Com a Selic a 2% ao ano, conforme estabeleceu o Copom em sua reunião de 5 de agosto, temos a taxa mais baixa na história do País, como o menor juro real positivo de todos os tempos. Tal tendência deve ser mantida.

A ata do órgão admite “reduções temporalmente espaçadas”, dependendo da velocidade de reação da economia, que segue na incerteza e necessitando cada vez mais de estímulos econômicos.

Cabe ressaltar a preocupação em relação ao teto de gastos e a elevação de dívida PIB, que vem decorrente da recessão provocada pela pandemia.

O Banco Central em sua ata destaca que o cenário de inflação para os próximos anos ficará abaixo da meta, e não descarta um pequeno ajuste nos juros caso a questão fiscal e inflacionária não reaja.

Nesse sentido, ressalta ainda que o instrumento de política monetária visando o corte de juros ainda poderá ser usado em menor proporção, dependendo muito de um cenário mais claro em relação ao consumo e questões fiscais.

Outra forma de política monetária que o Banco central poderá usar para incentivar a liquidez de mercado, é a atuação em cima dos depósitos compulsórios.

Considerando todos esses fatores e que a inflação deverá fechar o ano abaixo da meta, de acordo com a ata do Bacen, podemos entender que um corte residual de 0,25 pontos percentuais poderá ocorrer até o final do ano.

Ainda de acordo com o comunicado, dois itens merecem atenção, a disfuncionalidade de mercado e Forward Guidance (diretriz futura).

Em relação a disfuncionalidade de mercado, é preciso considerar que os juros baixos tendem a provocar rápida migração de ativos de renda fixa para variável.

Tal transição ao mercado de risco, em um momento de volatilidade de preços, pode comprometer o desempenho de alguns setores econômicos e ter impacto na intermediação financeira.

O Forward Guidance, é uma ferramenta de política monetária utilizado pelos bancos centrais que visa diminuir a especulação sobre a decisão futura na taxa de juros.

Em outras palavras, visa passar informações ao mercado sobre a reação do banco central em relação à condução da política monetária.

Por Gustavo Bertotti é economista da Messem Investimentos.