Investigação eletrônica: principal fonte de provas de fraude e corrupção nas empresas

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Uma estimativa da Association of Certified Fraud Examiners revela um dado alarmante para as empresas: 5% da receita anual de uma companhia são desviados por fraude. O Brasil também tem sido alvo desse tipo de crime. Segundo a empresa TrendMicro, somos o 2º país do mundo com maior incidência de furto de informação bancária pela internet. Em 2011, aconteceu por aqui o maior ataque de invasão de computadores, que durou cinco dias, atacou portais do Governo e vazou dados da Presidência da República.

Nesse contexto, o que notamos é que, na última década, o aumento da ocorrência de crime digital no Brasil tem sido a nova realidade para agências de investigação. Vale lembrar casos recentes de corrupção como a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que apreendeu centenas de computadores, analisou e investigou milhões de documentos eletrônicos. A partir disso, foi possível a descoberta de inúmeras outras fraudes, além das relacionadas ao escopo original do projeto, a realização de uma investigação financeira para apuração de reflexos na contabilidade da empresa e apuração e indiciamento de todos os envolvidos dentro da organização.

Esses dados confirmam a importância do trabalho em conjunto com a utilização de técnicas tradicionais de investigação e os métodos eletrônicos como cyber forensic e e-discovery. Hoje, em paralelo aos grampos telefônicos e as provas testemunhais (delações premiadas), a investigação digital é a principal fonte de prova. Ela entra como complemento importante ao uso de fontes tradicionais como relatórios das áreas de gestão empresarial, integridade corporativa e compliance, documentos oficiais da organização, relatórios contábeis e de auditoria externa, contratos, pagamentos, e transações financeiras, entre outros.


Com o auxílio da tecnologia, a computação forense e preservação de provas eletrônicas são tendências dos meios de produção de provas na sociedade atual uma vez que a maior parte das informações corporativas sensíveis está em formato eletrônico disponível em dispositivos como servidores locais, computadores e telefones corporativos, computação em nuvem, messenger e comunicadores institucionais.

Somente com a associação desses dois métodos será possível alcançar resultados consideráveis como a recuperação e análise de arquivos eletrônicos para fins de apresentação em juízo; a garantia de que as informações eletrônicas das corporações possam ser utilizadas a favor das organizações; levantamento detalhado das redes de relacionamento envolvidas nas fraudes; a descoberta de novos problemas, antes ignorados, identificados indiretamente, a partir do foco principal; e o desenvolvimento por especialistas em cyber forensic de engenharia reversa e identificação de falha em criptografia para emissão de documentos públicos.

Independente da origem do crime, real ou virtual, as companhias precisam estar comprometidas de forma proativa a endereçar corretamente casos de suborno e corrupção. Temos parâmetro legal claro no Brasil, apontando a necessidade de investigação como parte necessária do novo ambiente de negócios, indicando que ter uma estrutura de compliance pode ser um diferencial competitivo relevante para as companhias do mundo.

* Antônio Gesteira é diretor da KPMG responsável da área de computação forense
Colega jornalista,
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