Já pensou em uma carreira internacional?

Se você é uma pessoa flexível, aberta a diversidade, com um bom domínio de idiomas e quer explorar diferentes culturas em sua vida profissional, uma carreira internacional pode ser uma excelente escolha.

Esse são os pontos de convergência nos relatos de Giacomo Monaco e Carolina Fracaro, trainees do programa Global da ABB, companhia global de tecnologias de eletrificação, robótica, automação industrial e elétrica.

Giacomo Monaco é de um pequeno vilarejo próximo a Salerno, cidade do sul da Itália com pouco mais de 130 mil habitantes. Estudou administração de empresas na Universidade de Bocconi, em Milão e se especializou em finanças e contabilidade. Durante seus estudos na Bocconi, Giacomo fez intercâmbios em Uppsala, na Suécia, e em Cantão, na China. “Ali iniciei o que se tornaria minha jornada internacional”, ele conta. “Participei ativamente de grupos estudantis, toquei em uma banda, me aproximei o máximo que pude das pessoas. É que para conhecer a cultura de um lugar é preciso participar das atividades locais e eu aproveitei todas as oportunidades para fazer isso. Estar fora da sua zona de conforto é desafiador, mas ao mesmo tempo é apaixonante. Conhecer diferentes culturas, ver como as pessoas se relacionam, se encontram, é incrível”, ele conta.

Depois de formado, Giacomo começou a trabalhar em auditoria externa e consultoria. “Durante dois anos viajei muito pela Europa e pude ver o funcionamento de várias outras empresas. Isso foi muito importante para mim, porque você sai da faculdade e não sabe fazer nada e esse trabalho certamente ajudou a complementar minha formação”, complementa.

“Pronto para novos desafios, fui em busca de outras oportunidades. Um anúncio sobre o programa Global Trainee da ABB, no portal da universidade Bocconi, chamou minha atenção. Vi que nesse programa eu teria que ficar seis meses na Itália, seis meses em Zurich e um ano em um outro país. Parecia um sonho pra mim, especialmente porque gosto de viajar. Então quando me chamaram, não acreditei. O processo seletivo foi bastante exigente e envolveu várias entrevistas sobre as minhas competências,  uma apresentação em inglês e um trabalho em grupo. Mas depois que fui aprovado, percebi que o que me diferenciou foram as minhas competências comportamentais, em particular a flexibilidade, abertura para experiências culturais e facilidade de convívio com a diversidade.

Meus colegas eram de 18 nacionalidades. Para cada tema que era trazido pela empresa havia uma visão diferente. Um exemplo disso foi um exercício no qual nos pediram para pensar em nossas famílias. Quantos de vocês pensaram em menos de cinco pessoas, perguntaram. Todo o pessoal da Europa central levantou a mão. E assim foi até perguntarem quem pensou em mais de 50 pessoas. Um rapaz da Arábia Saudita e eu levantamos a mão. Ficamos emocionados, nos abraçamos. E ali percebi que apesar das diferenças existem proximidades entre as culturas. Eu tive cinco chefes de nacionalidades diferentes, os times na ABB são muito misturados. É muito interessante, a empresa é verdadeiramente multicultural”, enfatiza Giacomo.

“Quando você começa uma experiência desse tipo, é exposto a essa diversidade toda e desenvolve sua inteligência emocional, tem que ficar atento a todas essas culturas. No meu trabalho, tenho que me comunicar com pessoas de diversos países e aprender o jeito certo de fazer a informação ser transmitida. Para isso é fundamental entender a cultura local e o jeito certo de dizer as coisas.  É preciso ser cuidadoso e sensível às diferenças. Não há uma linguagem universal, são muitas nacionalidades e muitos businessesdiferentes. Se a comunicação não é efetiva, fica difícil. Para participar de um programa como esses é preciso ser flexível e facilmente adaptável. Ganhar essas competências é maravilhoso, porque elas se tornam ferramentas chave para a sua vida como um todo”, complementa.

Na maioria das vezes, os trainees desse programa retornam ao seu país de origem. Mas esse não foi o caso do Giacomo. “Quando terminei meu ano aqui no Brasil,  eu poderia ter voltado para a Itália, mas escolhi ficar. O Brasil é um país  dinâmico, com oportunidades para pessoas com vontade de fazer mais. Tenho 32 anos, estou aqui há cinco, me casei com uma brasileira e estou certo que o que me ajudou a alavancar minha carreira foi concluir bem algumas tarefas. Isso sempre me abriu novas possibilidades de aprendizado. É verdade que um dos aspectos deste desafio é o desconforto. Mas também é verdade que esse mesmo desconforto impulsiona você a ser mais atuante, proativo. Acho que temos que fazer o nosso melhor, sempre. Se você esta fazendo café faça o melhor café, se sua tarefa é fazer xerox, faça a melhor cópia possível. Na minha experiência, se você faz bem o seu trabalho e o comunica da melhor forma, o retorno é imenso”.

Carolina Fracaro, paulistana de 25 anos, é formada em administração. Após um intercâmbio de um ano na Inglaterra, começou a trabalhar em uma empresa brasileira até que viu a vaga do programa Global Trainee da ABB, por acaso. Achou a oportunidade excelente e se candidatou. “É uma experiência muito atraente, especialmente para quem quer ter uma vivência profissional prolongada fora do Brasil”, ela conta.

“São dois fora da sua zona de conforto, meu chefe me avisou na entrevista. Na hora me deu um frio na barriga, um medinho de pensar se isso era pra mim. Mas a gente se adapta às mais diferentes situações e hoje sou uma pessoa muito mais flexível. Agora estou na Espanha, sou trainee de finanças, moro há um mês em Madrid. Tanta coisa acontece em um mês, parece que estou aqui há mais tempo. Trabalhei seis meses no Brasil, outros seis na Suíça e escolhi a Espanha para a experiência de um ano.

Eu me surpreendi muito na Suíça, aprendi muito com a organização deles, com sua forma de ser. O ambiente de trabalho é bem diferente, não compartilham tanto sua vida pessoal, o que muda bastante as relações. São mais diretos, objetivos e certamente mais pontuais. E é um alivio você não ter que se justificar tanto quando não pode fazer alguma coisa, algo que aprendi que nós brasileiros temos como característica cultural. Em Zurich, éramos 11 trainees de 11 países diferentes. Estabelecemos uma rede entre nós que ainda se mantém.

Escolhi a Espanha como destino para trabalhar neste último ano do programa por várias razões. Aqui tenho espaço me desenvolver profissionalmente em minha área e quero aprender espanhol de verdade. É um país distante do Brasil, mas não tão diferente culturalmente. Acho que essa escolha deve ser feita com sabedoria, compreendendo os seus limites pessoais. Durante os meus seis meses na Suíça, percebi que me aproximei muito de latinos, poloneses, pessoas que vinham de culturas mais quentes. Então a Espanha, dos 32 países que eu tinha para escolher, fazia mais sentido para mim”, explica Carol.

“O programa oferece uma estrutura excelente para os trainees e é uma oportunidade excepcional de aprendizado. Você se conhece melhor, compreende o que é diversidade cultural, se torna mais aberto e receptivo às diferenças. O desafio é grande, sem dúvida. O dia a dia nem sempre é fácil, há momentos em que a gente se sente só, fica meio triste, com saudades de casa, é claro”, complementa.

Carol quer voltar para o Brasil quando o programa terminar. “A gente vem pra cá para aprender e levar esse conhecimento de volta para o Brasil. Mas hoje em dia, se me mandassem para a China, eu iria, seria mais uma experiência para agregar. A gente se acostuma com essa vida, eu me tornei uma cidadã do mundo”, reforça.

Wilson Monteiro Junior, diretor de Recursos Humanos da ABB, acha que “todo mundo deveria tentar uma experiência como esta para sair da caixa, viver de uma forma diferente, aprender. Um programa como esse é um presente e quando a oportunidade aparece, você deve agarrá-la – tanto profissionalmente quanto pessoalmente”.

“Criatividade não surge de um ambiente onde todos são iguais. Um ambiente multicultural facilita o desenvolvimento da criatividade e potencializa o convívio com a diferença. Praticar o diferente no dia a dia não é fácil e este programa se propõe exatamente a oferecer isso. Não é simples, mas o exercício cotidiano faz com que isso se torne um processo natural, que multiplica nos mais diversos cantos do mundo uma cultura verdadeiramente global”, reforça.

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Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece Entre em contato: [email protected]

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