Estamos em uma crise mundial, considerada uma das maiores desde 2008.

Muitos negócios se viram em situação desafiadora jamais enfrentada.

Inúmeras empresas não conseguiram se manter no mercado, outras, estão na busca por restabelecimento.

À frente da MORCONE Consultoria Empresarial, desde 2015 e com mais de 35 anos de experiência no mundo corporativo, hoje trago uma reflexão sobre ser antifrágil em meio à crise que é o que tem mantido muitas empresas no mercado.

Recentemente no artigo Afinal, o que o empresário precisa ter para enfrentar crises? apontei o comportamento antifrágil como um dos atributos essenciais para que um negócio consiga não apenas continuar com as suas atividades, mas se desenvolver e conseguir, inclusive, aumentar a sua lucratividade.

Para enfrentar crises, o gestor precisa se preocupar com o planejamento empresarial, com a negociação, afinal, com a queda de faturamento será preciso rever contratos, repensar prazos, etc. e ter capacitação em gestão de negócios.

Essa capacitação pode ser adquirida por meio do auxílio de uma consultoria empresarial experiente ou até mesmo de um mentor empresarial, mas o recomendado é TOMAR UMA ATITUDE ANTES QUE SEJA TARDE.

Outro fator imprescindível para qualquer negócio enfrentar períodos de crise como essa do covid-19 é se preocupar com a gestão do capital de giro.

Um conselho que dou ao empresário é: no primeiro dia de cada mês olhe duas coisas muito importantes, o saldo no banco + o saldo do seu caixa (o quanto você tem disponível), depois disso, olhe para tudo o que precisa ser pago, considerando as previsões dos boletos que ainda não foram recebidos, mas precisarão ser pagos.

Divida o valor do banco e do caixa pelo valor de tudo o que deverá ser pago, se o resultado for menor que 6, a empresa não resistirá a uma próxima crise e talvez nem à crise atual.

Esse número 6 também é conhecido como indicador de liquidez imediata, esse cálculo deve ser realizado todo mês e o resultado deve sempre ser superior a 6.

Mas além de todos os fatores relacionados à gestão da empresa, é preciso considerar os fatores comportamentais, muito importantes para que um negócio consiga resistir em uma crise tão severa quanto essa.

Ser antifrágil em meio à crise é uma necessidade.

Antifragilidade durante a crise

Antifrágil em meio à crise – Entenda

O autor desse conceito é o professor libanês da Universidade de Nova Iorque, Nassim Nicholas Taleb, considerado um dos maiores pensadores do mercado financeiro.

O pesquisador defende que o oposto de frágil não é forte, mas antifrágil e que enquanto o que é frágil se perde, se deteriora em meio ao caos, o antifrágil se beneficia do caos.

Podemos pensar na reflexão de ser antifrágil em meio à crise como um modelo de mentalidade.

Por muito tempo se falava em resiliência, mas a antifragilidade é um passo além, considerando que a resiliência é a capacidade da pessoa de suportar as pressões sem sofrer alteração, na antifragilidade, a mente é desafiada a se aprimorar, a desenvolver habilidades ao invés de esperar para ver o que acontece.

O antifrágil faz acontecer.

Trazendo para a realidade econômica caótica de hoje, o empresário que é antifrágil em meio à crise, quando percebe que a sua empresa não vai bem, que no cálculo de liquidez imediata o valor é menor que 6, não vai esperar o problema se agravar.

Esse gestor vai rever imediatamente a sua gestão, processos, vai renegociar prazos, taxas, não vai esperar o problema amadurecer e engolir o seu negócio.

A saúde emocional é essencial no mundo corporativo, muitos empresários diante de uma crise não conseguem dormir sem remédios, não conseguem manter a mente tranquila sem receitas psiquiátricas.

Em muitos casos, além de procurar ajuda para reerguer a empresa do caos, o empreendedor precisa de apoio psicológico, rever a própria maneira de pensar.

Sem uma mente íntegra, sem as capacidades mentais operando com o máximo de equilíbrio, ficará muito mais complicado ajeitar as coisas no negócio.

Tudo o que surge de inovador no mundo é resultado de antifragilidade, de um estado mental em que o caos foi visto em segundo plano e, diante dele, houve transformação interior e realização de propósitos firmes.

Há aquele empresário que diante de uma crise, tende à inércia, à desistência e há o gestor que diante de adversidades, irá procurar maneiras de adquirir novas habilidades para fazer acontecer.

Mas como já mencionado, é possível reverter um estado de inércia para um estado de possibilidades, desde que o empresário primeiramente vença o seu próprio ego, reconheça a necessidade de auxílio, de orientação.

Ser antifrágil em meio à crise, como essa em que vivemos, uma das mais graves, de dimensão mundial, é uma necessidade entre as empresas que desejam se ajustar e se desenvolver.

Por Carlos Moreira – Há mais de 35 anos atuando em diversas empresas nacionais e multinacionais como Manager, CEO (Diretor Presidente), CFO (Diretor Financeiro e Controladoria) e CCO (Diretor Comercial e de Marketing). É empresário há mais de 15 anos e sócio e fundador da MORCONE Consultoria Empresarial.