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Carreira: Sucesso é estar no lugar certo, e o que é estar no lugar certo?

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*Por Valéria Novas, Head of CRM and People Management da Organica

O trabalho é um dos fatores primordiais para que as pessoas se sintam úteis e colaborativas. É através do trabalho que se obtém o sustento financeiro e, muitas vezes também, o emocional. Além disso, é também no trabalho que se vislumbra a possibilidade de conquistar o reconhecimento externo – como se isso representasse e afirmasse para o mundo o seu valor e diferencial como pessoa. Mas, qual será o motivo de tantas pessoas encontrarem dificuldade na relação com o trabalho? Será que você já pensou sobre o seu verdadeiro valor e se o seu emprego realmente está lhe proporcionando se expressar com autenticidade?

Essa resposta pode ser a cura para toxicidade empresarial

Cada profissional desenvolve sua forma específica de se apresentar no âmbito corporativo, quase que uma persona particular, onde, atrás dela, existe uma alta cobrança em relação à sua entrega e adaptação ao meio. O que isso significa? Que a maior parte das pessoas tentam ser o que o meio exige, acreditando ser a única forma de conquistar admiração e se sentir valorizada.

Em meio ao cenário, pesquisas mostram que em diversos países é evidente nas empresas o aumento de estresse ocupacional nos últimos anos. Busca por melhor desempenho, e desafios cada vez maiores são apenas alguns dos pontos que definem comportamento e habilidades que precisam ser lidados. Segundo Bergamini e Tassinari, no livro Psicologia do Comportamento Organizacional, as pessoas que menos sofrem nesse processo, são as que têm maior amadurecimento emocional e possuem predisposição para se aceitarem.

Todos os desafios, pressões, medos e dificuldades no local de trabalho, somada a necessidade de ser e se mostrar cada vez mais eficiente, causa dor e conflitos emocionais tornando esses lugares nocivos, dificultando a relação entre as pessoas e gerando insegurança. Contudo, a maioria é afetada negativamente, ficam desmotivadas, perdem auto-estima e deixam de evoluir. Algumas pessoas criam falsas expectativas e encontram grandes frustrações.

Peter J. Frost, professor de Comportamento Organizacional na faculdade de Administração na University of British Columbia, chama nossa atenção para o fato de a dor fazer parte da vida empresarial. Segundo ele, sempre existirão mudanças, chefes que serão muito exigentes, pessoas que perderão seus empregos, mas seus efeitos positivos ou negativos estão diretamente ligados a forma como ela é manipulada pela organização. A falta de atenção aos fatores causadores de ambientes nocivos e conflituosos para indivíduos pode custar muito caro para a empresa, além de causar grande sofrimento. Frost chama essa dor que suga a estima e enfraquece a confiança de “toxicidade empresarial”.

Inevitavelmente, durante nossa carreira, todos vamos nos deparar com algum ou vários fatores conflituosos no trabalho, a diferença entre a frustração e o sucesso é o autoconhecimento. Alguns meses atrás, eu li um artigo do Sérgio Chaia, Coach empresarial, sobre resiliência ser mais importante do que talento, visto todas as intempéries do ambiente organizacional. Eu concordo e acrescento que a resiliência nasce da nossa motivação, por isso é tão importante se conhecer.

Sucesso é estar em um lugar que nos proporcione experiência, ou seja, estar em um ambiente que propulsiona a troca de conhecimento. É onde você contribui com a sua bagagem ao mesmo tempo em que pode ter a maturidade de reconhecer que, mesmo que não saiba algo, você está pronto para aprender. Isso nos fortalece, é como uma cura, uma vez que estamos tratando da toxicidade no ambiente como uma doença organizacional.

Segundo a neurociência, quando estamos felizes liberamos mais dopamina e serotonina, substâncias que geram bem estar e melhoram nossa capacidade de raciocínio, criatividade, aprendizado, tomada de decisão e resolução de problemas contribuindo ainda para geração de insights e inovação.

Ser o melhor tecnicamente já não é mais o suficiente para atingir resultados e se destacar nas empresas, uma vez que o próprio ambiente favorece o surgimento de uma série de confrontos emocionais e comportamentos conflituosos. Entender e trabalhar para minimizar os fatores geradores de conflito nas empresas, através de um bom trabalho de cultura, mapeamento dos profissionais e assegurar que as pessoas estejam nas posições mais adequadas ao perfil delas. Construir times de alta performance tem se tornado a melhor forma de competir.

Do outro lado, obter uma boa compreensão de si mesmo e buscar um local alinhado com seus valores, vai proporcionar experiências positivas, portanto, certamente lhe fará um profissional resiliente frente às dificuldades e permitirá produzir mais com menor interferência, por isso: sucesso é estar no lugar certo.

*Valeria Novas: é Head of CRM and People Management da aceleradora Organica. Com 20 anos de experiência nas áreas de CRM, DBM, BI e CX e 15 anos em posições de liderança. Foi responsável pela implantação de DBM e CRM na Netshoes e desenvolvimento das areas de inteligência em grandes empresas como Sodexo, Telefonica, Terra e Walmart. Possui também experiência em implantação e gestão de e-Commerce, planejamento de marketing, Analytics, inteligência de mercado, desenvolvimento de segmentação e mining, desenvolvimento de canais online e offline visando qualidade de serviços, aumento da produtividade e fidelização de clientes.