Os números colocados à disposição pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNDA), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são assustadores para qualquer cidadão que precisa ganhar a vida com seu trabalho. Que o digam os 12,3 milhões de desempregados, os milhares de empresários que fecharam seus negócios e também, os que faliram. Imagine o estudante que está prestes a concluir seu curso? O que vai fazer com seu diploma? As possibilidades são muitas: arrumar um serviço qualquer, tentar trabalhar sem experiência ou continuar estudando.

O estudo de remuneração e tendências para 2017, divulgado pela Robert Half, uma das maiores consultorias de Recursos Humanos do Brasil, aponta que as empresas continuam buscando redução de custos e mantém seu foco na qualidade do quadro de funcionários, para garantir sua competitividade. Ainda assim, há casos de profissionais que mesmo com um robusto preparo em sua área, não possuem o conhecimento compatível com a tendência do exigente mercado atual.

Após ouvir mais de 100 diretores de Recursos Humanos, a Robert Half analisou as principais carreiras para 2017 e divulgou um guia salarial que indica estratégias de recrutamento e tendências, tendo como destaque uma das mais antigas profissões do mundo: a Contabilidade.

Deixando para trás a Administração, a Engenharia e o Direito, surge a dúvida: afinal, qual é o segredo de uma das profissões mais antigas ter uma visibilidade tão forte no mercado atual? A reposta é basicamente singular. Hoje, o profissional da contabilidade tem uma formação multidisciplinar contemplando, praticamente, todos os cargos listados nos mais gabaritados concursos públicos do país. Todos exigem uma boa dosagem de conhecimento e habilidade na área contábil, alinhando-a como estratégia para as oportunidades que possam surgir futuramente.

A Contabilidade é uma das profissões que mais se transformou no modelo de solução inovadora com a incorporação de novas tecnologias. O que vale hoje, além da qualidade, é o conhecimento de ferramentas que possa administrar soluções inovadoras, voltadas para a inteligência do negócio e, principalmente, gerenciamento de dados em busca de mais eficiência, transparência e assertividade.

Nos últimos anos, quando se presumia o desastre na política e economia brasileiras, o ambiente mercadológico era inquietante e perverso. No cenário atual, quem mais sente a complexidade da crise é o estudante brasileiro. O diploma já não é mais garantia de passaporte para o mercado, já que muitas vezes não significa ter formação de qualidade. Mesmo graduados, vemos no mercado alguns profissionais mais capacitados, outros menos, mas todos oriundos de uma precária formação profissional.

As perspectivas atuais são remotas e revelam que as possibilidades de empregabilidade não trazem previsões de solução a curto prazo. A grande verdade é que não se sabe até quando essa monumental encrenca vai acabar. De qualquer forma, a retomada da economia brasileira, em crise ou não, passa necessariamente pelos números da Contabilidade.

(José Gilmar Carvalho de Brito, contador, mestre em contabilidade, diretor do Sescon/GO e professor universitário) Via DM.

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