Governança em empresas familiares: quais os principais desafios?

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No final de 2016, a PWC divulgou a Pesquisa de Empresas Familiares no Brasil, que revelou que cerca de 80% das mais de 19 milhões de companhias brasileiras são empresas familiares. O levantamento trouxe outro dado importante: apenas 12% do total de empresas familiares sobrevive após a terceira geração familiar assumir o comando da organização.

Entre os inúmeros desafios para que um negócio familiar tenha sucesso, o investimento em inovação e o planejamento sucessório são dois dos principais, além das empresas familiares necessitarem de adaptação às mudanças no mercado. Há ainda a necessidade de maior profissionalismo e controle na hora de tomar as decisões que irão impactar a empresa. Se o lado pessoal se mistura com a gerência da organização, é sinal de que há um problema a ser resolvido.

Outro grande desafio é enxergar num membro da família capacidade suficiente para assumir os negócios da família. Para aquele que irá liderar a empresa, provar-se capaz para os familiares também é uma tarefa difícil. Segundo a PWC, pelo menos 41% das empresas familiares planejam que a próxima geração da família assuma o negócio.

O empresário Valdir Piran Jr., 29 anos, que recentemente assumiu a vice-presidência do Grupo Piran, empresa criada há 26 anos pelos seus pais, explica que as novas gerações, ao assumirem o negócio da família, questionam os valores, e por vezes, interferem diretamente na gestão empresarial e atividades da empresa. Isso ocorre porque segundo ele, os jovens empresários percebem a necessidade de mudanças e inovações que aqueles que os antecederam, por vezes, têm resistência em enxergar ou aceitar.

“O mercado está em constante mudança, o mundo dos negócios também. É natural que as gerações familiares percebam mudanças imprescindíveis para que a empresa continue a ter sucesso, principalmente comportamentais e que envolvam as novas tecnologias. É um ciclo desafiador, pois nem sempre é fácil convencer os que estão a nossa volta de que aquelas mudanças são importantes”, afirma o empresário.

Sobre os conflitos que surgem na tomada de decisões, o jovem empresário aponta a importância de se criar um ambiente de respeito e construção mútua do negócio. “As divergências sempre existem. Mas os limites em relação a função e obrigação de cada um deve ser sempre clara”, diz Piran Jr.

Desafios a serem superados

A falta de comprometimento de funcionários que façam parte do núcleo familiar da empresa pode representar um grande percalço. A exigência e pressão sobre as tarefas a serem executadas podem prejudicar o relacionamento entre as partes. Outro desafio é o controle das emoções no ambiente de trabalho. Não deixar que as relações familiares transpareçam e estabelecer limites sobre o papel de cada membro é uma das saídas para resolver o problema.

A ausência de hierarquia também pode representar um problema, pois mesmo numa empresa familiar, é necessário que haja uma definição clara da função que cada um deve exercer, de acordo com o que for delimitado. Privilégios para familiares e carência de inovação e reinvestimento dos lucros são outros dois grandes desafios que precisam ser superados.

Confira algumas dicas para uma gestão empresarial familiar de sucesso, segundo o vice-presidente do Grupo Piran, Valdir Piran Jr.

Determine um plano sucessório: é muito importante definir quem irá assumir os negócios e quais funções serão determinadas para cada membro. Tal planejamento poderá evitar surpresas em relação a execução das operações;

Estabeleça metas e objetivos: ao assumir os negócios, faz-se necessário estudar o que se deseja melhorar e aquilo que se quer alcançar diante da nova gestão;

Crie um processo de tomada de decisões: tal iniciativa irá evitar que os laços familiares atrapalhem as decisões e tarefas da empresa. Será por meio da tomada de decisões que cada membro saberá qual sua função dentro da organização;

Estabeleça governança e profissionalização da gestão: inovar e promover mudanças positivas não significa desrespeitar o legado da família, mas sim enxergar o futuro do negócio. Um modelo de negócio que consiga acompanhar as novas tendências de mercado terá mais chances de ser bem sucedido;

Valorize a meritocracia: enaltecer a capacidade de atuação de cada colaborador da empresa é uma forma de evitar que os laços familiares passem a ser vistos como critérios para possíveis privilégios.