Um dos termos mais pesquisados do Google no último ano, em relação ao mundo dos negócios, é “como dar baixa em uma empresa”. A crise econômica pela qual o Brasil passa desde o início de 2015 apertou o calo de muita gente que, sem ver prosperidade nos negócios, pensa em fechar as portas definitivamente.

Contudo, a realidade pode ser bem menos assustadora. Nem sempre é necessário fechar empresa para sair de cena sem prejuízo. Existem algumas saídas e elas passam bem longe de apenas desistir do que já foi construído e encerrar a empresa.

São justamente essas soluções que o Jornal Contábil apresenta nesta matéria.

Diversificação dos canais de venda

Não é porque uma empresa vai mal que a sua área de atuação está, necessariamente, em crise. Às vezes é apenas o seu canal de venda que precisa ser revisto para que o empreendimento volte a prosperar, mesmo em tempo de vacas magras. Os canais de venda são os meios utilizados pelas empresas para vender seu produto ou serviço. Os mais comuns são as lojas físicas, os atacados, representantes comerciais, franquias e e-commerce.

Uma loja pode ter sua representação online e, dessa forma, aumentar o alcance do público alvo sem mais custos de abertura de novo ponto. Pense em uma confecção que, ao invés de distribuir apenas para o bairro em que está inserida, pode até atender pessoas de outros estados. Geralmente o custo para a criação de um e-commerce é bem menor do que o da abertura de um novo endereço físico – e os ganhos podem ser escaláveis, já que o público não está mais restrito à sua cidade.

Mudar o ponto comercial também é uma boa saída para aqueles que tentam entender como encerrar uma empresa. Em alguns casos o problema não é o empreendimento, e sim o local onde ele está instalado, que não condiz com os objetivos do modelo de negócios. Nesse cenário, uma simples troca de CEP pode significar a retomada do crescimento.

Mudança no Modelo de Negócios

Seguindo essa mesma lógica, para que pensar no encerramento de empresa se você pode mudar o seu modelo de negócio?

Ao invés de encerrar empresa é possível “pivotar” ou mudar o modelo de negócios, aproveitando o know how e até mesmo a estrutura da empresa. Um exemplo bem atual de pivot são os negócios com loja física que se transformam em clubes de produtos ou serviços. Um açougue, por exemplo, pode se transformar em um clube de assinatura de carnes nobres, entregando cortes diferenciados em todo o país. As pessoas podem assinar pela internet e receber mensalmente o produto em casa. O mesmo acontece com doces, livros, vinhos, dentre outros.

A lógica é bem simples: ao invés de gastar com estrutura, pessoal e ponto comercial, investe-se em uma boa presença digital e distribui-se o produto com menor custo inicial. Veja que a ideia não é simplesmente vender pela internet, mas mudar o seu modelo de negócio, desde os seus clientes, fornecedores e parceiros até a forma como você presta o serviço e os seus canais de distribuição.

Recuperação Judicial

Se a empresa estiver em um momento crítico, a ponto de fazer um pedido de falência, pivotar ou aumentar os canais de venda podem não ser as melhores saídas imediatas para evitar fechar a empresa. Nesse ponto, como conseguir dinheiro para diversificar o negócio a fim de voltar a crescer?

Para dar a volta por cima nessas condições é importante saber o que é recuperação judicial e como solicitá-la, principalmente se a ideia é não fechar as portas do negócio de jeito nenhum. A boa notícia é que essa saída legal pode ser a grande virada de jogo para a empresa, principalmente se a empresa tiver uma boa reputação e se o mau momento for uma crise pontual.

Recuperação judicial é um dispositivo onde a empresa devedora ganha um prazo maior para pagar os seus credores. Sendo assim, o negócio também ganha um tempo no intuito de usar seu capital para reinvestir e voltar a crescer, saindo da condição de falência para ganhar a retomada financeira e, finalmente, conseguir honrar suas dívidas.

Só que a recuperação judicial, por si própria, não resolve o problema de ninguém. É preciso ter um plano de negócios bem estruturado para reerguer o patrimônio, pois, se a empresa não conseguir se reestruturar e crescer, sua falência e liquidação serão decretadas.

Vender ou fechar empresa?

Outra saída ao encerramento do negócio é a venda da empresa, que pode se dar através de uma passagem completa de bastão ou através de opções como passar o ponto ou vender os ativos do negócio.

Nos dois casos, e em todas as outras modalidades que tornam possível vender uma empresa, as negociações vão girar em torno de duas principais metas, que são: sair do negócio com uma soma em dinheiro; ou conseguir pagar as dívidas da empresa, evitando o pedido de falência.

É justamente por isso que a venda da empresa é uma boa saída para quem investiu no negócio, mas não deseja continuar. Nessa modalidade, é possível sair com retorno sobre investimento feito, além de conseguir honrar as dívidas, diferentemente de quando ele apenas encerra a empresa. Afinal, fechar empresa significa fechar as portas para quaisquer novas oportunidades. O que foi conquistado até ali termina, sem nenhuma chance de ser reerguido, pivotado, aumentado ou ajudado de alguma forma.

Fechar a empresa sem buscar alternativas, incluindo a venda, pode não ser uma saída positiva em termos financeiros. Muitos investidores estão de olho em empresas à venda e negócios promissores prestes a fechar, dispondo-se a pagar o valor justo para poderem tentar de novo.

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