Covid-19: Agências dos EUA pedem pausa na vacina Johnson & Johnson

As autoridades de saúde dos EUA estão pedindo uma pausa no uso da vacina Johnson & Johnson contra o Covid-19, após relatos de casos extremamente raros de coagulação do sangue.

0

A Administração de Alimentos e Medicamentos [Food and Drug Administration (FDA)] disse que seis casos em 6,8 milhões de doses foram relatados e que está agindo “por excesso de cautela”.

A Johnson & Johnson disse que também estava atrasando o lançamento da vacina na Europa.

A medida dos Estados Unidos segue casos raros semelhantes na vacina AstraZeneca, o que levou a algumas restrições em seu uso.

Os EUA têm de longe o maior número de casos confirmados de Covid-19, mais de 31 milhões, com mais de 562.000 mortes, outro recorde mundial. 

O quadro para o vírus nos Estados Unidos é complicado, porém, com algumas áreas no norte observando surtos de infecções, no sul com menos, e com os números nem sempre refletindo os números de inoculação.

A injeção da Johnson & Johnson foi aprovada nos Estados Unidos em 27 de fevereiro e seu uso tem sido mais limitado até agora do que as doses da Pfizer-BioNTech e Moderna.

No entanto, o governo esperava centenas de milhares de vacinações todas as semanas, pois ela é apenas uma dose e seu armazenamento em temperaturas comuns de geladeira facilita a distribuição.

Qual é a recomendação?

Em uma declaração conjunta, o FDA e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) disseram que estavam “revisando dados envolvendo seis casos relatados nos Estados Unidos de um tipo raro e grave de coágulo sanguíneo em indivíduos após receber a vacina J&J“.

Disseram que a coagulação foi chamada de Trombose do Seio Venoso Cerebral (TSNC).

O comunicado afirma que este tipo de coágulo sanguíneo necessita de um tratamento diferente do habitual.

O tratamento comum, um anticoagulante chamado heparina, “pode ser perigoso”, disse.

Enquanto se aguarda uma nova revisão, o FDA e o CDC recomendaram “uma pausa no uso desta vacina por excesso de cautela”.

Foto: Reuters/Michael Weber/Imago Imagens/Direitos reservados
Foto: Reuters/Michael Weber/Imago Imagens/Direitos reservados

O objetivo era “garantir que a comunidade de profissionais de saúde estivesse ciente do potencial para esses eventos adversos”.

Todos os seis casos ocorreram em mulheres com idades entre 18 e 48 anos, com sintomas de seis a 13 dias após a vacinação.

O New York Times citou autoridades dizendo que uma mulher havia morrido e uma segunda, em Nebraska, estava em estado crítico.

A declaração conjunta disse que “as pessoas que receberam a vacina J&J que desenvolverem forte dor de cabeça, dor abdominal, dor nas pernas ou falta de ar dentro de três semanas após a vacinação devem entrar em contato com seu médico”.

O governo federal provavelmente pausará o uso da vacina em todos os locais de vacinação administrados pelo governo federal e espera que os locais estaduais façam o mesmo.

Declaração da Johnson & Johnson

A Johnson & Johnson, uma empresa de saúde dos Estados Unidos, emitiu um comunicado dizendo que a segurança era sua “prioridade número um” e que compartilhou “todos os relatórios de eventos adversos” com as autoridades de saúde.

Ainda acrescentou: “Estamos cientes de que eventos tromboembólicos, incluindo aqueles com trombocitopenia, foram relatados com as vacinas Covid-19. No momento, nenhuma relação causal clara foi estabelecida entre esses eventos raros e a vacina Janssen (J&J) contra o Covid-19.”

Disse também que estava analisando casos com autoridades de saúde europeias.

“Tomamos a decisão de adiar proativamente o lançamento de nossa vacina na Europa”, terminou.

Conteúdo traduzido da fonte BBC News por Wesley Carrijo para o Jornal Contábil