Em tempos de crise, falta Contabilidade ao Brasil

Gildo Freire - Presidente do CRC-SP

No dia 4 de janeiro, o contador e empresário contábil Gildo Freire de Araújo, assumiu a presidência do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo – CRCSP, juntamente com os novos conselheiros que compõem um terço do plenário da casa, e estarão à frente do Conselho no biênio 2016-2017. Esta gestão norteará suas ações pelo lema: “Transparência e Responsabilidade Social com Excelência”. O novo presidente do CRCSP defende maior engajamento dos setores produtivos e da sociedade em geral, em busca de uma reforma tributária eficaz que permita a retomada do crescimento do Pais. Segundo Gildo, uma das metas desta gestão é mostrar à sociedade o verdadeiro papel da Contabilidade enquanto ferramenta para o desenvolvimento dos negócios, e que deve ser sempre pautada pela ética e responsabilidade, tanto no setor privado quanto no público. Nesta entrevista exclusiva ao Portal Dedução, o dirigente expõe outros pontos de vista sobre Contabilidade, tributos e a atual situação política e econômica do Brasil.

Neste momento que você assume a presidência do CRCSP, como vê a Contabilidade no País?

A Contabilidade no Brasil está em constante crescimento, quanto ao reconhecimento de seu valor e importância para a sociedade de um modelo geral e para o usuário das informações.

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Quais são, a seu ver, os maiores gargalos da profissão neste momento?

O reconhecimento da importância da Contabilidade em todos os seguimentos, da necessidade de transparência e responsabilidade social do uso do recurso público. A Contabilidade deve ser exigida por todas as atividades. Esse é o grande desafio do Contabilista, cujo espaço será conquistado cada vez mais, com o trabalho realizado.

O conhecimento e desenvolvimento constante se faz sempre necessário ao profissional, para essa capacitação. Se tivéssemos mais contabilidade, ética e transparência na área pública, teríamos um cenário diferente do que temos hoje.

O que os clientes esperam dos empresários da Contabilidade nestes dias de tantas mudanças e novidades na legislação empresarial?

Os empresários esperam que o profissional da Contabilidade agregue valor ao seu negócio, que o planejamento realizado e a análise dos resultados demonstrem e norteiem suas decisões, com segurança e maior tranquilidade, proporcionando resultados melhores.

Existe uma percepção de que os empresários atribuem aos contadores a responsabilidade pela quantidade de impostos, prazos apertados para apuração, multas, etc. Isso é real? Como equalizar essa questão?

De certa forma, a classe empresarial tem esse sentimento, mais pelo volume e complexidade das obrigações existentes, do que por conta dos tributos, porque todos sabem que a carga tributária é imposta pelo governo. Os Empreendedores precisam se organizar para exigir, por meio de suas entidades de classe, uma ampla reforma tributária que dê uma condição razoável para a continuidade de seus negócios, com uma menor carga de tributação.

As entidades contábeis têm sido atuantes em termos de buscar adequação às leis tributárias, mas como tornar a relação mais efetiva com os órgãos arrecadadores?

As entidades contábeis participam de forma organizada, provocando reuniões para discussão com os órgãos da fiscalização de todas as esferas, para tratarmos de assuntos tributários, suas obrigações acessórias e seu cumprimento, e isso será sempre necessário enquanto continuar a forma e o modelo atual que é exigido.

Você acredita que esse relacionamento pode evoluir ao ponto da Classe Contábil ser consultada antes da elaboração das leis tributárias?

Entendo que é de suma importância nossa participação na elaboração das leis tributárias, normatização e forma de cumprimento das obrigações, pelo conhecimento e capacidade que temos na aplicação das leis. A União, Estados e Municípios têm percebido cada vez mais essa necessidade.

A sociedade espera uma interferência maior da classe contábil nos temas tributários, como é possível aumentar essa participação?

Os profissionais da Contabilidade têm participado em várias frentes sobre temas que impactam a Contabilidade. A sociedade deve estar organizada por meio de suas entidades de classe, nos mais diversos seguimentos, para que possam exigir efetivamente uma reforma tributária, com maior representatividade e força política. Entendo que somente assim, juntos, poderemos exigir as mudanças que são tão necessárias.

E com relação à corrupção que assola o País? Está faltando Contabilidade no Brasil? Se houvesse mais Contabilidade poderia haver menos corrupção?

Tenho toda a certeza disso, agir com transparência, ética, responsabilidade, compromisso social e respeito, é o mínimo que a sociedade merece e a Contabilidade e o profissional da Contabilidade devem estar presentes em todas as organizações, públicas ou privadas.

Por Lenilde de León Revista Dedução Parceira do Jornal Contábil

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