O crescimento inexistente da economia brasileira em 2014 mostra que as empresas têm enfrentado uma crise econômica desde o ano passado. A crise já está instalada e não é uma novidade. Então, o que há de novo? Talvez os debates sobre nossa situação econômica não sejam só sobre o rumo que o Brasil irá tomar em 2015, mas, sim, sobre outro tipo de problema que se faz presente há muito e que agora fica cada vez mais claro: uma crise moral que se evidencia pela menor confiança das pessoas nas instituições.

Essa ameaça pode ser transformada em oportunidade à medida que as corporações desenvolverem as relações entre os colaboradores no ambiente de trabalho. É justamente este o gancho que utilizo para falar sobre a importância da gestão de pessoas em tempos difíceis. O que diferencia e acentua esta crise das demais é a falta de credibilidade nas instituições que nos representam. E cabe aqui uma observação: as empresas também fazem parte desta lista.



É fundamental que as empresas passem uma imagem de credibilidade para que as pessoas confiem nas organizações onde trabalham. Contudo, essa confiança só acontecerá quando cada colaborador se sentir inserido nos propósitos organizacionais, quando cada indivíduo sentir que faz parte da missão, visão e objetivos da organização. Para isso, é necessário um estreitamento nas relações entre os níveis hierárquicos da corporação, a fim de que os gestores estejam mais próximos da equipe.

Esta proximidade gera transparência, que é outro ponto importante para a gestão de pessoas. A empresa não deve esconder o jogo, sobretudo nos momentos de crise, pois ao agir de forma transparente deixará evidente para todos que a eventual necessidade de se tomar medidas austeras é momentânea. Assim, é possível mostrar o
quanto cada funcionário é respeitado e o quanto cada um deles é importante para enfrentar os desafios que se apresentam.

O cenário macroeconômico tem gerado um clima de incerteza, fazendo com que as organizações se mobilizem para se adequarem a este momento. Períodos como este geram a necessidade de identificar formas alternativas e criativas de rapidamente se ajustar ao novo contexto. A crise, apesar dos malefícios criados, também gera a necessidade de repensar e, em muitos casos, reinventar os negócios. As organizações são figuras jurídicas e o que lhes dá vida são os profissionais que nelas atuam, e é neles que reside o sucesso ou insucesso do empreendimento.

Desta forma, empresas que investem de forma estruturada na qualificação de seus profissionais e na retenção dos mesmos tendem a se diferenciar. Em épocas de crise e de escassez de recursos, é ainda mais importante a assertividade nos investimentos. Portanto, ter processos internos que identifiquem o estágio atual dos profissionais e os gaps de desenvolvimento é fundamental. É importante também o entendimento das aspirações destes profissionais, para que sejam criados mecanismos que os façam permanecer na empresa.

Temos uma pesquisa, realizada junto a líderes de organizações dos mais diversos segmentos, na qual buscamos identificar quais são os fatores que motivam a permanência dos profissionais nas organizações na qual temos os seguintes resultados: possibilidade de progresso de carreira e de desenvolvimento, comprovando que empresas que proporcionam esta condição criam um diferencial competitivo em relação às demais; o segundo item está relacionado com a exposição a desafios, nos quais possa se experimentar continuamente; em terceiro lugar aparece a possibilidade de fazer a diferença na função que desempenha, com um trabalho enriquecedor, no qual possa utilizar plenamente seus conhecimentos; o orgulho da organização, sua missão e a qualidade dos seus produtos também fazem toda a diferença.

Independentemente do momento em que vivemos, o que temos visto é que os profissionais cada vez mais estão sendo seletivos ao escolher onde irão construir suas carreiras e buscam locais onde encontram um alinhamento dos seus valores pessoais com os organizacionais. (Diário Catarinense)

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