Zhang Xin é fundadora e CEO do Soho, grupo chinês de construção Foto: Fotos: Reuters e Divulgação

Se para a mulher chegar a cargos de liderança é difícil, para participar de conselhos administrativos o desafio é ainda maior. Atualmente, apenas 8% das cadeiras dos conselhos no País são ocupados por mulheres, enquanto a média global é 15%. Para tentar contornar esse fato, a Saint Paul Escola de Negócios lançou um pós-MBA exclusivo para o sexo feminino.



O curso anual Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W) tem como objetivo capacitar executivas brasileiras para cargos de liderança ou conselhos administrativos. De acordo com a coordenadora do ABP-W, Anna Maria Guimarães, a ideia é dar vantagem competitiva às mulheres dentro de um tema que ainda está iniciando no País. “Na temática de governança corporativa nem todos os conselheiros têm a formação”, diz.

Para isso, o pós-MBA terá temas de discussão como compliance, governança corporativa, gestão de riscos e até comportamento. Durante as aulas também serão discutidos cases internacionais e de empresas brasileiras que passaram ou estão passando por desafios; por exemplo, a Samarco e a Petrobras. “No final do curso enviamos para as empresas uma recomendação sobre o que discutimos”, comenta.

O curso será realizado em cooperação com a Columbia University e a agência de classificação de risco Moody’s. A duração do pós-MBA é de 120 horas em São Paulo. No período de 25 a 29 de abril o curso será realizado em Nova York.

Foco

Segundo a coordenadora, outro objetivo do curso é apresentar as executivas às empresas. Para ela, é necessário aumentar a participação das mulheres no Conselho, mas também é importante mostrar onde estão. “O pós-MBA prepara as executivas para serem ativistas do ponto de vista construtivo”, ressalta.

Apesar do alto investimento para o curso (R$ 70 mil), Anna acredita que o fato de discutir questões atuais do País é uma grande vantagem. “Cursos internacionais debatem casos com a legislação e carga tributária do outro país”, aponta.

Para ela, o curso conversa com o cenário brasileiro. Atualmente, o Projeto de Lei 152/2014 define um percentual mínimo de participação de mulheres nos conselhos de administração das empresas públicas e sociedades de economia mista. “É necessário ter mais diversidade nos conselhos. Hoje em dia tem muita indicação”, explica.

Além de discutir o cenário empresarial brasileiro, as aulas irão abordar competências comportamentais para treinar argumentação, deliberação, ação em colegiado, visão sistêmica e visão estratégica. Segundo a CEO da Balluff Brasil e aluna do ABP-W, Adriana Belmiro, esta parte do curso irá ajudar às executivas na segurança. “O conselho é um ambiente muito masculinizado. Vai ser bom para a gente saber se posicionar sem se sentir acuada ou se preocupar com julgamentos estigmatizados.” A executiva também destaca a visibilidade e troca network com outras executivas.

Alto escalão

De acordo com a consultoria Grant Thornton, 57% das empresas brasileiras não possuem mulheres em cargos de liderança. O índice está bem acima da média global, de 32%, e coloca o Brasil entre os dez países que menos promovem mulheres para postos mais altos. É por isso, que empresas como Bombril e Ericsson têm programas que pretendem reverter este cenário.

A Ericsson anunciou recentemente duas mulheres para cargos de chefia: como vice-presidente de marketing e comunicação, Márcia Goraieb, e como vice-presidente de estratégia, Carla Belitardo. Segundo a empresa, a meta é ampliar para um terço o número de mulheres entre os colaboradores da América Latina, hoje 22% dos cargos são ocupados por mulheres. Outra meta é atingir até 2020 um total de 30% de mulheres em cargo de liderança.

Já a Bombril, que faz parte da Associação Movimento Mulher 360, lançará a terceira turma do seu principal programa de desenvolvimento Mulheres em Foco. O projeto de empoderamento feminino visa capacitar as funcionárias da empresa para que construam um plano de carreira e busquem cargos de liderança.



Outras metas da empresa são garantir a participação de mulheres em todos os processos seletivos, elevar em 2% o número e mulheres na empresa e aumentar em 40% o número de executivas em cargos de liderança. “Por ter um baixo turnover não tenho como colocar uma meta acima de 2%”, diz a gerente de recursos humanos, Katia Valença.

De acordo com ela, entre as vagas que já foram preenchidas por mulheres estão os cargos de gerência de planejamento financeiro, tesouraria, vendas, fábrica, marketing, sustentabilidade e pesquisa desenvolvimento e qualidade.

Questionada sobre cargos diretivos, ela afirmou que no momento a empresa está passando por uma revisão da estrutura e que ao ser concluídas as ações e seleção serão levadas em consideração para preenchimento das vagas.

Apesar da grande disparidade de gênero e salário no mundo corporativo, algumas internacionais já conseguiram mudar este ambiente e dar o primeiro passo para equidade. Executivas como Zhang Xin, Ursula Burns e Marissa-Mayer conseguiram atingir os mais altos cargos de empresas como Soho, Xerox e Yahoo.

Vivian Ito


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