Crescimento econômico das startups fintech: entenda o porquê

O crescimento econômico das startups fintechs é um dos assuntos do momento, mas você não entende por quê? Vamos esclarecer e ainda trazer boas razões para apostar nessa nova proposta de serviços financeiros.

Introdução

Antes de qualquer coisa, vale compreender o significado de fintech. Para isso, é preciso primeiro esclarecer o que é uma startup. Sim, os dois conceitos estão totalmente vinculados.

Empresas startup constituem um modelo de negócio ligado à inovação e tecnologia, que nasce geralmente com uma estrutura enxuta e que tem na eficiência uma meta. Dessa forma, seus produtos são alvo de pesquisa, investigação e testes, até que sua viabilidade seja garantida e possa ser oferecido ao público-alvo.

A fintech é uma startup, pois reúne todas essas características e tem na base tecnológica uma marca forte. Mas o que a diferencia é o foco específico em soluções financeiras, sempre propostas do ponto de vista do usuário.

Se você pensou em um banco digital, está no caminho certo. Mas uma startup fintech vai além desse rótulo, pois oferece uma gama de serviços maior que o modelo tradicional de instituição financeira que você conhece.

As fintechs brasileiras, por exemplo, disponibilizam conta bancária, microsseguros, cartão de crédito, soluções de recebimentos para empresas e muito mais.

Se você está entre aqueles que buscam serviços financeiros eficientes e de baixo custo, encontra nas fintechs uma proposta realmente diferenciada. De quebra, começa a entender o crescimento econômico desse tipo de startup.

Por que esse tipo de empresa tem ganhado tanto destaque?

O interesse pelas fintechs é crescente, assim como a procura por seus serviços. Uma análise na ferramenta Google Trends, que aponta tendências de buscas realizadas no site, classifica como “aumento repentino” o número de pesquisas pelo termo.

O gráfico apresentado pela ferramenta indica que, desde o início de 2015, as buscas por fintech cresceram mais de 1.000%.

Tamanha evolução não se dá por acaso, pois as pessoas estão sendo apresentadas a uma nova proposta de serviços financeiros. Ter uma conta digital sem mensalidade e com serviços completos é só um exemplo.

E para empresas, tem ainda emissão de boletos, gerenciador financeiro e até máquina de cartão de crédito, tudo isso por um custo muito abaixo do que o mercado costuma cobrar. Assim, até quem é microempreendedor individual (MEI) pode contar com tais facilidades no seu negócio.

Em tempos de comunicação ágil, a mesma internet que dá acesso aos serviços é utilizada pelos usuários para divulgar a novidade. E tudo isso só faz crescer o interesse a respeito das fintechs, aumentando a curiosidade sobre quem está por trás dessa verdadeira revolução financeira.

E por que se tornou a opção de tantos investidores?

Segundo destacou o portal do Valor Econômico, o ano de 2016 foi mais tímido para investimentos em startups, mas não quanto às fintechs. Segundo dados da consultoria FintechLab, a estimativa de investimentos em fintechs no Brasil foi de R$ 200 milhões em 2015 e chegou a R$ 450 milhões no ano passado – mais que o dobro, portanto.

A reportagem indica que, na visão dos investidores, há um mercado muito grande para o desenvolvimento dessas empresas no Brasil.

E veja que interessante a avaliação do investidor Hernan Kazah, da Kaszek Ventures. Segundo ele, o Brasil representa um dos seis principais mercados em fintechs, mas ainda de penetração baixa quanto a vários serviços financeiros.

“Avalio como um mercado que vai crescer, melhorando serviços do passado, que passarão a ser feitos de maneira mais eficiente para os clientes, em termos de custo e agilidade”, afirma ele.

Essa eficiência, que tanto agrada aos usuários, solta aos olhos também dos investidores, que identificam nas fintechs um potencial de crescimento enorme.

Então, tente pensar como um investidor e responda onde você aplicaria seu dinheiro para buscar a maior rentabilidade: em um modelo convencional e estagnado ou em uma proposta inovadora e ascendente?

Uma ameaça aos bancos?

Oferecer o mesmo que os bancos, mas de forma mais eficiente e por um custo menor. Parece claro que a proposta das fintechs é bater de frente com as instituições financeiras tradicionais, não é mesmo?

Mas não se engane, pois a ideia de quebrar um banco não chega ser inovadora e, certamente, nasceria fadada ao fracasso.

Ao observar a forma como os serviços financeiros são oferecidos, fica clara a diferença de proposta entre fintechs e bancos. Em primeiro lugar, o modelo inovador é 100% online, dispensa demandas presenciais e permite um gerenciamento completo por dispositivos móveis. Sua vida financeira – e a da sua empresa – passa a ser administrada pelo celular.

Já os bancos, embora disponibilizem o internet banking, surgiram em uma época “analógica”, podemos dizer. Assim, são ainda ideais para pessoas que preferem se deslocar até uma agência para suas movimentações.

Na fintech, o usuário não tem contato físico com atendentes e com o próprio dinheiro. Isso ainda assusta algumas pessoas, independentemente da idade, embora estudos como o da Goldman Sachs indiquem que os mais jovens preferem serviços financeiros oferecidos por startups.

Mas há alguns movimentos no mercado que apontam que as fintechs podem ser parceiras e não representam uma ameaça aos bancos.

O primeiro deles, como já comentado, é que o foco principal é outro. No Brasil, um dos objetivos do segmento é atrair clientes sem conta bancária, que totalizam mais de 50 milhões de pessoas.

Outro aspecto a considerar é a aposta dos bancos em novos projetos e até mesmo em parcerias com as fintechs, o que acaba sendo positivo para o consumidor. Este vídeo traz um pouco sobre essa visão.

Ao Estadão, o Banco Santander informou ver na na expansão das fintechs uma oportunidade para o setor financeiro. Já o Banco Itaú disse que a tendência se intensificará e poderá representar oportunidades de sinergia e negócios.

Essa visão positiva contrasta com a ideia de enfrentamento, bastante divulgada quando as primeiras fintechs começaram a atuar no país.

Tudo isso faz cair por terra a teoria de “apocalipse bancário”, conforme destacou em entrevista ao InfoMoney o diretor-administrativo para a América do CFA Institute, John Bowman. Para ele, mais provável que o fim dos bancos, como chegou a ser previsto, é a sua coexistência com as fintechs.

O que esperar dos serviços financeiros com o crescimento das fintechs?

Se a nova previsão se confirmar e o mercado financeiro for aquecido, de um lado pela concorrência e de outro pela parceria entre bancos e fintechs, o usuário só terá a ganhar.

O resultado aponta para uma melhora substancial nos serviços financeiros, tanto em novos produtos oferecidos, como em ganho de qualidade na forma como isso acontece.

É provável que o conceito de eficiência a baixo custo seja estendido das empresas de base tecnológica para as instituições tradicionais do mercado.

Dessa forma, demandas que hoje não são solucionadas integralmente e de maneira totalmente satisfatória por ambos modelos tendem a alcançar tal patamar.

No caso dos bancos, quem não deseja se deslocar até uma agência, provavelmente não mais precisará. Já nas fintechs, se o usuário preferir sacar dinheiro ou pagar contas fisicamente, talvez possa utilizar terminais de parceiros.

Essa, aliás, já é uma facilidade oferecida pela fintech brasileira conta.MOBI, cujos saques de sua conta digital podem ser realizados em caixas da Rede 24 Horas e pagamentos no Bradesco, além da função online, é claro.

Quais as perspectivas para o futuro?

As fintechs surgiram não como uma moda, mas como uma solução permanente. Quando se analisa o futuro desse tipo de startup, então, a pergunta a responder é até onde elas podem ir e não qual o prazo para saírem de cena.

Se você ainda não utiliza um serviço financeiro oferecido pela fintech, essa é uma tendência quase irreversível.

Seja ao contratar um empréstimo, ao fazer um cartão de crédito, buscar um seguro para sua casa ou realizar a gestão financeira da sua empresa, quando uma demanda surgir no futuro, a tecnologia será uma escolha natural. Eficiência, baixo custo, comodidade, praticidade e flexibilidade são algumas das razões.

Atualmente, segundo o FintechLab, há 250 fintechs em atuação no Brasil, concentradas especialmente em serviços de pagamento (30%). Conforme relatório sobre elas, muitas já estão se preparando para o mercado internacional. A perspectiva, como se vê, é bastante promissora.

Para saber mais sobre o futuro das fintechs, vale conferir neste vídeo uma entrevista com Fábio Ullmann, consultor do setor financeiro da IBM Brasil.

Conclusão

Neste artigo, abordamos o avanço das fintechs sobre o mercado financeiro brasileiro e mundial, destacamos como os bancos têm reagido a esse movimento e também como os usuários podem se beneficiar dele.

Conforme vimos, a perspectiva é bastante positiva, já há inovações disponíveis e muitas outras ainda devem aparecer nos próximos anos, tornando mais fácil qualquer processo relacionado ao gerenciamento do seu dinheiro.

Acreditamos que tenham ficado claros os motivos que levam ao crescimento econômico das startups fintechs, que parece mesmo irreversível.

Se você é um empreendedor e ainda não utiliza nenhuma solução oferecida por essas modernas empresas, vale se informar. Muitas facilidades podem estar ao seu alcance para qualificar a gestão financeira. Não deixe boas oportunidades passarem na sua frente.

Ricardo Capucio – Advogado, Escritor, Empreendedor Social e CEO da conta. MOBI.

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