O perfil de líder servidor terá uma atuação crucial agora no período de turbulências causadas pelo novo coronavírus. 

Trabalhar remotamente foi uma ação forçada, logo a equipe que não estava habituada a esse cenário pode sofrer impactos, sobretudo na comunicação e no lidar com essa realidade conflitante.

Pessoal e profissional nunca estiveram tão próximos. E agora, como organizar tudo isso? 

Esse é um cenário sensível para repensar em modelos ajustáveis e focar principalmente no bem-estar do time e na qualidade da liderança para agir como intermediária, direcionar e ouvir com empatia. 

O líder servidor será fundamental para que a empresa enfrente esse momento sem grandes perdas, preservando a saúde emocional dos seus colaboradores e a sustentabilidade do fator  humano. 

Plano Consultoria destaca condutas importantes por parte da liderança em cenários como o atual de pandemia, de insegurança,  isolamento e turbulências socioeconômicas. 

O que é um líder servidor? Quais as características? 

O conceito de ‘Servant leandership’ não é novo, pertence a uma filosofia antiga chinesa conceituada por Lao Tzu, uma figura lendária na China e propagador de diversas ideias relacionada a movimentos anti-autoritários.

É uma mudança de padrão relacionada a liderança.

A pirâmide de poder é invertida em determinados aspectos (não em todos), uma vez que o líder precisa praticar o seu ofício de direcionamento.

No lugar das pessoas trabalharem para servir a um líder ou determinações impostas por ele, são orientadas a desempenhar suas funções com propósito, criatividade e maior autonomia.

 Características pessoais do líder servidor:

  • Calmo
  • Ético
  • Humano
  • Honesto
  • Verdadeiro
  • Transparente

Como o time precisa enxergá-lo:

  • Uma pessoa acessível
  • Decidido
  • Bom ouvinte
  • No lugar de dar ordens é um exemplo
  • Coerente – vive o que diz
  • Observador
Líder servidor

Liderança remota – quais serão os desafios?

Liderar times remotos será um desafio para a maioria das empresas.

Além das questões práticas de organização da rotina, execução das tarefas, a delicadeza do cenário e o despreparo das pessoas para lidar com o que antes não estavam habituadas, devem ser considerados.

Um estudo publicado pela Mercer Brasil, empresa americana de consultoria em recursos humanos, divulgou que 22% das organizações entrevistadas tiveram problema com infraestrutura e na adequação da política ao trabalho remoto.

Dançar conforme a música ou criar novas estratégias? Ana Lucia Caltabianco, executiva de Recursos Humanos da GE destaca em entrevista para a AMCHAM Brasil que o cenário atual está delicado para criar regras ou estabelecer planejamentos, aconselhando que as empresas se ajustem às necessidades do time, como horários, disponibilidades e ‘dancem conforme a música’.

Outro ponto em destaque na pesquisa realizada pela Mercer é que boa parte das pessoas que estão trabalhando remotamente neste momento, não haviam tido experiências anteriores.

Entre as organizações entrevistadas, 15% das empresas estão oferecendo o trabalho remoto e jornadas flexíveis por conta da Covid-19.

Práticas essenciais para manter a harmonia e colaboração

‘Escutar mais’ é dito ou lido com certa frequência em matérias direcionadas para a liderança, no entanto, nunca foi tão necessário quanto no momento atual.

 A maioria das pessoas dessa geração nunca vivenciou um cenário de pandemia que pudesse impactar de maneira tão drástica sua rotina.

Para colaboradores que precisam conciliar  família e crianças essa jornada pode ser extenuante e a princípio exigir organização extra.

 A liderança nesse momento terá de ouvir essas diferentes realidades e atuar com empatia para apresentar soluções que possam ajudar o colaborador que estiver enfrentando dificuldades.

O distanciamento físico entre empresa e colaborador vai exigir uma maior aproximação emocional e preparo para lidar com diferentes realidades.

Líder também é gente!

Todo ser humano tem o seu limite e pode sofrer de sobrecarga, tal como o líder deve enxergar o seu time com empatia, o time deve adotar condutas proativas e por vezes tomar decisões na ausência do líder.

A gestão humana será muito importante para que que o trabalho seja realizado com harmonia e menos impactos possíveis, seja de ordem prática ou na saúde e bem-estar dos colaboradores.

Reuniões individuais

Ana Caltabianco, executiva de Recursos Humanos da GE, orienta que cultivar em primeiro momento uma conversa individual será muito importante por parte da liderança.

Entender qual a perspectiva de cada colaborador, o estresse enfrentado ou mesmo a situação que a pessoa vive em casa, como pode se organizar melhor.

“O remoto tem muito mais a ver com entender de gente, do que entender sobre negócios”. Elton Moraes, Consultor Sênior da Mercer Brasil.

Esse não é momento de rever metas, por exemplo, mas oferecer ao colaborador um cenário de acolhimento para que as atividades que a organização precisa realizar sejam executadas de maneira harmônica para todo o time.

Organizações irão necessitar de estratégias relacionadas a atitudes humanas para enfrentar esse momento e, diariamente, tirar grandes aprendizados a nível pessoal e profissional.

A prática de fazer junto, pensar junto e sentir junto, será imprescindível durante o cenário de pandemia.