São Paulo, junho de 2019 – Apesar de menos incidente que outros tipos de tumores, o Câncer de Pâncreas costuma ser o mais agressivo do aparelho digestivo, com difícil tratamento por causa do diagnóstico geralmente tardio e comportamento desfavorável. Para o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença representa 4%¹ das mortes no Brasil, mesmo estando presente em apenas 2% dos casos por ano, o que indica sua letalidade. Mundialmente, o Câncer de Pâncreas é o décimo primeiro tipo de câncer mais comum na população². Hoje, já é possível tratar cirurgicamente o Câncer de Pâncreas através de cirurgia robótica minimamente invasiva, por exemplo, afirma o Dr. Rodrigo Surjan, cirurgião do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho, que detalha mais algumas opções terapêuticas.

“A estatística mostra que este é um câncer agressivo e difícil de ser detectado em estágio inicial, o que pode levar a um tratamento um pouco mais complexo. Por isso, o acompanhamento médico frequente pode salvar vidas, ao permitir a detecção precoce da neoplasia”, explica o médico.

Uma das opções de tratamento é a cirurgia. Há cerca de dois anos, o Hospital 9 de Julho incorporou a tecnologia de cirurgia robótica para tratamento de tumores no pâncreas. A técnica oferece mais segurança ao paciente, ao proporcionar maior precisão para o médico, que opera de um console. Além disso, o campo cirúrgico é visualizado em alta definição e em três dimensões preservando melhor órgãos e estruturas delicadas. A tecnologia robótica eliminou muitas das limitações técnicas antes resultantes da outra forma de cirurgia minimamente invasiva, a laparoscopia.

“O pós-operatório com menor risco de infecção, dor e sangramento, além de menor tempo de internação hospitalar pós-operatória é um diferencial da cirurgia robótica, porque o acesso ao local a ser tratado, no caso, o pâncreas, é minimamente invasivo”, ressalta o cirurgião.

Os tratamentos pós-cirúrgicos também têm avançado. Um exemplo é a quimioterapia adjuvante, feita após a cirurgia de retirada do tumor para destruir as possíveis células cancerígenas remanescentes, o que possibilita melhora de sobrevida aos pacientes. “Ao utilizarmos uma combinação de tratamentos, conseguimos ter resultados de longo prazo melhores, com taxa de recidiva menor”, acrescenta o Dr. Surjan.

Outra forma promissora de tratamento que estão em ampla investigação são as terapias-alvo que, diferentemente da quimioterapia, reúnem um grupo de medicamentos que atacam alvos específicos das células tumorais, como receptores celulares. “São medicamentos que bloqueiam a reprodução do tumor ao se ligar a estruturas (alvos) específicos das células tumorais, bloqueando sua multiplicação”, explica.

Apesar de os avanços na Medicina serem constantes, o primeiro passo a ser tomado é ter hábitos que não contribuam para o surgimento da doença, como não fumar, manter uma rotina de exercícios físicos, controlar o peso para evitar a obesidade e fazer acompanhamento médico regularmente.

¹Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pancreas.
²Ilic M, Ilic I. Epidemiology of pancreatic cancer. World J Gastroenterol. 2016 Nov 28; 22(44): 9694–9705.

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