Impactos da adoção do Pix Cobrança na quitação de dívidas

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Ao completar seis meses desde o seu lançamento, não resta dúvida de que o Pix já faz parte do dia a dia dos brasileiros.

Segundo o Banco Central, no dia 16 de maio, data da comemoração de seu primeiro semestre de existência, a ferramenta contava com mais de 242 milhões de chaves cadastradas, sendo 83 milhões de usuários pessoas físicas e mais de 5,5 milhões de empresas.

O BC estima que aproximadamente 75 milhões de brasileiros já usaram o Pix para pagar ou receber, o que significa 45% da população adulta do país.

Mesmo estes números superlativos, representam apenas o começo da jornada de um instrumento de pagamento que deve ser ainda mais representativo, já que uma lista de outras funcionalidades já tem data marcada para entrar em funcionamento e atrair ainda mais pessoas e empresas para o mundo dos pagamentos instantâneos.

Quando avaliamos com mais profundidade o Pix Cobrança por exemplo, que por característica tem um funcionamento muito similar ao de um boleto – a partir de 1º de julho todos os participantes do Pix precisam ser capazes de fazer a leitura do QR Code e possibilitar o pagamento para data futura – existem aspectos envolvidos na adoção desse mecanismo que precisam ser avaliados pelas empresas para, por um lado, aproveitar ao máximo sua potencialidade, e por outro lado, evitar problemas decorrentes de um descompasso entre a velocidade do Pix e um ritmo eventualmente mais lento das estruturas e processos de atendimento ao consumidor.

 Só para exemplificar, basta analisar a situação de uma distribuidora de energia elétrica.

Imaginando que a ordem para cortar o fornecimento de luz de uma residência por inadimplência tenha sido dada e no meio do caminho aquele débito tenha sido quitado com uso do Pix.

Legalmente, aquela falta de pagamento deixa de existir imediatamente, mas se o funcionário responsável pelo corte não tiver acesso a essa informação, o serviço será executado, e o consumidor prejudicado indevidamente.

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Pix é o pagamento instantâneo brasileiro. O meio de pagamento criado pelo Banco Central (BC) em que os recursos são transferidos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora ou dia. É prático, rápido e seguro. / Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

 Quanto isso pode custar em termos de processos judiciais e arranhões na imagem da empresa? Para evitar que estes prejuízos aconteçam, é fundamental que os  pagamentos via Pix sejam atualizados e disponibilizados instantaneamente ao time operacional.

O mesmo tipo de cuidado deve ser aplicado em operações de crédito.

Com o Pix, o score dos tomadores de empréstimos e financiamentos se tornará muito mais  dinâmico podendo se transformar rapidamente dentro do mesmo dia.

Pela manhã a pessoa pode constar com uma pendência e no meio do dia isto não ser mais uma verdade.

Para decisões mais assertivas e um processo mais fluido, as ferramentas de análise de crédito deverão também contar com atualizações on-line dos recebimentos via Pix.

Outra situação que merece atenção é que, como o Pix permite pagamentos em finais de semana e feriados, estes recursos, que antes eram contabilizados apenas em dias úteis, agora passam a ficar disponíveis na conta das empresas imediatamente.

Desta forma, para não deixar de rentabilizar esse dinheiro, as organizações precisam se preparar e prever a aplicação dos recursos originados pelo Pix creditados em dias e horários não úteis.

Estes são apenas alguns exemplos que deixam clara a necessidade de ajustes em rotinas (sistêmicas ou não), as quais se iniciam sob o prisma financeiro, mas que podem repercutir em tesouraria, contabilidade, impostos, crédito e operações.

E isto, pelos números apresentados no início deste texto, deve ser feito na velocidade do Pix.

Caso contrário, os problemas ou a perda de recursos podem chegar primeiro e em grande proporção.

Por: Bruno Segatto, cofundador da Xsfera, plataforma de serviços especializados de consultoria de negócios e regulatória, focada no mercado financeiro e de pagamentos.