Aquele conhecido ditado cujo texto prega que o ano começa somente após o Carnaval, para os brasileiros, não fez nenhum sentido neste ano. Tão logo entrou 2015, as mudanças na política econômica e o realinhamento de tarifas propostos pelo governo federal trataram de mostrar aos brasileiros que as coisas iam mudar antes mesmo de fevereiro começar – e não seria para melhor. A Quarta-Feira de Cinzas, que marca o fim do Carnaval, também escancara essa dura realidade para quem ainda estava de férias ou aproveitou as últimas semanas longe do noticiário.

Inflação preocupante, juros subindo, tarifas absurdamente altas e perspectivas negativas no médio prazo criaram um cenário assustador que parece, a cada dia, piorar, sangrando o bolso não apenas da classe média, mas de todo mundo que compra pão na padaria da esquina ou abastece o carro uma vez por semana para ir trabalhar. Mas o achaque não termina aí.

O Imposto de Renda – cuja defasagem na correção da tabela alcança 65% conforme dados do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) – já mostra as caras, pois março e abril são os meses tradicionais de prestação de contas ao Leão. Até agora, nem sinal de um mínimo reajuste na famigerada tabela. Vale lembrar que, em janeiro, a presidente Dilma Rousseff vetou a MP 656/2014, que previa uma correção de 6,5% nas faixas do imposto (o IPCA de 2014, índice oficial de inflação, terminou o ano com elevação de 6,41%).

Em casa, em pleno verão, a ordem é economizar. O aparelho split instalado há pouco para abrandar o calor dos últimos meses corre o sério risco de se tornar peça decorativa na residência devido aos recentes aumentos nas contas de luz. Não bastasse isso, já se sabe que outras elevações ocorrerão nas tarifas em 2015. Talvez seja melhor comprar um estoque de velas – caso siga assim, logo a energia será cotada a preço de ouro no Brasil.

Também não é de se duvidar que falte bicicletas no mercado, caso muitos motoristas troquem o custo proibitivo dos carros – devido à gasolina cara – pelas ecológicas e simpáticas bikes. Teremos, então, engarrafamentos nas poucas ciclovias existentes em Porto Alegre e na maior parte das cidades brasileiras.

Os exemplos citados podem parecer exagerados, mas a engrenagem político-econômica é tão complexa que faz com que os diversos custos e tarifas se cruzem em algum momento e terminem no mesmo ponto final: no bolso do consumidor. Tarifa maior de luz, custo elevado de combustível, câmbio pressionado com dólar a quase R$ 3,00, impostos abusivos: esta mistura, sim, caro leitor, está por trás daquele preço maior na mensalidade do seu filho, na conta mais alta do supermercado e no juro elevado cobrado no financiamento do seu carro novo.

Por mais que a presidente Dilma Rousseff justifique dizendo que as medidas são necessárias para realinhar economicamente o País e não perder o que foi conquistado nos últimos anos, como acreditar em um governo que começa seu segundo mandato de forma atabalhoada, sem se comunicar com a sociedade e imerso em uma crise de corrupção na empresa que sempre foi símbolo do orgulho brasileiro, a Petrobras?

Talvez seja o momento de a governante eleita sair do seu castelo e vir a público. Não se vê Dilma nas ruas desde a posse, no início de janeiro. É hora de dizer aos brasileiros porque seu segundo governo começou fazendo tudo que negou fazer durante a campanha eleitoral, ou a descrença da população só irá aumentar em 2015 – um ano praticamente perdido. (JC-RS-Jornal do Comércio do RS)

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