Por Nicole Hardin – Diretora de Gerenciamento de Produtos na Sage

A perda de alimentos não é novidade para quem trabalha com a cadeia de suprimentos de manufatura. De modo geral, empresas alimentícias já contabilizam certo grau de desperdício em seus custos, deixando a questão no fim da lista de prioridades do c-suite.


O resultado é que esse tipo de perda tornou-se um custo invisível para grande parte da indústria, principalmente por ter sido normalizado como sobrecarga ao longo dos anos. Dito isso, os fabricantes de alimentos e bebidas trabalham em um cenário instável, planejando com semanas e até meses de antecedência e tendo que lidar com a imprevisibilidade do clima e às constantes mudanças nas preferências dos clientes.

Contudo, à medida que a sustentabilidade ganha importância entre órgãos reguladores e consumidores, existe uma pressão crescente sobre os fabricantes pela redução de perdas e por operações mais sustentáveis. Mas a sustentabilidade não é o único fator – existem diversas razões de negócios perfeitamente válidas para diminuir as perdas da produção, incluindo redução de custos e aumento da rentabilidade.

Infelizmente, as mudanças não acontecem sozinhas. É importante que as empresas busquem compreender as reais implicações do desperdício e explorar oportunidades para que a mudança ocorra. Tendo isso em mente, por que as empresas devem buscar a redução do desperdício de alimentos na cadeia de suprimentos e quais ferramentas podem ajudá-las a alcançar esse objetivo?

Pausa para reflexão

De acordo com um estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, cerca de um terço dos alimentos produzidos para consumo humano anualmente no mundo todo acaba perdido ou desperdiçado em algum ponto da cadeia de suprimentos.

Globalmente, isso equivale a 1,3 bilhão de toneladas e mais de 1 trilhão de dólares em alimentos desperdiçados.


Por que isso é importante para os fabricantes? Do ponto de vista financeiro, com o aumento contínuo do custo de manutenção de um negócio, a redução do desperdício de alimentos pode ter um efeito maior do que o esperado sobre o resultado final da empresa, seja reduzindo os custos de compra ou permitindo que uma empresa produza mais produtos acabados.

Na verdade, acredita-se que a melhoria da eficiência da cadeia de suprimentos em áreas importantes como produção, manuseio, armazenamento, processamento e embalagem, reduza o desperdício de alimentos em 700 bilhões de dólares no mundo todo, o que teria um impacto monetário direto sobre os negócios envolvidos.

Além disso, de acordo com um relatório de 2017 do Champions 12.3, mais da metade das empresas que investiram na redução do desperdício de alimentos tiveram um retorno pelo menos 14 vezes maior sobre seus investimentos.

Sem falar no aspecto ambiental, que vem ganhando cada vez mais importância tanto entre empresas quanto entre consumidores. Por exemplo, se o desperdício de alimentos fosse um país, ele seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Se isso não bastasse, a perda e o desperdício de alimentos geram mais de quatro vezes mais emissões anuais de gases de efeito estufa do que todo o setor de aviação.

Fabricantes que tomam medidas para reduzir a emissão de carbono provavelmente serão vistos com bons olhos pelos consumidores de hoje, que estão mais interessados em questões ambientais do que as gerações anteriores – o que pode resultar no aumento de vendas e fidelidade do cliente.

Assim, os argumentos em defesa da redução do desperdício de alimentos na cadeia de suprimentos são claros, e a notícia boa para os defensores da sustentabilidade é que cada vez mais empresas reconhecem seus benefícios potenciais. O desafio para os fabricantes, na verdade, é como fazer a mudança acontecer.

Colocando os planos em ação.

O número crescente de supermercados e fabricantes do mundo todo comprometidos com a redução do desperdício “do campo à mesa” impulsiona medidas positivas rumo à mudança em todas as etapas da cadeia de suprimentos. Mas como tornar esse compromisso realidade?

No fim das contas, o que importa de fato é a redução das ineficiências e a geração de insights, que é onde a tecnologia pode desempenhar um papel fundamental. Por exemplo, a implementação de ferramentas digitais para adequar a oferta e a demanda, controlar perdas e desperdícios e permitir preços dinâmicos podem representar uma economia de milhões em alimentos desperdiçados para os fabricantes.

Mais especificamente, os fabricantes devem implantar soluções de gerenciamento de negócios como ERP, para conectar todas as áreas de seus negócios, permitindo que a linha de produção e a cadeia de suprimentos trabalhem com mais eficiência. As ferramentas de gerenciamento de negócios conseguem reunir informações críticas de diferentes sistemas – gerenciamento de inventário e de pedidos, por exemplo – para aumentar significativamente a percepção operacional por meio da análise de dados em tempo real.

Assim, os fabricantes poderão identificar as áreas mais ineficientes da cadeia de suprimentos, além de simplificar processos e melhorar a colaboração.

Os fabricantes também podem recorrer ao pequeno número de start-ups que agora oferecem softwares de gerenciamento de resíduos alimentares para rastrear e monitorar o frescor ou implantar soluções de IoT para monitorar a temperatura e a localização de seus contêineres em tempo real.

Seja qual for o caminho escolhido, é fundamental que os fabricantes façam uma abordagem integrada, olhando para a cadeia de suprimentos como um todo. O sucesso na redução da perda e desperdício de alimentos está na capacidade de acelerar os diferentes estágios e garantir que todos estejam conectados.

Os softwares terão papel fundamental para que isso aconteça, permitindo que os fabricantes modernizem seus processos de negócios, melhorem a colaboração e aumentem a eficiência – e tudo isso contribuirá para a redução do desperdício de alimentos e, em última análise, para o aumento dos lucros.