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Veja o panorama da concentração da economia dentro do Brasil

Veja o panorama da concentração da economia dentro do Brasil

15/12/2023 às 10h53 Atualizada em 15/12/2023 às 13h53
Por: Leonardo Grandchamp
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Imagem: denphumi / freepik
Imagem: denphumi / freepik

Nos últimos anos, temos observado uma mudança significativa na dinâmica econômica brasileira, caracterizada por uma menor concentração, onde as grandes cidades têm perdido parte de sua relevância no Produto Interno Bruto (PIB) do país. Essa transformação é evidenciada pelo recente estudo sobre o PIB dos Municípios, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2002, apenas quatro metrópoles - São Paulo (12,7%), Rio de Janeiro (6,3%), Brasília (3,6%) e Belo Horizonte (1,6%) - respondiam por aproximadamente 25% do PIB nacional. Entretanto, em 2021, esse cenário evoluiu, e agora 11 cidades compõem esse grupo, representando cerca de um quarto da economia do país.

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No ano de 2021, além das já citadas São Paulo (9,2%), Rio de Janeiro (4%), Brasília (3,2%) e Belo Horizonte (1,2%), outras cidades como Manaus (1,1%), Curitiba (1,1%), Osasco (SP) (1%), Maricá (RJ) (1%), Porto Alegre (0,9%), Guarulhos (SP) (0,9%) e Fortaleza (0,8%) integram essa lista de influência econômica.

O contraste é notável ao considerarmos que, em 2002, era necessário agregar as riquezas de 48 cidades para alcançar 50% do PIB, enquanto em 2021 esse número aumentou para 87, indicando uma distribuição mais equitativa da riqueza pelo país.

Por outro lado, no extremo oposto, em 2002, 1.383 municípios contribuíam com cerca de 1% do PIB nacional. Em 2021, esse número diminuiu para 1.306, sinalizando uma redução na desigualdade e uma base da pirâmide mais estreita.

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Capitais

Uma maneira adicional de observar o processo de descentralização é analisar o comportamento das capitais. Em 2002, elas correspondiam a 36,1% da economia brasileira. No ano de 2020, essa participação diminuiu para 29,7%, e em 2021, atingiu o índice mais baixo desde o início da pesquisa, registrando 27,6%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que a descentralização ganhou destaque em 2020, especialmente devido às medidas restritivas de isolamento impostas durante a pandemia da covid-19, que impactaram significativamente as atividades de serviços presenciais concentradas nas capitais.

Apesar de São Paulo ser a capital mais próspera, chama a atenção o fato de Palmas, no Tocantins, encerrar a lista com uma participação mínima de 0,1% no PIB nacional.

Um aspecto revelador é que, em estados como Pará, Espírito Santo e Santa Catarina, as respectivas capitais não ocupam a posição de cidade mais rica. No Pará, Parauapebas lidera com uma participação de 18,9%, seguida por Canaã dos Carajás, com 13,3%, enquanto Belém fica em terceiro lugar, contribuindo com 12,7% do PIB estadual.

No Espírito Santo, Serra assume a liderança com uma participação de 20%, enquanto Vitória ocupa a segunda posição com 16,9%. Em Santa Catarina, Florianópolis se posiciona em terceiro lugar, representando 5,5% do PIB estadual, ficando atrás de Itajaí (11,1%) e Joinville (10,5%).

Evolução

Dentro do panorama dos 5.570 municípios brasileiros, São Paulo e Rio de Janeiro se destacam como as cidades que mais perderam participação no PIB no período de 2002 a 2021, com decréscimos de 3,5 pontos percentuais (p.p.) e 2,3 p.p., respectivamente. No caso paulista, essa redução é notadamente atribuída à diminuição relativa das atividades financeiras, de seguros e serviços correlatos. Enquanto no caso fluminense, a queda ocorreu principalmente devido à diminuição das atividades imobiliárias e dos serviços de informação e comunicação.

Contrastando com essas perdas, o município de Maricá, localizado no litoral norte do Rio de Janeiro, apresentou o maior ganho de participação no PIB durante esse período, com um aumento de 0,9 p.p. Isso se deve, em grande parte, à expansão da extração de petróleo e gás na região.

O segundo maior ganho foi registrado em Parauapebas, no Pará, com um acréscimo de 0,5 p.p., impulsionado pela expansão da extração de minério de ferro na localidade.

PIB per capita

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou uma análise do Produto Interno Bruto (PIB) per capita nos municípios do Brasil, representando a divisão da riqueza total da cidade pelo número de habitantes.

O topo do ranking é ocupado por Catas Altas, uma cidade mineira localizada a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte. Com uma população de pouco mais de 5 mil habitantes, o município apresenta um impressionante PIB per capita de R$ 920.833,97, impulsionado pela atividade econômica de extração de minério de ferro.

A mineração também desempenha um papel fundamental nos PIB per capita de Canaã dos Carajás (PA), que ocupa a segunda posição no ranking, assim como em outras três localidades mineiras: São Gonçalo do Rio Abaixo (3º), Itatiaiuçu (4º) e Conceição (6º).

As cidades de Presidente Kennedy, no Espírito Santo, e Maricá e Saquarema, no Rio de Janeiro, conquistam a quinta, sétima e oitava posições, respectivamente, graças à extração de petróleo e gás.

No Maranhão, três municípios apresentam os menores PIB per capita em 2021: Santana do Maranhão (R$ 5,4 mil), Primeira Cruz (R$ 5,7 mil) e Matões do Norte (R$ 5,7 mil).

O IBGE destaca as desigualdades regionais no PIB per capita, com a média nacional atingindo R$ 42,2 mil, enquanto o Nordeste registra R$ 21,5 mil, seguido pelo Norte, com R$ 29,8 mil. As demais regiões estão acima da média, com ênfase para o Centro-Oeste, com R$ 55,7 mil. O Sul apresenta R$ 51,3 mil, e o Sudeste, R$ 52,5 mil.

No cenário das capitais, Brasília, Vitória e São Paulo lideram o ranking, enquanto Belém e Salvador ocupam as últimas posições.

Os maiores valores do PIB per capita são observados nos grandes centros urbanos do Centro-Sul, bem como em regiões que combinam uma atividade agropecuária significativa com uma população reduzida, como a borda sul da Amazônia Legal, região central de Mato Grosso, sul de Goiás, leste de Mato Grosso do Sul, oeste baiano e no alto curso do Rio Parnaíba.

Atividades

O levantamento também fornece um panorama das atividades econômicas concentradas nos municípios. No setor de serviços - excluindo administração, defesa, educação, saúde pública e seguridade social - cinco cidades representavam quase um quarto do total dessa atividade no Brasil em 2021. São Paulo liderava com 14,1%, seguida pelo Rio de Janeiro com 4,5%, Brasília com 3,3%, Belo Horizonte com 1,6% e Osasco com 1,5%.

O analista de Contas Regionais do IBGE, Luiz Antonio de Sá, esclarece que a inclusão de Osasco nessa lista, superando outras capitais, deve-se à "relevância de suas atividades financeiras, de seguros e serviços correlatos, uma vez que um dos maiores bancos do país [Bradesco] tem sua sede lá".

A pesquisa revela que, em 2021, 25% do PIB da agropecuária estava concentrado em 106 municípios, sendo que 57 deles estavam localizados no Centro-Oeste, impulsionados principalmente pela produção de grãos e algodão herbáceo. Os cinco municípios com os maiores valores eram Sapezal (MT), Sorriso (MT), São Desidério (BA), Diamantino (MT) e Campo Novo do Parecis (MT), contribuindo conjuntamente com 3,6% do valor adicionado bruto da agropecuária.

Além disso, o número de municípios onde a agricultura era a atividade principal aumentou de 1.049 em 2020 para 1.272 em 2021.

Maricá x São Paulo

Pela primeira vez desde o início da série histórica do IBGE em 2002, a cidade de São Paulo não conquistou o título de líder na participação da atividade industrial. Esse posto foi assumido por Maricá, que concentrou 3,3% do PIB da indústria em 2021, com a explicação encontrada na significativa extração de petróleo e gás na região.

Além de São Paulo, que ocupou a segunda posição com uma representação de 3,1%, o Rio de Janeiro também se destacou na terceira posição, contribuindo com 2,3%. Na quarta posição figurou Parauapebas, com 2%, sendo associada à extração de minério de ferro. Manaus, impulsionada pelo polo industrial da Zona Franca, encerrou as cinco primeiras posições, com uma participação de 1,9%.

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