à conquista da folha de pagamento de grandes empresas, ao crescimento do Bradesco Expresso, que atua com correspondentes bancários, e à abertura de novas contas pelo Next, o banco 100% digital do Bradesco.

“É natural que o lucro absoluto do setor financeiro seja maior que o de outros setores. O negócio bancário é muito intensivo em capital”, diz. “A rentabilidade dos bancos sofreu forte redução no primeiro semestre, com a queda do retorno ao acionista quase pela metade em comparação com o mesmo período de 2019. Em relação ao patrimônio líquido, a lucratividade foi semelhante à de outros setores e alguns tiveram resultados até superiores aos do setor financeiro.”

Mesmo tendo perdido a liderança para o Bradesco, o lucro liquido do Itaú Unibanco teve lucratividade maior que a do Bradesco. O lucro líquido do Itaú representou 5,4% do patrimônio líquido ante 5,1% do Bradesco. Isso foi possível, mesmo com um lucro menor, porque o patrimônio do Itaú tem sido inferior ao do rival desde o primeiro trimestre de 2019.

Entretanto, neste quesito, a BB Seguridade, do Banco do Brasil, teve o melhor desempenho entre as 20 empresas latino-americanas com os maiores lucros, das quais 12 são brasileiras, com rentabilidade de 34,4%. Entre os bancos, o mais rentável foi o Santander Brasil, com lucratividade de 7,79%.

Doação

Segundo Renato Lulia, responsável pela área de relações com investidores do Itaú Unibanco, o lucro líquido caiu no primeiro semestre principalmente em razão do lançamento de quase 100% da doação de R$ 1 bilhão ao programa Todos pela Saúde no segundo trimestre.

“O que os investidores olham é o resultado recorrente”, afirma. “No resultado recorrente, nós tivemos um desempenho superior ao lucro contábil, que foi o maior dos bancos brasileiros no trimestre.”

Lulia diz que o fato de o Itaú Unibanco ter um patrimônio menor que o do Bradesco se deve a uma decisão gerencial de “fazer mais com menos” e reservar uma parte maior do capital para distribuição de dividendos, sem comprometer os índices de capitalização.

“A nossa capitalização ainda é supertranquila. Estamos mais de quatro pontos além do mínimo regulatório”, afirma. “O que houve foi fruto de uma decisão estratégica de devolver ao acionista o capital excedente e não carregar mais capital do que a gente precisa.”

Com informações do Portal UOL