O Brasil ainda esperava os primeiros resultados oficiais da Receita Federal dos efeitos da pandemia nos MPMEs e prestadores de serviços, e agora ele finalmente chegou. Freando a forte aceleração que vinha tendo, a taxa de abertura de empresas no país caiu 23% no segundo trimestre em comparação com o primeiro trimestre do ano. Foram 667 mil empresas abertas, 203 mil a menos do que o período anterior, e 15% a menos que o mesmo período do ano passado, de acordo com a Receita Federal.

“Vivemos um momento de incertezas devido à pandemia e o setor de serviços foi um dos que mais sentiu com uma queda de 32%. É normal que as pessoas se sintam inseguras diante deste cenário”, afirma afirma Guilherme Soares, VP de Growth da Contabilizei, o maior escritório de contabilidade do país e pioneira a digitalizar os processos contábeis. 

A participação dos MEIs na abertura de empresas continua em constante aumento, atingindo 81% de participação sobre a abertura, mas também sofreu com os impactos da pandemia, caindo 22%, no segundo trimestre.

O levantamento ainda mostra que entre os estados brasileiros, Piauí e Pernambuco registram os piores números no trimestre, com -43% e -42%, enquanto Mato Grosso e Santa Catarina foram os mais “positivos”, com -13% e -21%.

Os municípios também sentiram e Curitiba e Recife tiveram 6,7 mil e 2,7 mil empresas abertas, cada uma, quedas de -51% e -39%.

“Apesar de ser um momento delicado, essa é a hora de repensar as economias e alterar caminhos e estratégias para conseguir sobreviver ou seguir com o sonho do próprio negócio“, conta Soares.

De acordo com os dados da Contabilizei, entre os segmentos de PMEs, as menores baixas foram em serviços médicos (-16%), mídia e publicidade (-20%) e consultoria (-20%), enquanto os que mais sentiram foram eventos (-65%) e alojamento (-59%). Indústria e comércio também demonstraram retração com -16% e -9%, respectivamente.

Há também um movimento de mudança de contador por empresas que já estão em funcionamento e que optaram pela mudança para a contabilidade online. “Muitos empreendedores que já têm suas empresas abertas estão aproveitando o momento e migrando para a contabilidade online. Assim reduzem seus custos garantindo um serviço seguro e de qualidade. Para atender a esse aumento de demanda, organizamos as equipes internamente provendo atendimento ainda mais personalizado”, afirma Soares.

Apesar de tudo, a Receita Federal também informou que junho teve o maior patamar em emissão de notas fiscais do ano, com R﹩ 23,9 bilhões em vendas ao dia, 10% a mais quando comparado a junho do ano passado. Isso já um indício da retomada econômica. “Os efeitos da pandemia ocorreram mais nas duas últimas semanas de abril e início de maio. Agora o país precisa se recuperar para a retomada”, analisa ele.

Os próprios dados da startup mostram que no último semestre, o número de notas emitidas diminuiu apenas 1,1%. Algumas praças tiveram uma redução mais significativa, como Rio de Janeiro (-5,2%) e Minas Gerais (-4,6%), enquanto os estados de São Paulo (+0,4%) e Paraná (-0,9%) aparentam não sentir tanto o impacto.

Ainda segundo os dados da Contabilizei, alguns setores tiveram, inclusive, incremento no volume de faturamento e notas emitidas. Esse é o caso do mercado de educação (+11,3%), tecnologia (+2,2%) e publicidade (+3,2%). Por outro lado, setores como estética (-57,9%), veículos (-38,2%), lazer (-24,9%) e hotéis (-28,3%) sentiram o impacto do isolamento social e tiveram significativas retrações.

Fundada em 2013, a Contabilizei é hoje o maior escritório de contabilidade do país e pioneira a digitalizar os processos contábeis.