Brasileiros tem direito a R$ 50 bilhões esquecidos em bancos, FGTS e PIS

São R$ 50,4 bilhões que os trabalhadores podem sacar do PIS/Pasep, FGTS e dinheiro esquecido em bancos

Milhares de brasileiros possuem direito a valores esquecidos que vão desde saldo esquecidos em bancos, cotas do PIS/Pasep e até mesmo valores referentes ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

O montante total passa dos R$ 50,4 bilhões e já pode ser resgatado pelos trabalhadores para investirem em algum sonho ou ainda para pagarem as contas e colocar comida na mesa.

De acordo com a técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Diesse), todo esse valor representa 22% dos R$ 227 bilhões, originários dos rendimentos do trabalho de um mês em todo o país, segundo dados de novembro do IBGE de 2021.

Total dos valores a receber

Os brasileiros possuem três fontes de saldo acumulados que podem ser resgatados, sendo eles as cotas do fundo PIS/Pasep, o FGTS e o dinheiro esquecido em bancos. No total temos:

  • R$ 23,5 bilhões nas cotas do Fundo PIS/Pasep
  • R$ 18,9 bilhões do FGTS
  • R$ 8 bilhões esquecidos em bancos

Cotas do Fundo PIS/Pasep

A cota do PIS/Pasep normalmente costuma ser confundida com o abono salarial do PIS/Pasep, o que de fato não tem nada haver um com o outro.

Isso porque o abono salarial é um benefício pago anualmente para os trabalhadores que se encaixam nas regras do programa, como estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, ter trabalhado de carteira assinada por pelo menos 30 dias e ter recebido uma remuneração mensal média de até dois salários no ano-base.

Já as cotas do PIS/Pasep dizem respeito aos trabalhadores de empresas privadas, servidores públicos e militares que exerceram atividade entre 1970 e 4 de outubro de 1988.

As cotas do PIS/Pasep só podem ser sacadas uma vez na vida dos trabalhadores, e esse modelo só é liberado para trabalhadores até 4 de outubro de 1988, pois, depois desse período o programa foi alterado e substituído pelo abono salarial que conhecemos hoje.

O montante de R$ 23,5 bilhões está disponível para cerca de 10 milhões de trabalhadores, que nem ao menos sabem que possuem direito ao benefício, principalmente porque grande parte desses trabalhadores já estão aposentados ou já faleceram.

No entanto, vale lembrar que em caso de falecimento do trabalhador seus herdeiros podem realizar o saque de maneira simples. Para entender melhor como funcionam as cotas, como consultar o saldo, documentação e como sacar, basta conferir essas informações neste conteúdo.

Saque do FGTS

Cerca de 90 mil contas inativas do FGTS, somam um total de R$ 18,910 bilhões que podem ser sacados pelos trabalhadores com direito ao benefício.

As contas acabam se tornando inativas quando o contrato de trabalho é rescindido e não há o saque dos valores, como por exemplo, nos casos em que o trabalhador pede demissão. Onde nesse quesito o trabalhador pode sacar os valores do FGTS após três anos sem emprego de carteira assinada.

Vale lembrar que os trabalhadores que são demitidos sem justa causa têm o direito de realizar a qualquer momento, caso não tenham feito.

Mas vale lembrar que nesse caso, se o trabalhador não resgatar os valores após a demissão e tiver arrumado um emprego formal neste período, o mesmo não terá direito aos valores depositados.

Dinheiro esquecido em bancos

Milhares de brasileiros possuem dinheiro para receber de bancos, esses valores são correspondentes de contas-correntes ou poupanças encerradas e que tinham saldo disponível, tarifas de bancos cobrados indevidamente, recursos de consórcio não resgatados, dentre outras situações.

As consultas dos valores estavam sendo feitas no site do Banco Central, no entanto, pela quantidade de acessos a página acabou saindo do ar.

Assim, o Banco Central informou que uma nova página na internet será criada para o serviço de consultas a recursos esquecidos em bancos.

Conforme nota do Banco Central, o novo sistema de consultas estará disponível a partir da próxima segunda-feira (14), e permitirá que todos os brasileiros possam checar valores a receber.

O Banco Central informou que a devolução dos valores ocorrerá em duas etapas que totalizaram assim cerca de R$ 8 bilhões que serão devolvidos.

Na primeira etapa cerca de R$ 3,9 bilhões serão disponibilizados para 24 milhões de pessoas e empresas, nas próximas semanas decorrentes das seguintes operações:

  • contas-correntes ou poupança encerradas com saldo disponível;
  • tarifas e parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente, desde que a devolução esteja prevista em Termo de Compromisso assinado pelo banco com o Banco Central;
  • cotas de capital e rateio de sobras líquidas de beneficiários e participantes de cooperativas de crédito; e recursos não procurados relativos a grupos de consórcio encerrados.

Os R$ 4,1 bilhões restantes serão disponibilizados em uma segunda etapa e devem ocorrer durante todo o ano de 2022, onde o montante é resultado das seguintes operações:

  • tarifas e parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente, previstas ou não em Termo de Compromisso com o BC;
  • contas de pagamento pré-paga e pós-paga encerradas com saldo disponível;
  • contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários encerradas com saldo disponível; e
  • outras situações que impliquem em valores a devolver reconhecidas pelas instituições.

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