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A Polícia Civil do Distrito Federal investiga dez empresas de contabilidade e dez distribuidoras de bebidas suspeitas de usar ao menos 30 empresas fantasmas com o objetivo de sonegar impostos. O grupo movimentou R$ 650 milhões durante as investigações e deixou de recolher aos cofres públicos cerca de R$ 100 milhões, segundo a polícia. O grupo atuava há pelo menos dois anos.

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De acordo com a Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf), os suspeitos recolhiam impostos em valores bem menores do que os devidos. Em vez de pagarem os R$ 100 milhões devidos, por exemplo, os contadores recolheram R$ 34 mil aos cofres públicos nas operações fraudulentas.
“Dez empresas de contabilidade do Distrito Federal estão envolvidas. Uma delas é a terceira maior do Brasil, está localizada em Taguatinga e se chama Prestacon. Temos a certeza de que os donos das empresas sabiam de todo o envolvimento dos funcionários no crime. Eles acreditavam que não iam ser descobertos”, disse o delegado Jeferson Lisboa.


A Prestacon atua no mercado desde 1991 e ocupa um prédio de 930 metros quadrados no centro de Taguatinga. A empresa tem 90 funcionários e diz em sua página na internet ter adquirido ao longo dos anos “uma vasta experiência em uma trajetória de grande sucesso”.

Os policiais apreenderam cem computadores na empresa ontem. Procurada pelo G1, a Prestacon informou que não está sendo investigada pela operação da Polícia Civil.

Segundo o proprietário da empresa, Dilson de Paula, a Prestacon apenas prestou esclarecimentos em relação a um cliente que “já foi excluído” da responsabilidade técnica do local.

“Não temos conhecimento ou qualquer envolvimento ciente ou consensual de atividades exercidas que levam a sonegação de impostos ou qualquer outra atividade ilícita. Nossa empresa está manchada. Tenho documentos que provam nossa inocência”, disse.

Segundo Lisboa, os contadores que davam a ideia da sonegação para os empresários, geralmente donos de depósitos de bebida e de cereais. “Os donos, por exemplo, chegavam até essas empresas e reclamavam dos impostos. Os contadores diziam: ‘Olha, sonegar imposto não é muito certo, mas é a solução”, afirmou o delegado.

Lisboa disse que as empresas-fantasmas eram instaladas geralmente em casas simples, apartamentos fechados e até em laboratórios de remédios. As regiões de Sobradinho, Ceilandia e Estrutural eram escolhidas para abrigarem os locais.

“Os suspeitos movimentam as empresas como se fossem depósitos de bebidas. No entanto, eram apartamentos, casas e salas. A Polícia Civil concedeu 17 mandados de busca e apreensão em Planaltina, Park Way, Taguatinga, Ceilândia e Vicente Pires, entre outras cidades”, afirmou Lisboa.

Nenhum suspeito foi preso. Eles receberam mandado de condução coercitiva (quando o suspeito é encaminhado para a delegacia para prestar depoimento, mesmo contra a vontade dele, e depois liberado).

As investigações fazem parte da Operação Hi Fi, deflagrada nas primeiras horas desta quinta e ocorreram com parceria da Secretaria da Fazenda. De acordo com a Polícia Civil, a participação de cada envolvido no suposto esquema está sendo verificada. Os suspeitos podem responder por falsidade ideológica e uso de documento falsos. Se condenados, a pena pode chegar a dez anos de prisão. (com Informações do G1)

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