É natural que se faça a associação entre governança corporativa e sustentabilidade, afinal, faz parte dos quatro princípios da governança corporativa a responsabilidade corporativa, que engloba a organização refletir sobre os impactos do negócio na sociedade e no meio ambiente.

Mas é fundamental que se compreenda a ligação entre governança corporativa e sustentabilidade e de que maneira impacta na cultura organizacional e nas relações da empresa com a sociedade na qual está inserida.

Atuando como consultor empresarial com mais de 35 anos de vida corporativa em diversas empresas nacionais e multinacionais, e desde 2015 à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, que tem a Responsabilidade Social e Ambiental, dentre os seus valores, acredito que há alguns pontos importantes a considerar sobre o papel da sustentabilidade na governança corporativa

Governança Corporativa e Sustentabilidade – Interligadas

A governança corporativa em si é um modelo sustentável de gestão. Para entender sua importância em uma organização, gosto do exemplo do executivo Roberto Faldini junto às suas experiências em empresas familiares, no Banco Safra, como sócio-fundador da Metal Leve, entre outras.

Faldini é um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e na 5ª Semana de Educação Executiva, ocorrida em 2018, disse que em muitos casos, iniciativas brilhantes podem ser comprometidas se não houver um plano de sucessão; acordos de acionistas que estabeleçam regras claras de decisão, o que faz parte da governança corporativa.

Já quando se fala em sustentabilidade em governança corporativa é importante pensar que primeiramente tem a ver com os objetivos que a organização tem com a sua existência.

O conceito de sustentabilidade começa a existir a partir do momento que o negócio pensa no que deseja para o futuro. De que maneira você quer impactar futuramente a sociedade na qual o seu negócio está inserido? Mas gosto de frisar que o futuro é o agora, faz parte das escolhas que se faz no presente.

Incorporar princípios e práticas de sustentabilidade no negócio, o que faz parte da governança corporativa deve ser um compromisso, primeiro da empresa com ela mesma. Práticas de sustentabilidade precisam estar presentes no dia a dia, nas operações do negócio.

Uma empresa que funciona a partir do uso de energias alternativas e renováveis, por exemplo, não está apenas “cumprindo um papel com o meio ambiente”, está dizendo por meio de suas práticas qual é a sua cultura, e as pessoas que fazem parte da cultura do negócio também tem em si essa mentalidade de crescimento.

Mas outra questão importante entre governança corporativa e sustentabilidade é que ambas têm dentre os seus princípios, a transparência em suas atividades, em sua relação com os agentes internos e externos da organização. Agir com transparência não é um procedimento padrão, faz parte dos valores corporativos de um negócio.

Governança corporativa e sustentabilidade estão completamente na contramão de empresas que vivem a ‘mediocridade’ em seu cotidiano. São conceitos que se integram perfeitamente em responsabilidade empresarial e que trazem a um negócio, independentemente do porte e segmento, a vivência do que é ser uma organização (um todo, um organismo vivo).

Há empresas que utilizam como argumento para o não cumprimento de práticas sustentáveis, o fato do alto custo para a preservação ambiental, por exemplo, e que os seus consumidores não “pagam essa conta”, esse é um pensamento realista, mas carregado de problemas que precisam de reflexão. Nós vemos aqui e em outros lugares do mundo os impactos de desastres ambientais que poderiam ser revertidos se o negócio tivesse assumido esses custos.

Quando surgem essas questões em torno dos custos para cumprir práticas de sustentabilidade em uma empresa, o que é parte da governança corporativa, vale a reflexão sobre o papel do negócio. Se o intuito é apenas lucrar, será mesmo que é válido continuar no mercado? Muitos empresários podem acreditar que sim, mas na verdade, o que leva empresas ao crescimento, é aquilo que elas são para aqueles que trabalham nela e para a sociedade.

Quando se reflete sobre a ligação entre governança corporativa e sustentabilidade, percebe-se o quão as empresas precisam remodelar os seus modelos de gestão, sair do lugar comum, repensar clichês do mundo corporativo e procurar vivenciar algo realmente pertinente à realidade da empresa e que se relacione com a sua consciência sobre o que é ser uma organização em uma sociedade e no meio ambiente.

Como consultor empresarial já atendi e atendo inúmeras empresas, de diversos segmentos e portes e, sabe qual a maior necessidade das empresas hoje? É entenderem o seu papel como empresas, por isso, até mesmo quem trabalha com consultoria, precisa ter uma visão sustentável, o foco principal não é fazer as empresas lucrarem, é fazer com que se reconheçam e encontrem a própria identidade em um mercado regido por constantes e ágeis transformações, assim, conscientes e mesmo no caminho da lucratividade, não serão devoradas e cumprirão um papel sustentável, junto ao mercado que atuam.

Carlos Moreira – Há mais de 35 anos atuando em diversas empresas nacionais e multinacionais como Manager, CEO (Diretor Presidente), CFO (Diretor Financeiro e Controladoria) e CCO (Diretor Comercial e de Marketing).

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