Mesmo com a crise econômica que permeia no país há alguns anos, investir em um intercâmbio tornou-se prioridade e uma alternativa para muitos brasileiros. Isso porque, além de estar em contato com outra língua e da experiência de vida que esse tipo de viagem proporciona, a oferta de trabalho é grande e, quem vai fazer um curso técnico ou superior, facilmente conseguirá trabalhar em cafés, lojas, restaurantes com uma boa remuneração, diferente do que acontece no Brasil, em que profissões como garçons e faxineiras possuem remuneração baixa. De acordo com uma pesquisa recente realizada pela Belta – Brazilian Educational & Language Travel Association, a busca por educação internacional aumentou mais de 20% no último ano.

Carolina Jesus, sócia-fundadora da The Six International Studies, agência de intercâmbio para o Canadá, explica que, além de juntar um dinheiro e fazer uma reserva proporcional para a quantidade de meses que a pessoa ficará em outro país, é preciso pesquisar, se organizar para não cair em possíveis ciladas e evitar grandes gastos. “Diferente de outros países, para conseguir um emprego no Canadá, devemos seguir algumas regras. Além disso, existem formas simples de economizar no dia a dia e que tornam a viagem mais tranquila e sem preocupações”, conta a especialista. 

Ainda de acordo com ela, o Dólar canadense é mais barato do que o Dólar americano e do que a Libra esterlina – moeda da Inglaterra. “Então, é mais acessível um intercâmbio para o Canadá do que programas para os Estados Unidos e Inglaterra, por causa da taxa de câmbio”, complementa.

Abaixo, Carolina lista os principais pontos para se atentar durante essa experiência. Confira:

1 – Conheça as regras de trabalho: a única maneira de trabalhar no país é investindo em um curso técnico ou profissionalizante. Isso porque, quando você vai com o intuito de estudar, automaticamente terá autorização para trabalhar 20 horas semanais que serão consideradas um trabalho part-time – ou seja, meio período. “Esse tipo de oferta de trabalho é bem alta em lugares como lojas, cafés, restaurantes, recepções de clínicas, açougues, shoppings e supermercados. Esses estabelecimentos procuram muitos estudantes para preencherem vagas, principalmente em época de festas como Natal, Ano Novo ou Páscoa” esclarece.

Por meio deste curso, a pessoa receberá um documento denominado Work Permit (Permissão de Trabalho), sendo autorizado para trabalhar regularmente no país. Assim que tiver com os documentos em mãos, será necessário comparecer ao Service Canada – Instituição do governo -, e mostrar os documentos para adquirir o SIN (Social Insurance Number), onde conseguirá o registro para receber o salário. Cursos de inglês não oferecem permissão para trabalhar no país. Caso algum brasileiro vá para o Canadá por meio de alguma empresa, o processo para o funcionário tornar-se elegível deve ser realizado pela empresa responsável para que ele receba o visto de trabalho. É necessário pagar o imposto de renda de acordo com a faixa salarial. O Imposto varia de província para província, em Ontário, por exemplo, o percentual é de 13%”, explica.

2 – Fique por dentro das facilidades para o transporte público: todos sabemos que aqui no Brasil, principalmente em São Paulo, encaramos um considerável problema de locomoção. A notícia boa é que no Canadá os transportes públicos são super acessíveis, organizados e preparados para as baixas temperaturas do local. “Por isso, recomendamos não usar táxi. Aproveite esse período para andar a pé, conhecer cada canto do país, entender um pouco sobre a cultura e, para trajetos longos, com certeza o ônibus vai te ajudar. Assim, é possível economizar uma boa grana”, explica.

Hands waving flags of Canada

Além disso, se você for ficar um longo tempo por lá, terá a opção de adquirir o Cartão Presto para usufruir do sistema de transporte que inclui ônibus e streetcar – uma espécie de bondinho 24h -, além do metrô, sem se preocupar com tarifas isoladas para cada viagem. “A partir da primeira tarifa paga do Presto, o usuário terá duas horas para se locomover usando os meios de transportes pagando apenas  uma vez, ou ainda a opção do passe mensal que, para estudante custa, $122,45 por mês e pode ser usado de forma ilimitada”, salienta Carol.

3 – Compre roupa de frio por lá: outro ponto bem importante é a roupa de frio. Se você está cogitando passar uma temporada no Canadá deve saber que por lá as temperaturas no inverno podem atingir -30°C. Não se assuste com os números, apesar de muito gelado, o país é totalmente preparado para receber essas temperaturas e todos os estabelecimentos – inclusive transportes públicos – contam com um sistema de calefação.

“Sobre a questão da economia de roupas, a minha dica é deixar para comprar tudo por lá. As minhas lojas preferidas são: Winners, Hudson’s Bay Vaughan Mills outlet, Toronto Premium Outlet e Dixie Mall – todos localizados na GTA – Grande Toronto Area . Outra recomendação é aproveitar as promoções que acontecem ao longo do ano. Em feriados, os outlets costumam oferecer preços promocionais também ”, diz.

4- Lojinha de R$ 1,99 de Toronto: quem mora no Brasil está acostumado com a famosa lojinha de R$ 1,99. A boa notícia é que no Canadá também é possível encontrar objetos em conta, tanto para quem viaja, como para trazer de lembrança aos amigos. “A Dollarama, com diversas lojas localizadas por todo o país, é uma opção bem bacana para comprar lembranças da sua viagem. Lá, todos os produtos têm um valor máximo de $4,00. Se você desejar ter maior comodidade no intercâmbio, é permitido ter uma conta bancária no país mesmo sem ter cidadania, podendo manter o dinheiro no banco e usar o débito.”, recomenda. 

5- Itens para levar do Brasil: para aqueles que gostam de produtos de beleza, em geral, shampoo, condicionador, cremes e maquiagens, no Canadá, são mais baratos que no Brasil e vale a pena o investimento nas marcas locais, porém, os esmaltes são caros. “As marcas de esmaltes brasileiras não ficam para trás em relação a qualidade e apresentam um preço muito menor. Também recomendo levar adaptador de tomadas, mochilas, pinças de sobrancelhas, amolador de cutículas e água oxigenada. Vale lembrar que biquínis e calcinhas têm um modelo diferente do que as brasileiras estão acostumadas, então vale levar na mala”, explica.

Antes de fechar um pacote com a agência de viagens, tome cuidado com as ciladas:

A especialista explica que é preciso se atentar a alguns pontos. “Pesquise bastante sobre a empresa na qual você está fechando a viagem, peça referências, verifique o CNPJ, mapeie os conteúdos e comentários das pessoas nas redes sociais. Além disso, outra dica é pesquisar quais as escolas que essa mesma agência tem parceria, se são renomadas, reconhecidas e qual a procedência delas”, explica Carolina.

Ainda de acordo com ela, também é importante checar os parceiros daquela empresa, quanto mais detalhes conseguir, melhor. “Algumas agências não cobram taxa de administração/serviço no momento em que o cliente fecha o intercâmbio e outras cobram por esse serviço. A The Six, por exemplo, não cobra essa taxa, então vale a pena pesquisar sobre isso como forma de economizar”, finaliza.

Sobre a The Six International Studies: Empresa especialista em intercâmbio para Toronto.