Contratar um empréstimo utilizando o celular como garantia vale a pena?

Especialistas alertam sobre possíveis juros altos. 

Com o atual momento de instabilidade econômica do país e por consequência a alta da taxa de desemprego, o número de negativados permanece em crescente. Atualmente, o Brasil conta com mais de 60 milhões de inadimplentes. 

A fins de uma melhor contextualização, uma pessoa fica em negativa à medida que ela atrasa consideravelmente para pagar uma conta ou dívida. Desta forma, o indivíduo em questão será considerado um “mau pagador”, de modo que terá seu nome cadastrado nos órgãos de proteção ao crédito, como o Serasa e o SPC. 

Diante desta situação, torna-se uma tarefa difícil conseguir serviços de crédito que sejam vantajosos para o indivíduo em negativa, à medida que os juros não são dos mais baixos. Ademais, justamente pela pessoa não possuir uma boa reputação no âmbito de dívidas, empresas que concedem empréstimos, geralmente irão exigir algum tipo de garantia, como é caso dos créditos consignados, ou o penhor de um bem de valor. 

Neste sentido, devido ao grande contingente de inadimplentes no país, uma modalidade de empréstimo que tem ficado deveras muito famosa diz respeito ao pedido de crédito e colocar o celular como garantia na operação, ao invés de uma casa ou um carro (ativos mais comuns). 

Conforme a Diretora-executiva da fintech Brelo (empresa especialista nesse tipo de empréstimo),  Fran Pasquini, “A ideia é democratizar o acesso ao crédito, no limite, praticamente todo mundo tem celular”.

Contudo, especialistas pedem cautela antes de optar por este empréstimo, visto que as taxas provenientes desse tipo de serviço podem apresentar juros bem altos, para se ter uma ideia, o custo pode ser maior que o cheque especial. 

Para uma melhor visualização desta questão, o cheque especial desde 2020, possui um teto de juros igual a 8%, enquanto os empréstimos com o celular de garantia costumam ultrapassar os 10% ao mês. 

Esta questão se justifica, justamente, pelo risco que o credor fica sujeito, apesar do grande leque de tecnologias a serviço das empresas que concedem os empréstimos. Até porque, cobrar um celular, não é tão palpável como uma casa ou um carro. 

Assim sendo, tal modalidade é geralmente destinada a uma parcela específica da população, sendo aquela que já não tem mais nenhuma alternativa de crédito e precisa do mesmo. 

Como funciona esse tipo de empréstimo?

O empréstimo não costuma ser muito longo, em geral, são de no máximo 24 meses (2 anos). Além disso, os valores não costumam ser muito altos, segundo informações divulgadas pelo Infomoney, o valor médio gira em torno de R$ 1.000, podendo chegar a R$ 2.500 a depender da empresa e do modelo do aparelho celular. 

No que diz respeito a análise da garantia, o que se tornou uma questão pertinente, devido a possíveis mentiras por parte do cliente. Neste sentido, a CEO da Brelo, já esclarece que a verificação desta questão conta com o apoio de diversas tecnologias frente ao risco da operação. “Criamos um sistema de algoritmos que analisa tudo ao mesmo tempo, e também procura os preços do modelo do celular em sites de vendas de usados para criarmos um preço médio do celular usado que está sendo oferecido como garantia” explica Pasquini

Outra empresa que fornece este tipo de empréstimo é a Bom para Crédito, que acrescenta que neste procedimento, também é realizada a análise do perfil do cliente, solicitando fotos, documentos e outros métodos de pesquisa. 

Valor do empréstimo 

Os valores do empréstimo também irão depender da empresa e o do modelo de celular ofertado como garantia. Como já citado, os créditos não costumam ser muito altos, geralmente são microcréditos. 

Confira abaixo quais são os valores oferecidos por algumas empresas que trabalham com o empréstimo com celular de garantia: 

Bom para Crédito: a empresa oferece empréstimos de até R$ 2.500 com prazo de até um ano, cerca de 6 a 11 marcas de android são aceitos neste caso. Contudo, os juros mensais costumam girar no percentual dos 12%. 

Brelo: o valor máximo concedido pela Brelo corresponde a 60% do valor do aparelho, com um prazo mais longo em comparação à opção anterior, sendo de 24 meses (2 anos). No entanto, neste caso só são aceitos modelos da Samsung fabricados de 2017 para frente. Em relação ao juros mensais cobrados, a taxa fica entre 5% e 12%. 

Super Sim: a empresa assim como a primeira alternativa tem um teto de empréstimo igual a R$ 2.500, com prazo igual a 12 meses (1 ano). A Super Sim aceita diversas marcas que trabalham com o sistema Android, como  Samsung, Motorola, LG, etc. 

 E em casos de inadimplência?

Isto pode ter passado pela sua cabeça, se o cliente não pagar o credor, como eles pegam o celular? A resposta é: não pegam, a maneira de garantir o pagamento do débito também se utiliza da tecnologia. Isto porque, a logística e o custo de ir até à casa das pessoas não é vantajoso.  

“A ideia é que o celular é crucial para esse cliente e ele não vai querer ficar sem acesso ao aparelho, então, tende a pagar corretamente” afirma Antonio Brito, CEO da Super Sim. 

Neste sentido, a empresa que concede o crédito, conta com um serviço de monitoramento, o qual funciona através de um aplicativo que deve ser instalado no celular. Uma vez com o app devidamente alocado no aparelho, o credor poderá realizar um bloqueio das funções do celular, ou seja, não será mais possível acessar a internet, chamadas telefônicas, em geral, o usuário só terá acesso a chamadas de emergência e o contato com a referida empresa. 

Cabe salientar, que o cliente é avisado diversas vezes antes do bloqueio ocorrer, além de atrapalhar o funcionamento do aparelho, dado que ele só é ativado quando há inadimplência. 

Outro ponto diz respeito à não elegibilidade de aparelhos da Apple, uma vez que, o aplicativo de segurança não funciona no sistema IOS, fora que o público alvo destes empréstimos não costumam possuir estes aparelhos.  

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