Ministério do Trabalho interdita empresa com 14 mil funcionários

MINISTÉRIO DO TRABALHO


O Ministério do Trabalho e Emprego interditou, na noite da terça-feira (20), a empresa de telemarketing Contax, no bairro de Santo Amaro, na região central do Recife. Os 14 mil funcionários da unidade não trabalham nesta quarta-feira (21), enquanto o serviço de telemarketing da empresa está suspenso.

A interdição é resultado de uma ação fiscal de âmbito nacional, que corre na Justiça há quase um ano. De acordo com a auditora fiscal do trabalho Cristina Serrano, a ação é realizada nas centrais de teleatendimento de bancos e de empresas de telecomunicações, que funcionam dentro do estabelecimento da Contax. Ela diz também que a ação já atinge 185 mil trabalhadores no Brasil e a unidade da Contax em Santo Amaro é o estabelecimento que concentra a maior quantidade de funcionários.

Ainda segundo a auditora, a fiscalização na empresa constatou uma série de irregularidades; dentre elas a terceirização ilícita de serviços, assédio moral e alto risco de segurança à saúde dos funcionários. “Excesso de pressão, controle de uso do banheiro, limitação do consumo de água, problemas psíquicos pelo cumprimento de metas inalcançáveis, muitas práticas assediadoras que a empresa utiliza para obter mais vendas”, pontua Serrano.

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Funcionários da Contax relataram situações abusivas no ambiente de trabalho. “A gente tem uma carga horária de 6h20. Dentro dela, temos duas pausas de dez minutos e uma de vinte minutos, para o lanche”, explica uma funcionária que não quis se identificar. “Como é o trabalhador quem procura a empresa, ela se acha no direito de constranger, humilhar e assediar, diariamente”, completa.

Outra mulher contratada pela Contax diz que a pausa para o banheiro é de cinco minutos dentro do expediente. “Uma dia fui ao banheiro e passei sete minutos. Quando voltei, fui punida pelo supervisor e como não achei justo, levei outra advertência escrita, por insubordinação. Cheguei a perder minha remuneração variável por causa disso”, denuncia a funcionária.

Os trabalhadores da empresa recorrem, com frequência, ao sindicato da categoria. “O trabalhador vive pressionado psicologicamente durante a jornada de trabalho. Existem casos de trabalhadores que têm fobias e estão inclusive afastados por causa disso”, conta o diretor de organização do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicação de Pernambuco (Sinttel), Eugênio Melo. Ele também afirma que a organização recebe várias denúncias dos funcionários, e as repassa para o Ministério Público. “Já houve várias audiências e a Contax desconsiderou todas elas”, pontua.

A auditora Cristina Serrano informa também que o tempo da interdição depende da empresa. “A desinterdição só vai acontecer quando ela cumprir as determinações impostas”, ressalta. As medidas são várias e envolvem questões como a higiene do local, o fim do limite de idas ao banheiro e consumo de água, e o monitoramento do funcionário através da gravação de ligações, por exemplo. Por meio de nota, a Contax informou que tomará as medidas necessárias.

Veja a íntegra da nota da Contax:

“O Grupo Contax considera arbitrário o ato da fiscalização realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego no Site Santo Amaro e está tomando todas as medidas cabíveis para normalização da operação.

O Grupo Contax é a maior geradora de empregos na cidade de Recife com mais de 18.000 funcionários contribuindo de forma ativa para o desenvolvimento econômico e social do Estado de Pernambuco. Importante destacar que a companhia cumpre toda a legislação trabalhista e as normas específicas para o setor de call center e mantém os mais altos padrões em suas instalações e de conduta ética.”

Audiência
A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Pernambuco realiza ainda, nesta quarta (21), às 14h, uma audiência pública interinstitucional, para dar continuidade ao caso. Devem participar da reunião o Ministério do Trabalho e Emprego, o Tribunal Regional do Trabalho, o INSS, o sindicato da categoria, a Receita Federal, o Banco Central, e o Ministério Público do Trabalho, além de representantes da empresa. (Com Informações do G1-Globo)

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