Jackson Hyppolite, em um encontro sobre direito trabalhista para haitianos - MidiaNews

Após cinco anos vivendo em Cuiabá, o haitiano Jackson Hyppolite, de 27 anos, realizou o sonho da família inteira e se tornou um contador graduado. Ele é um dos primeiros haitianos a concluir um curso superior no Estado.

Jackson concluiu os estudos em Ciências Contábeis na Universidade de Cuiabá (Unic) e foi o primeiro haitiano a concluir tal graduação.

A história dele em Mato Grosso começou em julho de 2013, quando chegou no Estado para estudar e trabalhar. O rapaz, que na ocasião não sabia falar português, conhecia apenas uma pessoa em Cuiabá: um amigo que fez por meio de rede social e o incentivou a vir para a Capital.

“O primeiro lugar que conheci no Brasil foi Joinville, em Santa Catarina, onde fiquei por duas semanas, mas não consegui me adaptar. Não me senti bem recebido. Diferente de Cuiabá, lugar em que as pessoas são acolhedoras e gostam de ajudar. Por isso estou aqui até hoje”, afirmou.

Em Cuiabá, ele morou com o amigo que o ajudou a conseguir o primeiro emprego como montador de móveis. Entretanto, não ficou por muito tempo no trabalho por não assinarem a carteira de trabalho.

Poucos meses depois, o amigo mudou-se, mas ele foi amparado por uma família que o recebeu em sua casa e o ajudou a conseguir a vaga de peixeiro em um supermercado de Cuiabá, onde trabalha até hoje. Nesse período, ele também iniciou a faculdade.

Jackson relembrou a infância e adolescência difícil em sua terra natal.

“O sonho de todo haitiano pobre é estudar para ajudar a sua família. Meus pais fizeram o que era possível por mim. Fiz o nível médio e um curso avançado de inglês na minha terra natal. Era o que podiam me proporcionar”, disse.

Então, ele decidiu vir para o Brasil tentar uma vida nova.

“Minha família é composta por 10 pessoas. São oito filhos e eu sou o único a me graduar. Isso um orgulho para todos”.

O formando, que integra uma turma de mais de 30 estudantes, afirma que é grande a expectativa dele e da família. Ele classifica o sonho da graduação como “uma vitória coletiva”

“Desde que cheguei em Mato Grosso, aprendi muito, trabalhei bastante, e agora colho os frutos desse esforço. A vida aqui me ensinou que podemos tudo, basta acreditar no nosso potencial. O dia da colação de grau será o mais feliz da minha vida, quando poderei dizer: ‘agora eu sou um contador de verdade’”, comemorou.

A colação de grau está marcada para o dia 22 de agosto. Após a formalidade, a expectativa dele é conseguir trabalho em escritório de contabilidade, a fim de colocar em prática tudo que aprendeu na universidade. Com isso, ele espera ter condições de colaborar financeiramente com a família que ficou no Haiti.

Migração

Entre 2010 e 2015, mais de 85 mil haitianos entraram no Brasil. Nos últimos 10 anos, mais de 3.500 haitianos migraram para Cuiabá, conforme relatório divulgado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), extraído pelo Instituto de Migrações e Direitos Humanos.

A maioria dos haitianos consegue trabalho na área de construção civil e comércio informal.

Todos os estrangeiros que chegam ao país estão protegidos pela Lei de Migração nº 13.445, aprovada em maio de 2017, que confere a igualdade de direitos a quem passar a viver no Brasil. Bem como, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Fonte: MidiaNews

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