Contador da família Richa é denunciado por organização criminosa

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O contador da família Richa, Dirceu Pupo, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por organização criminosa e corrupção passiva em um processo da Operação Integração.

A operação investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato e peculato em um esquema relacionado à administração das rodovias federais no Paraná que fazem parte do chamado Anel da Integração.

Pupo foi preso no dia 25 de janeiro, na deflagração da 58ª fase da Lava Jato, um desdobramento da Operação Integração. No dia 2 de fevereiro, a Justiça negou um pedido de revogação da prisão dele. Dirceu está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Conforme o Ministério Público Federal (MPF), Beto Richa se beneficiou com pelo menos R$ 2,7 milhões em propinas pagas em espécie pelas concessionárias de pedágio do Paraná e por outras empresas que mantinham interesses em atos do governo.

A denúncia diz que o ato criminoso ocorreu entre 2011 e 2018 , de forma contínua e sistêmica, 42 vezes em reuniões presenciais ocorridas no Palácio Iguaçu. Os procuradores afirmam ainda que Beto Richa, em co-autoria com o primo de Richa Luiz Abi Antoun e Dirceu Pupo, de modo consciente e voluntário, solicitou, aceitou e recebeu o pagamento de vantagem indevida.

Ainda na denúncia, os procuradores afirmam que Dirceu Pupo:

  • Atuava a mando de Beto Richa e em nome dele;
  • Tinha envolvimento direto com demais integrantes da organização criminosa, inclusive encontrando-se com eles para captar dinheiro em espécie.

“Assim, as evidências aqui agregadas demonstram com folga o envolvimento efetivo de Dirceu Pupo Ferreira com a organização criminosa denunciada, bem como sua subordinação a Beto Richa e sua disposição em atrapalhar as apurações que correm em desfavor do ex-governador. Estes novos elementos são contundentes reforços da necessidade de manutenção da prisão preventiva de Dirceu Pupo Ferreira, com fundamento na conveniência da instrução”, destacaram os procuradores.

A investigação

De acordo com os procuradores, parte dos R$ 2,7 milhões valor, cerca de R$ 142 mil, foi lavada por meio de depósitos feitos em favor da empresa Ocaporã Administradora de Bens.

A empresa, segundo o MPF, era controlada por Beto Richa, apesar de estar no nome de Fernanda Richa e dos filhos do casal.

O MPF explicou que, para ocultar a origem ilícita dos recursos, o contador solicitava que os vendedores lavrassem escrituras públicas de compra e venda por um valor abaixo do que havia sido firmado entre as partes.

A diferença entre o valor da escritura e o acordado era paga em espécie, com propinas, conforme os procuradores.

Em nota, a defesa de Richa disse que ele nunca cometeu irregularidades, e que sempre esteve à disposição da justiça para provar inocência.