A contabilidade brasileira vem passando por constantes mudanças que afetam a prestação de serviços e a carreira do contador como um todo. Além de questões na legislação, relacionadas a alterações em normas contábeisé preciso estar atento a questões relacionadas a processos e outras atividades que impactam no dia a dia das empresas e dos profissionais da área.

Com este post você vai entender como o open banking vai mudar os serviços de contabilidade, como ele funciona e de que forma os profissionais podem se adaptar às alterações.

O que é o open banking?

O movimento relacionado ao open banking começou de forma lenta no Brasil, e seus primeiros efeitos foram sentidos com o oferecimento de uma vasta gama de serviços digitais e novos tipos de instituições que passaram a operar no mercado bancário brasileiro.

Entretanto, mesmo com essas inovações na oferta de serviços e novas instituições atuando no mercado, o conceito de open banking ainda não estava sendo praticado em sua totalidade, ainda que utilizando o modelo baseado em Application Program Interfaces (API, ou “interface de programação de aplicativos”).

As APIs podem ser definidas, de forma simplificada, como instruções e padrões de programação que são utilizados para o acesso de um aplicativo, software ou uma base de dados. No ambiente nacional essas APIs não possuem integração com terceiros.

 

Isso ocorre porque essas instituições financeiras, mesmo com toda a tecnologia e avanço, têm os seus aplicativos desenvolvidos e utilizados em um ambiente fechado. Já a ideia do open banking é baseada no amplo compartilhamento de informações.

Partindo desse raciocínio, o monopólio dos serviços bancários seria quebrado e estes passariam a focar mais em soluções relacionadas à área para os seus clientes. Enquanto isso, outras empresas atuantes no mercado poderiam trabalhar no desenvolvimento de aplicativos e outras necessidades dos usuários.

Assim, instituições bancárias que não se adaptassem acabariam perdendo espaço no mercado, enquanto outras organizações que operam no varejo poderiam criar e oferecer serviços bancários digitais em seus sistemas.

O open banking é um conceito bastante amplo e inovador que compreende a criação de novos negócios na área digital ligados a instituições bancárias, sistemas e integração com diferentes empresas.

Com esse ecossistema digital, como também é conhecido, empresas, desenvolvedores e novos players podem entrar no mercado e criar aplicativos, soluções, processos que visem à integração entre produtos e serviços bancários e os clientes finais.

Quando começou o movimento do open banking?

A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (Competition and Markets Authority — CMA) iniciou em 2013 um processo para verificação do mercado dos bancos de varejo. Tal iniciativa almejava compreender, entre outros aspectos, a concorrência no setor e possibilidades de mudança.

Em 2015 foi aprovada a Segunda Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD2) dentro dos limites da legislação da União Europeia. Essa iniciativa veio acompanhada da criação de um grupo denominado The Open Banking Working Group.

Tal grupo é formado pelas instituições bancárias, fintechs e outras que atuam na área e visam elaborar e apresentar propostas para a criação e padronização das APIs. Isso tem o objetivo de permitir uma melhor integração, agilidade e uniformidade na prestação dos serviços.

As fintechs têm um papel de destaque neste cenário. Essas empresas são conhecidas pelas facilidades que oferecem em relação à prestação de serviços envolvendo a tecnologia. O seu papel será de integração ao sistema financeiro criando um ecossistema favorável aos clientes finais com mais liberdade e vasta gama de serviços.

Em 2018, todos os membros da União Europeia devem implementar as regras que abram as suas interfaces em seus sistemas, o open banking. Em um primeiro momento o prazo teve que ser estendido, porém as instituições europeias terão que se adaptar ao novo modelo de compartilhamento de informações.

O open banking no Brasil

No Brasil, o Banco Original é um exemplo dessa revolução. Além de nascer em um ambiente 100% digital, a instituição financeira tinha suas APIs que operavam no modelo open banking e permitiam operações como consultas, extratos e pagamentos.

Outro exemplo é o Banco do Brasil. Essa instituição foi o primeiro banco da América Latina a fazer uma operação estruturada dentro desse novo modelo de atuação interativa. A proposta da instituição visa ao compartilhamento de informações com desenvolvedores de aplicativos para a criação de produtos financeiros e o suprimento das necessidades dos clientes.

O raciocínio da utilização do open banking é esse mesmo. Permitir a ligação entre prestadores de serviços diversos e bancos, por meio do uso das APIs. Assim, as organizações não financeiras poderão entrar no mercado com tecnologia e recursos que nem sempre os bancos podiam oferecer.

Por outro lado, instituições com o BB podem oferecer todo o know-how, requisitos de segurança e práticas bancárias com os quais já estavam acostumados. No caso específico do Banco do Brasil, a versão ainda está em módulo beta, ou seja, versão de testes, mas já conta com duas APIs.

A primeira é denominada Financial Reports e possibilita, por exemplo, a consulta de extratos, fundos e cartões de crédito. Esse tipo de informação já vem sendo utilizada em aplicativos de gestão financeira, porém o banco espera que os desenvolvedores melhorem o serviço e promovam novas ideias para a sua aplicação.

Já a segunda modalidade está relacionada com os serviços de pagamentos, especificamente os de débito. Assim, será possível realizar compras via débito online em sites e aplicativos que poderão ocorrer de forma mais rápida e prática.

Porém, ainda existe um grande debate acerca da privacidade dos dados. No Brasil, em específico, a regulamentação ainda tramita no Congresso e no Senado e visa adaptar o modelo nacional ao que será implementado na Europa, mas seguindo os protocolos de segurança aqui necessários.

O que muda com o open banking?

A partir da implementação do open banking os bancos passaram a não mais concorrer somente entre eles, ou seja, haverá uma infinidade de empresas que poderá ofertar produtos e serviços financeiros. O mercado ficará mais eficiente e dinâmico.

A Comissão Europeia busca, entre outros objetivos, o aumento da inovação, a proteção aos consumidores, que passam a ter mais alternativas e também a segurança dos dados bancários destes. Com a implementação da PSD2 haverá uma grande mudança na cadeia de valores financeiros no mundo.

Assim, serão promovidos modelos de negócios diferenciados e que buscam privilegiar as expectativas dos clientes. Tais iniciativas se apresentam como um desafio para as instituições porque aumentam a competitividade, os custos e as exigências que estas passam a ter frente às adaptações necessárias.

Para as empresas, por exemplo, ficará mais fácil controlar contas e operações em diferentes instituições financeiras e também buscar serviços e taxas mais competitivas no mercado. Além disso, a parceria com empresas de tecnologia pode trazer avanços importantes para a contabilidade. Mas como isso ocorrerá?

Impactos do open banking para a contabilidade

Os contadores já estão acostumados com revoluções dentro do setor contábil. Elas ocorreram em relação a normas, sistemas, obrigações acessórias e ao mercado como um todo, que exige cada vez mais que os profissionais estejam sempre em constante evolução.

No que diz respeito ao open banking, as organizações terão vantagens em relação à competitividade e à flexibilidade de suas operações bancárias. Já o contador terá as suas atividades afetadas, inicialmente, à facilidade de acesso dos seus clientes à movimentação bancária.

Assim como em outras áreas da contabilidade, já revolucionadas pela tecnologia, a facilidade vai permitir que o próprio cliente reconheça e entenda melhor sua movimentação bancária. Isso possibilitará que o profissional da área atue de maneira mais gerencial do que operacional.

A conciliação também será afetada. Principalmente naquelas organizações que possuem uma movimentação bastante robusta com diversas instituições financeiras, o processo ficará facilitado, mais transparente e haverá um maior controle sobre as transações e menos erros durante a contabilização.

A automatização de processos, que já está tão presente em processos como o SPED, por exemplo, ocorrerá na adoção do open banking. Com isso, o contador preparado poderá cada vez mais buscar um lugar junto ao tomador de decisões, mostrando qual o melhor caminho a seguir na sua organização.

Como alguns softwares já possuem integração com dados bancários, com o aumento das possibilidades o contador poderá analisar diferentes perspectivas, sugerindo outras possibilidades para os gestores e buscando alternativas para que a empresa se torne mais lucrativa e competitiva.

Neste post você viu o que é o open banking, entendeu que realmente é uma revolução no mercado bancário e que vai abrir o sistema das instituições financeiras, fazendo a integração delas com outros players do mercado, como fintechs e empresas de tecnologia. Isso vai permitir uma maior competitividade, segurança e agilidade na prestação de serviços e oferta de produtos da área.

Também foi possível compreender que esse é um processo complexo e cheio de desafios, com mudança programada para 2018 na União Europeia. Porém, o mercado financeiro brasileiro já começa a se adaptar a esse movimento e oferece alguns serviços com a nova tecnologia.

Para os contadores é preciso ficar de olho nas novidades e sempre investir em capacitação. A adoção do open banking vai facilitar o trabalho de consulta, consolidação e conciliação dos dados bancários, permitindo que esses profissionais foquem cada vez mais no lado estratégico das organizações.

Redação Jornal Contábil com BLB

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