Mulher contabilista: uma trajetória respeitável no mercado contábil – Coluna Conta Azul

A força da mulher contabilista esteve presente como pano de fundo no filme Brooklyn, que concorreu ao Oscar em 2016. Ambientado na década de 50, o longa conta a história de uma jovem irlandesa, Ellis Lacey (Saoirse Ronan), que se muda para os Estados Unidos em busca de emprego, já que seu sonho era ser contadora, mas sua irmã já havia ocupado a única vaga disponível na pequena cidade em que viviam. Nos EUA ela conquista uma bolsa para estudar contabilidade, sendo a única mulher da turma, e se destaca pelo bom rendimento no curso.

Na foto, Saoirse Ronan, interpretando Eilis Lacey, no longa-metragem Brooklyn.
Cena do longa-metragem, Brooklyn, estrelado pela atriz Saoirse Ronan, interpretando Eilis Lacey.

Aqui no Brasil, em 1950, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) afirma que as mulheres representavam apenas 4,3% dos trabalhadores da área. Mas de lá para cá muita coisa mudou, e em 2014 elas já eram quase a metade dessa força de trabalho (47,4%). O grande destaque deste levantamento foi o estado do Amazonas, no qual as mulheres contadoras constituíam 51,1% do total registrado, tanto no nível técnico quanto no superior. O estado que ficou na lanterna, com menor número de mulheres contadoras, foi Goiás, que totalizou 36,1% de registros femininos.

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Outra forma de perceber o fortalecimento da participação das contadoras é analisando sua presença e liderança nas redes sociais, principalmente em grupos do Facebook, como oContabilidade – Perguntas e Respostas, que soma mais de 50 mil membros e conta com três mulheres na administração e apenas um homem. Já o movimentado grupo Escritório Contábil na Prática tem mais de oito mil membros e de seus cinco administradores, três são mulheres.

Você tem acompanhado essa transformação no mercado contábil? Seguindo essa linha, as mulheres, em breve, poderão ser a maioria no segmento tradicionalmente liderado por homens. Afinal, os números não deixam dúvidas: a mulher contadora está garantindo o seu lugar ao sol.

Segundo reportagem da REPeC (Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade) divulgada em 2015, a participação da mulher nas salas de aula está crescendo, principalmente no nível técnico. Enquanto os homens estão reduzindo sua participação (com encolhimento de 5%), as mulheres ampliaram seu ingresso em 35%.

Nota-se que estudar tem sido prioridade na carreira delas. Na décima edição do Encontro Nacional da Mulher Contabilista, realizado em agosto de 2015, os palestrantes ressaltaram a importância da profissionalização e de manter-se atualizada. A REPeC afirma que o desempenho das mulheres nas instituições de ensino superior se mostrou superior ao dos homens: “77,15% das alunas que iniciaram o curso chegaram ao término, contra 66,14% dos alunos”. E esse fato não acontece somente no âmbito da contabilidade. Angélica Franco, gestora de projetos da premiação Great Place to Work Brasil, em entrevista à revista Época, afirma que as mulheres estão cada vez mais qualificadas e, a cada dia, assumindo cargos que eram majoritariamente masculinos.

Em artigo para a Fiesp, a empresária Cristina Kerr apresenta diversas pesquisas conduzidas por importantes instituições que relacionam a liderança feminina com excelentes resultados financeiros para as empresas. A executiva afirma ainda que existem fatores muito ligados aoperfil de liderança da mulher que são determinantes para o bom desempenho financeiro, como inovação, eficiência, satisfação do funcionário e um ambiente de trabalho inclusivo. Você já notou essa relação no escritório de contabilidade?

Nos postos de liderança das entidades de classe, duas mulheres contabilistas se destacaram, como Maria Clara Cavalcante Bugarim, que, em 2006, foi a primeira mulher a assumir a presidência do CFC (por dois mandatos consecutivos).

Na foto, Maria Clara Cavalcante Bugarim, que, em 2006, foi a primeira mulher contabilista a assumir a presidência do CFC (por dois mandatos consecutivos).Maria Clara Cavalcante Bugarim

Na sequência Celina Coutinho, que foi a primeira mulher a assumir o cargo de vice-presidente do CRCSP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo) em 2008. No âmbito empresarial, as mulheres também ganharam força e espaço, seja em departamentos de contabilidade ou liderando uma empresa contábil.

Celina Coutinho, foi a primeira mulher contabilista a assumir o cargo de vice-presidente do CRCSP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo) em 2008.
Celina Coutinho

Deise Freitas, sócia da nossa parceira Syhus Contabilidade e Inteligência Financeira, conta que dentro de uma cultura de trabalho bem organizada a mulher contadora tem mais sensibilidade para conduzir a gestão de times e, por consequência, desenvolver novos talentos. Por outro lado, um processo desestruturado tende a gerar grande rivalidade na operação, mas isso não seria um problema da mulher e sim da gestão, afirma.

Para Deise, o maior desafio para as mulheres atualmente é conciliar vida pessoal e o acompanhamento profissional que a área exige. E não é para menos: segundo pesquisa divulgada pela Unicamp em 2015, 90% das mulheres fazem tarefas domésticas e, entre homens, o índice chega a 40%. A Universidade de Michigan vai além, afirmando que ter um marido cria sete horas adicionais de trabalho doméstico para uma mulher, e quando os filhos chegam, a situação fica ainda mais complicada para elas. Isso soa familiar para você?

Para as mulheres contabilistas que estão iniciando a carreira, Deise dá uma dica valiosa: é muito importante sempre ter um foco e realizar cada etapa por vez. Ela diz que é preciso ter um objetivo claro, estabelecendo quando e como realizar cada meta da sua vida, pois assim o resto acontecerá naturalmente.

Paula Aragão, Analista Fiscal da Syhus Contabilidade, fala sobre a presença feminina no mercado contábil. Confira abaixo:

Desde a década de 50, por onde começamos este artigo, as mulheres contadoras vêm se mostrado cada vez mais preparadas, engajadas e focadas no desenvolvimento de competências para liderar instituições de classe, departamentos de contabilidade e empresas contábeis. Com isso, elas trazem uma nova maneira de conduzir as equipes e os negócios, fortalecendo o mercado contábil e valorizando o trabalho da classe.

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Neste Dia Internacional da Mulher, toda a admiração da ContaAzul pelas grandes mulheres contabilistas do Brasil!

Marcelo dos Santos

Sócio & Head do ContaAzul para Contadores

Formado em Ciência Contábeis, Marcelo dos Santos tem MBA em Administração Global pela Universidade Independente de Lisboa e MBA pela Fundação Getúlio Vargas. Ganhou diversos prêmios como o Marketing Company on Technology Marketing e Grandes Sacadas de Marketing. Atualmente, é Sócio & Head do ContaAzul para Contadores.

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