Empreendedorismo feminino: 3 principais mitos de empreender e como se livrar deles

0

Se caminhar pela trilha do empreendedorismo pode ser uma tarefa árdua, dar o primeiro passo pode parecer ainda mais, principalmente para as mulheres.

Sabe-se que o empreendedor é envolto por mitos que o tratam como ‘o escolhido’, predestinado ao sucesso, com um talento natural para gerar lucro e a par de todos os assuntos que envolvem seu negócio.

Porém, a realidade é bem diferente. A psicóloga Sabrina Amaral, idealizadora da Epopéia Desenvolvimento Humano, entendeu isso na prática: “Quando decidi deixar uma carreira de 20 anos como executiva de Recursos Humanos [RH] para empreender, eu fui muito criticada e as pessoas achavam que eu não estava raciocinando bem”, conta.

Mesmo assim, o sonho de empreender falou mais alto. “Como a maioria das empreendedoras, eu tinha muito medo, especialmente pela questão da segurança financeira que a CLT traz todos os meses.

Contudo, fiz um ‘pé de meia’ para me ajudar e tive muito apoio do meu marido (isso foi fundamental), mas eu não fiz nenhum tipo de planejamento, não estudei ou me capacitei, achei que o conhecimento que eu tinha era mais do que o suficiente e o resto eu aprenderia na prática. Ledo engano… (risos)”, relembra a especialista.

Depois de dar início a sua jornada, percebeu aptidões e desafios diferentes dos que havia imaginado.

“Muitas tarefas que achei que teria dificuldade de fazer foram fáceis, como vender, e outras que eu achei que teria facilidade foram um desafio, por exemplo, aprender a selecionar bons fornecedores”, explica a psicóloga que notou, mais adiante, como o meio era romantizado: “Algumas pessoas que trabalham em regime de CLT sonham em empreender, imaginam um sonho idealizado no qual serão seus próprios chefes, terão liberdade de escolher sua jornada de trabalho, fazendo apenas aquilo que gostam e de quebra irão ganhar muito dinheiro.”

Essa imagem, de acordo com Sabrina, é reforçada pelas redes sociais: “Todo esse imaginário é sustentado nas redes sociais, especialmente por influenciadores e figuras públicas, os famosos ‘cases de sucesso’ de empreendedores bem sucedidos que vieram de baixo, persistiram e no final ficaram milionários. Isso tudo não é só irreal, como é supervalorizado.

Além disso, aproveitam-se para vender cursos, ferramentas e metodologias que podem não funcionar na prática. Quando aprendi o caminho das pedras me vi no dever moral de ajudar outras mulheres a fazer o mesmo e sair dessa perspectiva”, relata.

Os mitos do empreendedorismo feminino

Uma pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora, disponível neste link, aponta que o perfil das empreendedoras no Brasil é de uma mulher na faixa etária dos 30 anos, com filhos, e bem mais especializada do que a maioria dos homens em termos de formação.

Designed by @freepik / freepik
Designed by @freepik / freepik

Entretanto, entre elas, a insegurança é maior: “No geral, a mulher se acha menos preparada do que os homens para empreender, sente-se mais insegura e, por isso, se capacita mais.

Há ainda uma autocobrança excessiva nos papéis que ela exerce, pois ela acredita que tem que ser uma empresária de sucesso, ser uma mãe exemplar, esposa incrível, saudável, espiritualizada e feliz”, comenta Sabrina Amaral.

Ao longo de sua história como empreendedora, a psicóloga Sabrina Amaral observou e conviveu com todo tipo de discurso romantizado. Por isso, separou, logo abaixo, os três principais mitos de empreender e como se livrar deles:

1º Nascida para brilhar

As pessoas podem pensar que a empreendedora nasceu com uma estrela na testa, destinado para o sucesso, como se tivesse sido agraciada com um dom divino nato para fazer suas ideias virarem dinheiro facilmente.

Isso não é verdade. É fato que algumas pessoas têm mais facilidade para empreender do que outras, mas o sucesso ao empreender está em 10% de inspiração e 90% de transpiração.

Demanda muita resiliência, capacidade de se reinventar e de se automotivar constantemente, mesmo diante de adversidades.

2º A detentora de todo conhecimento

A empreendedora tem que ser uma especialista em todas as coisas de seu negócio: finanças, vendas, marketing digital, gestão, contabilidade e afins. Só que não.

Esse é um erro crasso de empreendedores de primeira viagem. Querem se especializar a fundo em tudo isso, em vez de dedicar tempo àquilo que de fato é o que faz deles únicos: seu core business.

Claro que você precisará compreender minimamente esses itens que mencionei, mas o ideal é que você arrume parcerias ou terceirize coisas que vão demandar o tempo que você poderia estar utilizando para fazer aquilo que só você sabe.

3º Aquele que anda só

Outra crença é a de que o empreendedorismo é um caminho solitário. E realmente ele pode ser, mas apenas se você se isolar e não aprender a se relacionar com pessoas.

Entenda que a sua rede contatos, o famoso networking, que fará seu negócio crescer muito mais rapidamente e ter maiores chances de ser bem sucedido. Para isso, existem grupos de apoio, ONGs, instituições que fomentam e apoiam o empreendedorismo.

#TodasJuntas

Sabrina Amaral acredita no poder da união para quebrar esses mitos e fortalecer a comunidade empreendedora feminina do país: “O lema é ‘Juntas somos mais fortes’. As mulheres empreendedoras criaram uma egrégora, nós nos ajudamos e falamos a mesma língua.

Nos últimos anos, o número de instituições que reúne, capacita, investe e desenvolve estas mulheres cresceu muito. 

Por exemplo, o grupo Mulheres do Brasil de Luiza Trajano, o programa Ela Pode do Google, e a própria Rede Mulher Empreendedora de Ana Fontes.

Ao ter contato com outras empreendedoras a mulher aprende, tira dúvidas com pessoas mais experientes, se prepara, tem apoio emocional de pessoas que sabem como ela se sente, recebe dicas práticas e diretrizes de como pode fazer seu negócio se destacar.”

Por fim, a psicóloga recomenda: “participe de grupos, busque fontes confiáveis para se capacitar, acredite no seu potencial, mas faça um bom planejamento, tenha um ‘pé de meia’ para trazer mais segurança e persista!

Empreender é aprender, esta jornada tem muitos desafios, mas as realizações, são indescritíveis. A conquista tem outro sabor, outro brilho, especialmente quando ela está alinhada aos seus valores e propósito de vida, como é o meu caso”.

Por Sabrina Amaral é psicóloga, psicoterapeuta e hipnoterapeuta Omni, practitioner em PNL e coach da mente.