Empresas de responsabilidade limitada têm sentido maior dificuldade que as S/A

Com o objetivo de harmonizar as demonstrações financeiras consolidadas publicadas pelas empresas abertas, por profissionais de contabilidade da Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, México, Holanda, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos criaram, em 1973, o IFRS ou Normas Internacionais de Demonstrações Contábeis.

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Atualmente numerosos países tem projetos oficiais de convergência das normas contábeis locais para as normas IFRS, inclusive o Brasil, onde as regras passaram a ser obrigatórias em 2010.

A partir do advento da adoção do IFRS, as escolhas sobre a aplicação das normas contábeis recaíram sobre a administração das próprias companhias, por exemplo, o método de depreciação a ser aplicado ficou a cargo da própria companhia, por um lado muitos elogiam as mudanças que provocaram uma maior responsabilidade e envolvimento por parte da administração e de seus executivos financeiros, mas por outro lado geraram suspeitas de dificuldades comparativas.

Mistério

Mas quatro anos se passaram e as novas regras de contabilidade ainda são um mistério para investidores e também para profissionais de contabilidade. A completa adoção destes princípios tem-se mostrado nada simples, exigindo constante atualização e a elaboração de um plano estratégico de implantação.

As empresas de responsabilidade limitada têm sentido maior dificuldade do que as sociedades anônimas, o que se deve à diferença na cultura organizacional entre os dois grupos.

Segundo estudo de Max Eduardo Heilborn, mestrando MBA de Contabilidade Financeira da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC) da UFRJ, cerca de 38,33% dos freqüentadores típicos das reuniões promovidas pelas empresas abertas têm pouca ou regular familiaridade com o IFRS. Cerca de 10% admitiram não ter nenhuma conhecimento e 13,33% disseram ter grande esclarecimento do assunto.

Dúvidas

“Embora tenha havido muita divulgação, não acredito que o IFRS tenha sido suficiente, havendo muitas dúvidas por parte dos profissionais de contabilidade e da comunidade financeira em geral”, destacou Heilborn.

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O estudo mediu o grau de familiaridade e conhecimento dos participantes das reuniões públicas das empresas promovidas pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec Rio) com relação ao IFRS.

Na pesquisa foi investigada a absorção dos conhecimentos das normas do IFRS pelos investidores e pesquisada sua familiaridade com o IFRS; avaliou-se a comparabilidade e maior utilidade, segundo a opinião dos entrevistados, das demonstrações financeiras.

De acordo com estudo realizado em seis reunião de grandes empresas no ano passo, o freqüentador tem familiaridade regular com o IFRS, embora 60% não tenha lido nenhuma orientação técnica. Para os que leram, a orientação mais lida foi o CPC, 21,54%.

O estudo revelou ainda que a grande maioria dos entrevistados, 80%, acredita que a adoração das novas normas de contabilidade melhorou a transparência das demonstrações contábeis.

“Esse dado mostra, que mesmo com baixa familiaridade e leitura das demonstrações contábeis, a confiança nos status quo, denotando que se mudou então é para melhor, sendo que houve baixa discordância”, diz relatório.

Para Heilborn , o IFRS materializa uma linguagem comum dos números entre os países, num formato de aderência paulatina as normas, de maneira que os usuários internacionais se sintam mais confiantes em normas que tendem cada vez mais a serem uniformes entre vários países aumentando a fidedignidade e comparabilidade dos números apresentados nas demonstrações financeiras. “Além disso as normas são permanentemente atualizadas e revisadas de forma que não fiquem desatualizadas e reflitam o que ocorre na realidade”, explica.

Comparabilidade

Os entrevistados também acham que o IFRS melhorou a comparabilidade dos balaços das companhia. Cerca de 40% acredita que melhorou muito e 40% pouco. “As respostas a essa pergunta evidenciam uma maior dificuldade na interpretação das demonstrações financeiras devido a uma maior necessidade de aprofundamento dos padrões contábeis utilidade e sua singualaridade, como e tempo e método de depreciação por exemplo”, diz o estudo.

O trabalho de Heilborn acaba concluindo que há uma necessidade de uma maior difusão das normas contábeis relativas ao IFRS entre o público de investidores. Na sua opinião existe divulgação sobre o tema mas a maioria, que ele tem visto, não é franqueada ao público. Com Monitor Mercantil

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