Internacional: A “uberização” da contabilidade

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Pedro Coutinho, Responsável pela área de Contabilidade da PRIMAVERA BSS, via Jornal Econômico de Portugal

No setor da Contabilidade, vislumbram-se mudanças tão impactantes como aquelas que a Uber provocou no transporte privado de passageiros, mas o setor parece adormecido.

A Uber teve a capacidade de mudar a forma como olhamos para os serviços, fazendo-nos compreender que os mesmos não são imutáveis. Na verdade, a mudança está em curso e muitas vezes nem damos por isso, pois tendemos a pensar que as transformações são lentas e apenas perceptíveis umas décadas depois.

O fenômeno da Uber veio provar precisamente o contrário. Os serviços estão a mudar hoje, e se as empresas prestadoras de serviços querem apanhar a onda da transformação e disponibilizar serviços arrojados e ajustados às exigências das empresas modernas, têm que agir agora.  Este é o momento.

Paira a sensação de que a maior parte dos contabilistas está demasiado focada no cumprimento das inúmeras obrigações que tem perante o Fisco e os seus clientes, não tendo capacidade de antever o que está para chegar. E este cenário torna-se ainda mais preocupante se pensarmos que ao longo de 2017 a contabilidade das empresas irá sofrer profundas alterações devido à entrada em vigor das Taxonomias, que acarretam mudanças quer no Plano de Contas, quer na estrutura do ficheiro SAFT-(PT).

Consciente ou não dessa realidade, a transformação digital dos Escritórios de Contabilidade está a entrar pelos gabinetes adentro, não pela porta grande mas pela fibra que os conecta à Segurança Social ou ao Ministério das Finanças. Todos estão a ser puxados para a era digital, ainda que sem darem por isso, e talvez muitos não estejam ainda preparados para tirar o máximo proveito das ferramentas que lhes são impostas.

Mas afinal, o que é isto da “uberização” da contabilidade?

É muito simples traçar um paralelo entre ambas as realidades: a do transporte privado de passageiros e a prestação de serviços de contabilidade. Se imaginarmos que o “destino” pretendido pelos clientes dos contabilistas é o cumprimento atempado das obrigações fiscais, então teremos uma “viagem” normal, semelhante àquela que é proporcionada pelo serviço de táxi tradicional. Porém, se oferecermos ao cliente um serviço mais ágil, que permita guiá-lo pelos pontos de maior interesse na gestão da sua empresa, que proporcione informação relevante exatamente na hora certa, contribuindo para a monitorização da performance e para o aumento da rentabilidade, aí o serviço será diferenciador.

Tecnologia aplicada ao serviço é o futuro

Muitos contabilistas já disponibilizam este serviço diferenciador às grandes contas, no entanto, a maioria das PME acede ainda a um serviço tradicional de táxi. A questão que se coloca é: como disponibilizar este serviço global a todas as empresas? A resposta é simples: tecnologia aplicada ao serviço – tal como fez a Uber.

É aqui que entra o papel essencial das software houses, também elas desafiadas a encontrar soluções que permitam agilizar a relação entre cliente e contabilista, deixando para trás um modelo de trabalho tradicional que limita a produtividade e o papel de consultoria de negócio que os contabilistas devem ter e, por outro lado, tira agilidade às empresas e dificulta o acesso a indicadores de gestão e informação de apoio à decisão, que podem ser tão decisivos na performance empresarial.

A grande diferença está na experiência que se tem ao longo do “percurso” e nos resultados obtidos. Cabe agora a cada um decidir como pretende fazer a “viagem”, sem esquecer que é na velocidade que hoje está a diferenciação.

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