Algumas pessoas defendem a segurança da carreira pública. Outras pessoas preferem a aventura e as possibilidades de crescimento e reconhecimento das empresas privadas. O fato é que cada caso corresponde a um perfil profissional.

Porque perder a possibilidade de ter um perfil empreendedor ou ótimo na relação com o público e com amplo potencial de vendas atrás de uma mesa de uma estatal? Por outro lado, porque uma pessoa organizada, quieta com capacidade de raciocínio teria que perder anos de sua vida investindo em empregos que não lhe dão a possibilidade de explorar suas capacidades tendo que lidar com as pessoas ou com a pressão de resultados?

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Alguns profissionais trabalham muito bem com o murmúrio dos prazos e a pressão pelas metas de vendas ou de negócios fechados. Algumas pessoas não lidam bem com o meio empresarial, os riscos de demissão, a necessidade dos lucros, mas conseguem trabalhar muito bem em cargos de pesquisa, que exigem raciocínio e dão tranquilidade.

Entre cargos federais, estaduais e municipais, no Brasil ocorreram 140 concursos no ano de 2014, ofertando 42 mil vagas, com salários que chegam a mais de 25 mil reais. Para ser um funcionário público, é necessário passar em um concurso, vencendo os concorrentes. O concurso de escriturário do Banco do Brasil (nível médio), realizado em 2014, teve 636.386 candidatos.

Em 2015, entre os concursos mais esperados estão os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Receita Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), dos Correios, da Cordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal, entre outros. Ao todo, são previstas mais de 21 mil vagas.

Especialistas acreditam que as carreiras que estarão em alta em 2015, tanto em setor privado quanto em público serão aquelas ligadas a marketing, leis, indústria naval e petrolífera, construção e TI. O setor financeiro, também, terá um destaque especial.

E é bom se puxar em 2015, pois a tendência da maioria dos governos, incluindo o federal, e das empresas privadas é de corte de gastos. Enxugamento de folha de pagamento e terceirização de funções mais básicas, que permitam um maior fluxo de vagas nas empresas contratadas por licitação, a recessão financeira no Brasil e o aumento das taxas e impostos farão com que a oferta de vagas diminua nos próximos anos.

Alguns concursos são muito cobiçados, pelos salários atraentes, planos de carreira e pelo alto número de vagas. Esse é o caso do concurso INSS, que promete em 2015 abrir mais de 4700 vagas em todo o território nacional.

Entretanto, tendo tantas vagas em concursos, o que pode fazer as pessoas ainda quererem trabalhar em instituições privadas? Quais as vantagens e desvantagens de trabalhar para um órgão público e para trabalhar em uma empresa particular?

Em uma empresa privadas é possível atingir ganhos muito mais altos que no serviço público. De fato, isso é muito difícil de ocorrer, além de que os riscos que envolvem o investimento são maiores. O sucesso na iniciativa privada vem para quem tem o perfil idealizado por cada empresa. Isso quer dizer que não adianta uma empresa contratar um craque da matemática para trabalhar de corretor de imóveis. É um desperdício de talento, obviamente. Seria mais fácil investir na pessoa que tenha um perfil voltado para vendas.

Perfis empreendedores costumam ser grandes empresários, que investem pesado em empresas próprias e em outras empresas, quando conseguem identificar uma boa oportunidade de mercado.

Todavia, é bom salientar, que alguns órgãos públicos também oferecem boas perspectivas para pessoas com este perfil empreendedor. Se o funcionário trabalha em uma empresa pública, em um cargo dentro de sua formação, pode se destacar, com criatividade e vontade.

Além disso, é possível se valer do setor privado e público, ao mesmo tempo. Isso pode ocorrer em casos de empresas privadas que trabalham para órgãos públicos através de contratos por licitações, parcerias público-privadas ou empresas em incubadoras tecnológicas. Os funcionários não possuem os mesmos direitos trabalhistas de um funcionário público, mas trabalham utilizando a mesma estrutura e se beneficiam com o crescimento e desenvolvimento do Estado.

Admissão – a maioria das empresas privadas exigem algum tempo de experiência na função que vai contratar. Pois bem, como ser experiente se não se consegue trabalhar? Este é um drama recorrente para quem quer entrar no mercado de trabalho e busca uma vaga na iniciativa privada. Tendo experiência, ou caso o emprego não exija, é necessário entregar um currículo, fazer entrevistas e dinâmica de grupo. Se o candidato passar por tudo isso, se o recrutador entender que o perfil do candidato é adequado para as necessidades do contratante, então se faz a contratação.

O aspirante a um emprego público necessita fazer uma prova, um concurso. Dependendo da posição, pode ter a necessidade de fazer provas de títulos, apresentando um histórico da carreira. Não há necessidade de experiência e o que conta é o que o candidato fez, não valendo a aparência e todos os critérios são claros e previstos em edital público.

Salário – o salário nas empresas privadas é balizado pelo salário mínimo e o piso da categoria, se houver. Normalmente, funcionários mais jovens, em posições menores, banham menos. Posições maiores, funcionários mais experientes e com maior especialização e estudo, costumam ser mais bem pago. Os salários das empresas privadas variam conforme a oferta e demanda dos profissionais. Isso quer dizer que cargos que precisem de funcionários com conhecimento específico e com poucos profissionais disponíveis no mercado, pagam mais.

Empresas de grande porte ou que prezem pela manutenção dos seus funcionários, permitem o crescimento profissional. Ou seja, é possível crescer dentro de algumas empresas, tudo de acordo com a escolaridade do funcionário. Não pode alguém com ensino médio assumir um cargo de engenheiro, é claro.

O salário do funcionário público é regulado por lei, e fica exposto em portais de transparência. Sobre o salário básico, em alguns casos, somam-se adicionais de titulação, insalubridade e periculosidade. Na maioria das vezes, o salário básico no setor público é maior que no setor privado se comparados cargos semelhantes. Isso só muda se o funcionário da empresa particular for comissionado ou muito prestigiado, sendo disputado no mercado.

Todavia, o funcionário público costuma ter aumentos de salário em prazos de tempo maiores, pois nem sempre obedece o aumento do salário mínimo. Além do mais, algumas profissões recebem bem menos do que o valor de sua função, como professores, por exemplo.

Além dos salários, os servidores públicos são indenizados por uma série de atividades que os funcionários de empresas privadas teriam que pagar do próprio bolso, como saídas para cursos, viagens, plantões, etc.

Promoções – o funcionário da empresa privada pode mudar de posição, ganhando promoções. Mesmo em empresas mais simples, toda a equipe necessita um gerente. Não raras são as vezes em que o gerente é um funcionário que se destacou positivamente. Essa posição e situação pode gerar competição entre os funcionários. De certa forma isso pode aumentar vendas e motivas resultados, por outro pode desagregar equipes refletindo em um menor desempenho em curto prazo.

Algumas empresas investem na formação, capacitação, reciclagem e atualização de seus funcionários, possibilitando que concorram a promoções, aprendam novas estratégias de mercado, ganhando mais e atingindo posições de prestígio dentro das instituições.

Alguns cargos públicos possuem plano de carreira. Uma vez que o candidato passa no concurso, ele sabe que função irá desempenhar na estatal. Entretanto, por tempo de serviço e titulação, pode ter aumentos de salário e de peso dentro da empresa. Alguns órgãos permitem também que funcionários concorram a cargos de chefia, importantes e com bônus de salário. Mas, um funcionário não pode mudar de um cargo para outro dentro de uma empresa pública sem que realize novo concurso.

Carga horária – enquanto na empresa privada o funcionário precisa cumprir horário de trabalho, tendo ás vezes que permanecer fora do horário estipulado e nos finais de semana, o funcionário público trabalha somente o acordado em contrato.

Algumas estatais negociaram com funcionários e trocaram aumento de salário por redução da carga horária. A maioria dos cargos públicos costuma exigir 20 ou 40 horas semanais de trabalho. Entretanto, existem alguns cargos com tempo diferente deste padrão.

Demissão – nas empresas privadas, a demissão é o maior medo dos funcionários. Principalmente, para aqueles que não atingem as metas ou possuem produtividade abaixo dos colegas. Essa situação é uma mácula nas empresas, gerando insegurança, e limitando o espírito empreendedor de alguns profissionais criativos, mas com medo do fracasso.

A estabilidade profissional é o maior atrativo da carreira pública. Tanto os funcionários de contrato regido por estatuto, com estabilidade total, quanto os funcionários com contrato regido por CLT, possuem maior segurança para seus empregos. Para o estado é caro realizar processos seletivos e arcar com muitos processos de ex-funcionários insatisfeitos.

Enquanto os funcionários da iniciativa privada podem ser demitidos com ou sem motivos, e ficam expostos a variações de mercado, o funcionário público só pode ser demitido com causa efetiva e comprovada. Além disso, para demissão de funcionário público o processo precisa ser transitado e julgado, até que não haja mais recursos. Na prática, só são demitidos por delitos graves e, somente em alguns casos, em casos de total inatividade.

Benefícios – as empresas privadas podem negociar benefícios com os funcionários, como vale transporte, vale refeição, cesta básica, plano de saúde, e outros. Podem pagar os benefícios integralmente, descontar uma parte em folha ou fazer convênios em grupos. Empresas maiores podem incentivar os funcionários a se unirem em associações, mantendo sede física e aglutinando os componentes para descontos em convênios e benefícios. Os valores envolvidos podem variar conforme a empresa e o nível do cargo do empregado.

Na administração pública, os benefícios são instituídos em lei, esclarecidos e expostos em edital. O funcionário sabe no momento da inscrição os benefícios a que terá direito. Em alguns casos os benefícios podem ser oferecidos em grupo, para baratear os custos. Os valores e a natureza dos benefícios também pode variar conforme o cargo.

Deficiente físico – o governo federal tem investido pesado em programas que incentivam e que dão incentivos fiscais para empresas que contratam deficientes físicos. Isso aumentou muito o mercado de trabalho para este grupo de pessoas. Entretanto, os maiores salários e condições de trabalho, ainda são no setor público. Os concursos públicos reservam cotas para deficientes.

Férias, licença e afastamento –o funcionário público pode sair de férias, se afastar por motivos diversos ou pedir uma licença, sem se preocupar com seu emprego. Na iniciativa privada, o funcionário sai se preocupando com o andamento da empresa, se seu cargo pode ser ameaçado, se o mercado vai variar, etc.

Aposentadoria – o funcionário de uma empresa privada pode tem o plano de aposentadoria básica, pela Previdência Social, com contribuição em folha de pagamento. A aposentadoria varia conforme o montante pago e costuma ser proporcional ao salário recebido ao longo de toda a carreira do trabalhador. Os empregados que querem receber mais podem pagar previdência privada.

O funcionário público se aposentava com salário final integral. Depois do fator previdenciário, eles passaram a receber a metade do salário. Alguns funcionários se reúnem em associações e criam um fundo de pensão em grupo, em que investem mensalmente, contratam um especialista em investimento e aplicam o dinheiro, que fica rendendo. Quando se aposentam, recebem de acordo com o montante investido, pelo tempo que projetaram.

Definindo: privado ou público? Público ou privado?

Obviamente, a segurança do setor público é maior. Entretanto, perde-se um bom tempo estudando para concurso. Para trabalhadores que iniciaram cedo suas carreiras, essa escolha é natural, pois tiveram tempo para avaliar seu potencial e suas possibilidades. Aqueles que são bons vendedores e lidam bem com pressão, são bons gerentes, trabalham bem em equipe, podem ter uma ótima carreira em empresas privadas. Fazer uma autoanálise crítica pode ser um meio de saber em que setor investir.

Por: Rafael Demarche e Portal Plenário

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