Carreira: Em meio à crise econômica, cresce o volume de aposentados na ativa


Professora aposentada, Regina Célia Gandolfi Gobbi Misquiati, 56 anos, tinha tudo para começar a usufruir de uma vida tranquila. Mas, diante do baixo valor do benefício e da dificuldade em se adaptar ao novo ritmo de vida, decidiu voltar à ativa como corretora de imóveis.

Assim como Regina, em tempos de crise, são muitos os aposentados que estão em busca de emprego ou conquistaram uma vaga de trabalho em Bauru, seja para complementar a renda ou oferecer ajuda financeira a parentes recém-desempregados. E a boa notícia é que o mercado, em alguns segmentos, está cada vez mais receptivo a este perfil de trabalhador.

Gerente da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Bauru e Região, Cilene Campos relata que cresceu de maneira significativa o número de pessoas na entidade em busca de emprego. Segundo ela, muitos associados, inclusive, vêm deixando cartões pessoais e currículos caso a instituição tome conhecimento de oportunidades.

“Normalmente, eles relatam que estão em dificuldades devido ao aumento do custo de vida e precisam de uma renda extra para, principalmente, conseguir continuar pagando o plano de saúde. Há casos, ainda, de aposentados que querem ajudar filhos ou netos que foram demitidos”.

Aposentada há quatro anos, Regina Misquiati conta que, com os filhos crescidos, consegue usufruir integralmente do salário e da aposentadoria que recebe. O recurso extra, por exemplo, possibilitou que ela reformasse a casa – um desejo antigo que ela não conseguia realizar.


“Antes de ser corretora de imóveis, também trabalhei como vendedora em uma loja, mas os horários eram ruins. Agora, fico livre aos finais de semana para ficar com a família e, ao mesmo tempo, me sinto útil trabalhando em uma área nova”, analisa.

Diferencial

Vagas em funções operacionais e administrativas que não demandam uso da força física ou formação especializada tendem a ser as mais acessíveis aos aposentados. Há poucos dias, um escritório de contabilidade publicou anúncio na tentativa de encontrar um trabalhador com este perfil para trabalhar como auxiliar administrativo.

“As tarefas são arquivar ou entregar documentos para clientes e ir aos bancos pagar contas, por exemplo. Tem uma série de vantagens, porque os idosos acabam sendo mais respeitados, então os problemas que esse funcionário irá enfrentar no dia a dia são menores”, comenta o sócio-proprietário da empresa, Ilton Lima Xavier.

Como diferencial, ele aponta, ainda, a maior maturidade e comprometimento destes trabalhadores. “As chances de ele sair do emprego em pouco tempo ou de faltar são muito menores. Eles querem trabalhar e nada mais justo darmos uma oportunidade”, acrescenta, salientando que o salário oferecido é o mesmo pago a demais auxiliares.

Longa caminhada

“Eles saem para as ruas às 9h e só param às 17h”, comenta Daniela Aparecida Rodrigues, funcionária de uma sorveteria que atua com oito vendedores ambulantes – os chamados carrinheiros – que já são aposentados. Também conhecidos como sorveteiros, estes profissionais não possuem vínculo empregatício com a empresa e percorrem toda a cidade para levar o doce diretamente aos consumidores.

A partir de um acordo informal, a sorveteria fornece os carrinhos em troca de um percentual da venda dos produtos, que são fornecidos por consignação. “Eles não tem obrigação de comparecer todos os dias na sorveteria, mas, mesmo assim, os aposentados estão sempre aqui, com o objetivo de complementar a renda”, pontua Daniela. Ela explica que, embora a maioria trabalhe por necessidade, há os que sigam percorrendo as ruas de Bauru, todos os dias, também por prazer. “Estes não conseguem ficar parados em casa, gostam de lidar com gente, ver o movimento. Alguns, como um idoso que vende sorvetes em uma bicicleta, estão conosco há quase dez anos e seguem firmes e fortes”, completa. (Com JCNET)

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