O advento de novas tecnologias vem se tornando essencial em diversos setores do mercado de trabalho, permitindo o surgimento de novas profissões e diferentes formas de atuação de várias outras.

Na perícia judicial não tem sido diferente e neste longo período de quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus, tais mudanças têm se acentuado e acelerado.

Com a maioria dos processos sendo digitalizados, a figura do perito nomeado nos cartórios não tem sido mais necessária.

O acesso, análise, solicitações de documentos e juntada dos laudos já é feito remotamente.

É o novo normal já se fazendo presente nesse setor tão relevante e tradicional. Um caminho sem volta que tende a implantar nova dinâmica e maior agilidade para este segmento.

Até mesmo as diligências e reuniões técnicas que ainda eram presenciais, passaram a ser realizadas via online, com fartas opções de plataformas digitais, tais como Hangout, Teams, Skype, Zoom, entre tantas outras.

E até mesmo para os mais conservadores é impossível não perceber e concordar com o sensível ganho de tempo.

Com o home office forçado pelo isolamento social, essa nova realidade ficou ainda mais explícita.

O que era uma tendência para todos os setores da economia passou a ser uma necessidade de boa parcela dos trabalhadores, o que significou para muitos, um novo mundo se abrindo, e melhor, com maior produtividade e eficiência.

Ao longo de 50 anos de experiência em perícia, com uma média de 20 processos/nomeações a cada mês, particularmente posso afirmar que tenho conseguido produzir mais do que eu poderia imaginar de forma remota e tecnológica.

E tenho relatos de pares que, igualmente, concordam com a efetividade desse novo momento.

Os Tribunais em todo o Brasil vêm insistindo na relação não presencial. O próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já está regulando a perícia médica nos processos que envolvam benefícios previdenciários ou de prestação continuada com a “Teleperícia”.

É o vírus tecnológico rompendo com a barreira conservadora, estabelecendo uma nova era, na qual os processos eletrônicos e o trabalho remoto vão tomar um espaço definitivo no judiciário.

Neste novo normal, quem não se preparar e se adaptar aos formatos e ao novo que se avizinha vai ficar para trás.        

Por Jarbas Barsanti, Contador, Empresário e Presidente da Associação dos Peritos do Estado do Rio de Janeiro