O ano de 2020 certamente irá marcar a história da Netflix.

A despeito da crise provocada pelo novo coronavírus no mundo, a empresa tem alcançado ótimos resultados.

No trimestre entre abril e junho, a plataforma registrou receita de US$ 6,15 bilhões e chegou a 26 milhões de usuários, mais do que o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2019.

De acordo com os dados divulgados pela gigante do streaming, mais 2,5 milhões de novos usuários devem integrar esse número até outubro.

O sucesso da companhia em meio a uma das maiores crises globais da história da humanidade se deve especialmente ao seu modelo de negócio, que está totalmente alinhado às demandas do momento.

As medidas de isolamento social necessárias para a contenção do vírus levaram pessoas a aderirem ainda mais às possibilidades de diversão dentro de casa.

As inúmeras produções de filmes, séries, documentários e desenhos animados da Netflix serviram como um oásis no deserto para as famílias confinadas.

Mas embora a perspectiva de novos usuários seja significativa, ainda está abaixo do esperado pelos investidores.

O mercado também não gostou do lucro de US$ 1,59 por ação apresentado na divulgação dos resultados do trimestre.

A expectativa era pelo valor de ao menos US$ 1,82.

A reação foi imediata.

No mesmo dia em que esses dados foram divulgados, as ações da Netflix fecharam em baixa, apresentando queda de 9%.

Projeções para o segundo semestre

Passado o susto inicial, os papéis da companhia logo se recuperaram e a Netflix continua uma aposta certeira para os investidores mais experientes.

Os serviços de streaming on demand estão longe de serem uma onda passageira.

Assistir filmes e séries quando e como quiser é uma regalia da qual as pessoas não vão abrir mão, mesmo depois da pandemia.

Bem diferente da época das locadoras, quando era preciso esperar a vez para alugar aquele filme que havia acabado de sair do cinema.

Com mais tempo de estrada do que seus concorrentes diretos – Amazon Prime, Disney e Apple – a Netflix está consolidada no mercado, ao passo que as outras precisam se dedicar para conseguir mais espaço.

Mesmo com as produções originais paralisadas por conta das medidas de isolamento social, a audiência da Netflix não sofreu quedas.

É que a sua biblioteca conta com mais de quatro mil títulos entre os mais variados gêneros e estilos.

A expectativa é de que, no segundo semestre, a perda de lucro líquido recente seja recuperada.

A previsão da Netflix é chegar a US$ 2,09 por ação e receita de US$ 6,327 bilhões até dezembro.

Rali tecnológico

Ao que tudo indica, não será difícil bater esta meta.

Em agosto, o setor de tecnologia puxou para cima o desempenho das bolsas norte-americanas.

O rali, ou seja, a alta de ações dos últimos tempos favoreceu as empresas de tecnologia.

A Nasdaq, que lista as companhias de tecnologia, atingiu sua 39ª máxima recorde no ano.

Resultado muito superior a 2019, quando a bolsa conquistou 31 máximas.

As ações da Netflix, por exemplo, chegaram a saltar 11,6% em uma única sessão. 

Sinal de que tempos ainda melhores podem estar por vir.