Cultura organizacional da Nike: aprendizados para você e sua empresa

A cultura organizacional consiste na forma de pensar e nos valores que são disseminados por uma empresa. É algo intangível, mas pode ser percebido pelo comportamento dos colaboradores e pelas decisões tomadas pela organização.

A cultura funciona como a personalidade de uma empresa, algo que a diferencia das demais. Uma cultura forte é uma estratégia competitiva que começa nos valores internos da empresa e influencia a retenção de funcionários, o relacionamento com o cliente, a lealdade dos consumidores em relação à marca e impacta a sua saúde financeira.

Uma empresa conhecida por ter uma cultura organizacional forte é a Nike. Os valores disseminados por ela partem de dentro para fora e refletem no posicionamento da marca perante o consumidor.

Neste post, vamos falar sobre alguns aprendizados para a sua empresa com a cultura organizacional da Nike.

Os pilares da cultura organizacional da Nike

A Nike foi fundada em janeiro de 1964 por Phil Knight e Bill Bowerman. A companhia americana tem um faturamento de cerca de 19,1 bilhões, conta com 38 mil funcionários e atua em mais de 160 países. A marca está avaliada em cerca de 15 bilhões de dólares, sendo uma das empresas mais valiosas e influentes do planeta.

A posição ocupada pela Nike está relacionada aos valores cultivados pela organização. Podemos dizer que são 4 pilares fundamentais que sustentam a cultura: culto ao esporte; inovação; talento e diversidade e inclusão. Vamos explicar um pouco mais cada um deles.

Culto ao esporte

Para a Nike, se o indivíduo tem um corpo, então ele é um atleta. Assim, todas as pessoas são atletas. O objetivo compartilhado por seus colaboradores é inspirar e inovar para todos os atletas do mundo.

A paixão pelos esportes começa pelos seus fundadores e tem continuidade entre os funcionários, que podem treinar em qualquer horário, pois tem à sua disposição duas academias na sede da empresa.

A Nike divulga que o espírito do seu negócio é ser feito de atletas para atletas. Uma vez que são apaixonados pelo esporte, os colaboradores vão entender melhor as necessidades dos clientes.

Para isso funcionar da melhor forma possível, a empresa foi reorganizada de acordo com as diversas modalidades esportivas, o que acaba gerando diferentes tribos de funcionários que podem ser identificados de acordo com cada categoria.

Por exemplo, os colaboradores que trabalham com esportes radicais costumam usar roupas largas e descoladas, além de tatuagens e piercings. Já os que trabalham no setor de golfe ou corrida possuem outro estilo.

De acordo com Mark Parker, o CEO da Nike, essa estratégia de “quebrar a empresa em grupos menores” teve o objetivo de aproximá-la mais do público e entender melhor as suas necessidades:

“Os times mergulham no esporte para retirar sacadas profundas desses universos e transformar isso em inovações de produtos, em comunicação, em mensagem. Permanecer conectado com o atleta e com o consumidor é crítico para nós”, afirma o CEO

A estratégia de fechar contratos com grandes ídolos do esporte veio de um de seus fundadores, Phil Knight, conhecido como genial, enigmático, competitivo e imprevisível. É, por sinal, um dos grandes símbolos da empresa.

Além disso, o culto ao esporte é reforçado na empresa por imagens de atletas famosos. As vagas de estacionamento, edifícios e salas também são batizadas com nomes de atletas. A empresa é repleta de placas, fotos entre outros objetos que favorecem um clima de veneração pelo esporte.

Inovação

A Nike é um símbolo de inovação. O diferencial da empresa está em vender bem-estar, e, por isso, seu core business é focado nos processos de inovação. Como foi uma das pioneiras em terceirizar a produção, a Nike se concentra em inteligência de marketing, design e inovação.

São realizadas reuniões periódicas de brainstorming na qual todos os colaboradores são encorajados a expor suas ideias. Desses encontros, resultam ideias que são levadas aos setores de pesquisa. Além disso, os designers costumam conversar diretamente com atletas para entender o que pode ser melhorado nos produtos para entregar mais satisfação.

Além de profissionais talentosos e criativos, a empresa investe em laboratórios de tendências e centros de pesquisa e desenvolvimento. O laboratório mais importante foi batizado como cozinha de inovação. De lá saíram as novidades geradas nos últimos anos. É um local tão restrito que, para a entrar lá, a pessoa deve assinar um contrato de confidencialidade.

Talento

A Nike entende que a base de sua inovação vem de mentes talentosas. Por isso, investe pesado em treinamento para fortalecer as competências das equipes. Como consequência dessa postura, a empresa recebeu em 2013 o título de “Empresa mais Inovadora” em reconhecimento pelas habilidades demonstradas pelos funcionários.

Diversidade e inclusão

A Nike considera que a diversidade e a inclusão são fundamentais para a sua cultura organizacional — acredita que os seus colaboradores devem representar a diversidade de seus consumidores.

A diversidade favorece ideias diferentes e inesperadas e essas novas perspectivas criativas são o que movem a empresa. A organização defende que o esporte tem o poder de eliminar barreiras e superar diferenças.

A Nike conta com alguns programas de inclusão e diversidade, nos quais são abordados assuntos de conscientização cultural e respeito às diferenças, promovendo um senso de comunidade dentro da organização.

As lições para aprendizado com a cultura organizacional da Nike

O CEO da Nike, Mark Parker, divulga algumas das lições que podem ser aprendidas com a cultura organizacional da empresa:

Essas lições impactam na cultura da empresa, gerando um clima de orgulho em pertencer àquela organização. A maioria dos colaboradores não conseguem imaginar em outro local e muitos até tatuam o símbolo da marca em seus corpos.

A preocupação com a cultura organizacional em empresas brasileiras

Como a cultura organizacional é um fator de forte impacto para o sucesso da empresa, muitas empresas brasileiras já começaram a criar iniciativas para mudar a sua cultura, como uma forma de obter maior reconhecimento e melhorar sua vantagem competitiva.

É o que tem acontecido com o banco Votorantim e o banco Itaú, que estão tentando mudar a cultura e reiniciar os mindsets das equipes para obter uma performance superior.

O banco Votorantim tem realizado reuniões periódicas com os diversos setores para ouvir os funcionários e tentar conectar os valores à prática da organização.

Já o banco Itaú quer alterar sua cultura e começar pela mudança em valores hierárquicos. Uma das iniciativas foi fechar o restaurante dedicado a atender gestores de médio escalão em 2008 e o presidente enviou um e-mail aos funcionários solicitando que não mais o chamassem de “Doutor Roberto”, mas apenas de “Roberto”.

Mudar uma cultura organizacional não é algo fácil. Necessita de muito esforço e participação coletiva. Afinal, muitos hábitos e valores que até então estavam arraigados precisam ser alterados. Entretanto, a dedicação tem a recompensa na medida em que a empresa consegue se adequar melhor ao cenário atual e ao que os clientes esperam dela.

Com este post você aprendeu sobre os valores que sustentam a cultura organizacional da Nike. Além disso, alguns exemplos de empresas brasileiras que estão em fase de transição em sua cultura demonstram o quanto esse aspecto é determinante para o sucesso da empresa. O caso da Nike mostra o quanto a cultura está relacionada à estratégia e as pessoas.

Conteúdo via Fortes Tecnologia