Hackers conseguiram invadir os sistemas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e alterar resultados da prova da OAB em pelo menos duas ocasiões.

A invasão de uma das instituições de ensino superior mais prestigiadas do país foi revelada pela Polícia Federal, em uma operação realizada nesta terça-feira, 04, em São Paulo.


A PF identificou ao menos dois advogados que conseguiram a aprovação na segunda fase do exame da OAB após pagarem a hackers para invadir a FGV, que realiza o exame nacional.

Tanto OAB quanto FGV colaboraram com a investigação e não há informação sobre a participação de funcionários das instituições na fraude.

As notas da segunda fase da prova dos candidatos foram alteradas diretamente no sistema da fundação que realiza o concurso. A segunda fase é dissertativa, o que torna o critério de notas menos rígido. 

A prova da OAB é requisito para atuar como advogado profissional e notoriamente difícil de passar (a reprovação já na primeira fase costuma ficar em 80%), e por isso um bom mercado potencial para vendedores de atalhos. São 125 mil candidatos por ano em média. 

A operação, chamada de “Singular”, foi realizada nesta terça-feira após dois anos de investigações. Cinco pessoas foram presas e a investigação continua para verificar a possível participação do grupo na fraude de outros concursos públicos realizados pela FGV.

A quadrilha presa pela PF tinha uma atuação diversificada incluindo estelionato, furto, fraudes em concursos e similares, fraudes bancárias e também venda de cartões de crédito clonados.


Dos mandados de prisão, dois foram cumpridos em São Paulo (um na capital e outro em Santos); dois no Rio Grande do Sul (em Santa Maria e Tapes) e outro no Ceará (Fortaleza). Os agentes também cumpriram cinco mandados de busca e apreensão.

Via Juristas.com.br